sábado, 5 de maio de 2012

ÀS MÃES

                             "TUDO É INCERTO, EXCEPTO O AMOR DE MÃE"
Amo-te MÃE; é normal dizer que as saudades são as memórias do nosso coração e é verdade, pois tenho saudades de afagar os teus cabelos brancos, sentir nas minhas mãos os sulcos rugosos da pele do teu rosto e que foram fruto das agruras da vida.
MÃE foste o porto seguro que me acolheu em momentos de tormenta, foste a amiga e confidente nos momentos de confidencia. Tenho saudades do teu sorriso e da bondade que emanavas no teu olhar. Sinto saudades do aconchego dos teus abraços.
Para ti MÃE o meu obrigado, pois o maior legado que me deixas-te, foi o exemplo da tua vida.
Para todas as MÃES dos Camarigos de Madina e que afortunadamente ainda lhes podem dizer nos olhos AMO-TE MÃE, damos-lhes um beijo de felicitações e tenham a certeza que estarão sempre nas nossas preces  e orações. Para as que já partiram e que deixaram um vazio que jamais será preenchido, pedimos a Deus para que a Luz eterna as acompanhe na companhia do Senhor.

Saudosa e querida mãe, tenho-te no pensamento e estás sempre no meu coração.
Do teu filho, Monteiro (manhiça )

domingo, 29 de abril de 2012

DOMINGO À TARDE

Camarigos de Madina:
Com que então pensavam que estavam livres das minhas tão chatérrimas, enfadonhas e inúteis crónicas, mas como vêem, cá estou eu, depois de umas curtas mas sempre apetitosas e merecidas férias, desta vez por terras da Beira Baixa: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Fundão, Monfortinho, enfim por terras do nosso camarigo Rafael e outros a quem envio um forte abraço de parabéns por serem naturais de tão belas terras. Fiquei encantado com este pedaço do nosso Portugal.
Mas, adiante, eu que aguardei com ansiedade por qualquer escrito de algum dos meus pares, vejo que afinal não só não escrevem como pouco lêem o que por cá se vai "postando". Enfim, tenho esperança que um dia alguns de vós se digne fazer um simples clik num qualquer PC e ler o que vou escrevendo "qual escritor de pacotilha" e debitando umas letras para que fiquem em memória futura e quiçá alguns dos nossos vindouros possam ler e ver o que foram as nossas vivências tanto lá na Guiné como agora por cá. 
Se mais nada lhes podermos legar, pelo menos que fiquem com o exemplo das nossas vidas e nestas idades, em que já despontam os cabelos grisalhos, os quais são o arquivo do nosso passado e porque quando chegarmos aquela fase em que se tem mais alegria pelo passado do que pelo futuro, estamos velhos e então só temos 4 coisas que são boas: 1º velhos amigos para conversar; 2º lenha velha para aquecer; 3º vinho velho para beber; 4º livros velhos para ler.
Camarigos de Madina, pudera eu transmitir para o papel (PC), assim as musas me inspirassem, o quanto e tudo o que me alegra em vos ter como amigos. Por vezes penso que Deus foi generoso em me ter dado oportunidade de vos ter como amigos,  com esta amizade eu sou feliz, porque para ser feliz é fazer de cada momento um momento especial e por vós e com vós eu tenho muitos momentos bons, e não sou daqueles que dizem que as estrelas estão mortas porque o céu está nublado.
 
Brevemente escreverei mais, por hoje ide comentando este escrito que saiu num momento de nostalgia e melancolia nesta tarde chuvosa deste ultimo Domingo de Abril.
Para todos um forte abraço Monteiro ( manhiça )

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PINCELADAS DE MADINA MANDINGA

A nossa rotina, na simpática povoação de Madina Mandinga, estava consignada a um quadrado de terra batida onde tudo se passava. Ponto de encontro de toda a Companhia, local de chegada e partida, onde recebíamos as nossas visitas. Foi nesse quadrado de terra onde o sol escaldava que muitos factos aconteceram, dos quais relembro:-

a) Cinema

No início da noite do dia 19/02/1974 tivemos a visita de um Alferes e um Furriel, vindos do QG de Bissau, que nos presentearam com a exibição de dois filmes, ao ar livre. O 1º com o título “Bosallini” e o 2º uma comédia de guerra “Com jeito vai Sargento” realizado em 1958 por Gerald Thomas.

b) Missa

O Sr. Padre Capelão, do sector de Nova Lamego, veio visitar o nosso aquartelamento durante três dias, para também ele, nos dar ânimo e apoio moral e espiritual. No Domingo do dia 23/09/1973 celebrou a missa para todos nós. O altar (uma mesa) foi colocado debaixo de uma cobertura em palha, junto da cantina. Foi nesse pedaço de África que a celebração aconteceu. Toda a rapaziada se vestiu à civil para participar na única missa celebrada em Madina. Nesse Domingo houve festa e comida melhorada.

c) A Chegada

A este quadrado de chão pisado chegámos na tardinha do dia 13/08/1973, auto transportados, com as fardas ainda a cheirar a novo e de olhos bem arregalados e bastante medrosos. Fomos recebidos de braços abertos pela malta velhinha que com câmaras improvisadas de TV, cartazes com frases bonitas e muitos gritos de “piu-piu” davam azo à sua alegria, pois sabiam que passados alguns dias daqui partiriam rumo à Metrópole.

d) Gina

Também nesse quadrado, algures num canto, estava a mascote da nossa companhia. Quem não se lembra da macaca “Gina”, empoleirada num tronco de árvore, à espera duma bananita. Toda a gente gostava de brincar com ela.

A Gina em fotografia

e) Café

E desse quadrado de terra areada e poeirenta havia quem ao Domingo, depois do almoço, partia para tomar café à 5ª REP (café virtual). Era um pequeno percurso fora do arame farpado até à ponte ali próximo. Seria para matar saudades dos passeios domingueiros à tarde, com as nossas famílias e namoradas.

Era neste quadrado que tudo se cruzava. Daqui acedíamos ao gabinete de trabalho do nosso Capitão, sempre de porta aberta para receber. Ao lado os serviços de enfermagem. Num dos topos do quadrado a cozinha, a messe e por ali perto o forno do padeiro. No lado oposto a cantina e algures por ali a casa do Gerador do Machado que, sempre no seu posto, nos dava luz e água. Era neste pedaço de terra que durante o dia toda a azáfama acontecia e que no cair da noite apressadamente percorríamos com o receio de algum disparo vindo do exterior do arame farpado.

Foi assim em redor desse quadrado, onde pernoitávamos e em alerta estávamos, que gastámos algum tempo da nossa juventude mas também com coisas bonitas que ainda hoje recordamos com nostalgia. Todos nos lembramos dos nossos bigodes que quase toda a malta deixou crescer a exemplo do nosso irmão mais velho, o Capitão Zé Luís. b o n s t e m p o s ……..

por antónio costa (dando uma folga ao nosso editor chefe)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PÁSCOA

Camarigos de Madina, estamos na Páscoa e como tal, quero expressar a minha alegria por mais uma época festiva que comungo com a minha família e os meus familiares de Madina, companheiros de tantas alegrias e angustias.
Como em tudo na vida e quando JÁ PASSAMOS OS QUARENTA QUE É A VELHICE DOS NOVOS, E ENTRAMOS NOS SESSENTA QUE É A JUVENTUDE DOS VELHOS, começamos a olhar para trás e relembramos as datas que nos marcaram.
Não podemos esquecer a PÁSCOA, que nos faz viver a RESSURREIÇÃO de CRISTO, depois da SUA morte por crucificação.
A Páscoa na nossa Madina Mandinga (nesse ano de 1974 celebrada em 14 de Abril), apesar de termos informações que o IN anda na nossa área e que na mata de NHACARÉ fizeram abrigos, que nos obrigava a cuidados redobrados, mesmo assim o nosso dia de Páscoa foi vivido de uma forma muito cristã e festiva. Até um grupo de militares organizou um compasso.
Como era tradição na época, nós também pintamos, (pintaram) a messe e outras instalações e como não podia deixar de ser houve rancho melhorado, copos e cantorias.
Quero expressar o meu desejo para que esta Páscoa seja vivida por todos vós na alegria e paz do Senhor e peço a Deus que ilumine todos os dias das vossas vidas.
Camarigos de Madina, deixo-vos com este pensamento e que o tenhais sempre presente nos vossos corações e nas vossas acções: dar - ATÉ A ÁRVORE NEM AO LENHADOR NEGA A SUA SOMBRA.
Um bem hajam e sejam felizes, Monteiro (Manhiça)

sexta-feira, 16 de março de 2012

OS 14 FURRIÉIS MILICIANOS

Somos poucos mas somos bons, de boa estirpe, boa cepa, bom carácter, mente sã, espírito forte, companheiros, irmãos e acima de tudo uma amizade que perdura ao longo de tantos anos, já o disse e reafirmo, se nós nos juntamos, não foi por acaso, por algum motivo foi e agora mais do que nunca, damos valor à amizade, pois já passamos os quarenta que é a velhice dos jovens e já estamos nos sessenta que é a juventude dos velhos. Já deixamos a idade dos sonhos, a juventude, e estamos na fase das recordações, a velhice.
Quantas saudades daqueles tempos em que, garotos de vinte anos, que muitas vezes pareciam crianças no jardim de infância a fazerem asneiras e brincadeiras.
Por força do cargo, quantas saudades e tristezas foram reprimidas para dar o exemplo aos nossos companheiros, para muitos de nós foi a grande escola da vida, pois meninos e moços, por força das circunstâncias nos vimos com tão grande responsabilidade de conduzir os nossos homens pelos melhores caminhos de resguardo e paz.

De todo o grupo de furriéis, sempre muito coeso, uns foram mais sacrificados, outros injustiçados e alguns muito mimados, mas é mesmo assim, pois a VIDA É UMA TAPEÇARIA QUE SE BORDA DIA A DIA, COM FIOS DE MUITAS CORES, UNS PESADOS E ESCUROS, OUTROS FINOS E LUMINOSOS, MAS NO FIM TODOS CONSTRUÍRAM A TAPEÇARIA, e assim foi connosco e o que ficou para nós mostrarmos aos nossos vindouros foi a nossa linda amizade e para todos os nossos companheiros que já partiram e em especial ao nosso FurMil Lázaro eu digo: DITOSOS OS DIGNOS DE MEMÓRIA, descansai em Paz.
Em suma aqui fica o meu contributo e o meu pensamento sobre os meus queridos companheiros, irmãos e amigos de tristezas e alegrias:-

COSTA, o "doente", a tropa passou por ele a correr, pois o poiso principal dele era o hospital militar em Bissau e a pensão D. Berta, com estágios em vários cafés da cidade de Bissau. Um "ENGANADOR", um baldas de 1ª apanha.

MADRUGO, o irmão que eu nunca tive, o alentejano purinho de gema, que teve o azar de me ter por companheiro e eu ter a mania de ser "chico esperto". Tudo me aturou, muito lhe devo, obrigado, tenho-te no coração.

FERNANDO, o reguila de Leça da Palmeira, com toda a escola de marear, um dos protegidos que pertencia à "cantera do tiBrito", grande companheiro, colega de quarto, fazia parte da seita do Porto.

QUINITO, mais um da "cantera do tiBrito", ninguém ainda hoje sabe o porquê de ele ser o mestre de obras, um mistério.

PEDRO, Lisboeta de gema, boémio e malabarista também fazendo parte da dita "cantera do tiBrito", amigo e companheiro do peito, estava tudo bem, sempre doente de um joelho desde que chegou á Guiné.

PATRÍCIO, o nosso pastilhas, o homem que zelava pela saúde física, mental e sexual de todos nós. Um borguista.

SILVA, o alegre Silva, sempre calmo e generoso, nada se passava com ele, estava sempre tudo bem.

GAIPO, o jovem inovador e muito dedicado aos projectos culturais. A música era a sua arte preferida. Gostava de pôr a cantar bem e certinho, ao som da sua viola, toda a rapaziada, muito embora a malta do Porto não acertasse na melodia.

SOARES, o foragido, metido no seu casulo, mas sempre no meio dos seus homens e ocupado na jogatina das cartas. Nada dado a festanças, mas muito popular e um amigo.

FREITAS, o "betinho" da companhia, rapaz inteligente pois soube viver à sombra do tiBrito e não fez ondas. Faziam-se boas petiscadas no seu quarto.

CÂMARA, o açoriano que mal se dava por ele, passou um pouco ao lado de tudo e de todos.

LÁZARO, o trabalhador, o mecânico que Deus tem, paz à sua alma.

MONTEIRO, bom rapaz, tipo "magnório" que acima de tudo e de todos era um homem do Norte o qual defendia contra tudo e todos. Sempre muito critico e em alta voz, mas que acabava por entrar no goto do tiBrito.

RAFAEL, o rapaz adulto que teve o azar de cair num pelotão, muito tempo sem alferes, por isso com pouco tempo para mais.

Companheiros furriéis, camarigos de Madina, depois destas pequenas farpas, peço a Deus QUE ILUMINE TODOS OS VOSSOS DIAS NOS ANOS QUE ORA VÊM.
Eis os nossos homens hoje recordados:
Furriéis Milicianos
- Leonel Francisco Isaías Madrugo – 1º pelotão
- Manuel da Costa Monteiro – 1º pelotão
- José Manuel Graça Teixeira Gaipo – 2º pelotão
- Joaquim Lopes Rafael – 2º pelotão
- António Gonçalves da Costa – 3º pelotão
- Fernando Manuel Sobral Soares – 3º pelotão
- Pedro Marques Ferreira dos Santos – 4º pelotão
- Carlos Alberto Melo Câmara – 4º pelotão
- Lázaro Martins Loureiro – mecânico auto e chefe da oficina - já falecido
- António Lourenço Patrício – enfermeiro e chefe da enfermaria
- José Manuel Ferreira da Silva – transmissões infantaria e chefe do serviço
- José Luís Costa Freitas (dr.) - vagomestre
- Fernando Moreira dos Santos – armas pesadas
- Ezequiel Joaquim Soares da Silva – atirador c/muitas funções
Por tudo, bem hajam e um forte abraço: Monteiro (Manhiça)

quinta-feira, 1 de março de 2012

TRIBUTO AO PESSOAL DAS TRANSMISSÕES

"um alfa bravo, do foxtrot mil Monteiro, para toda a malta das transmissões, com conhecimento ao seu charlie foxtrot mil Silva-cambio"

Quem não se lembra deste linguajar, do nosso dia a dia, sons inconfundíveis que os velhinhos rádios AVP-1, mais conhecidos por "bananas" - qual relíquia da 2ª guerra, ou os equipamentos mais modernos, à época, Racal TR-28 emitiam e fosse qual fosse a situação e circunstâncias em que estivéssemos, eles eram o nosso suporte de companhia, conforto e segurança. Eram os telemóveis da altura.


Rádio Racal TR-28 e Rádio AVP-1 (banana)

Fala-se de tudo e de todos, desde tropas de elite, passando pelos especialistas, até à tropa chamada macaca, mas todos nós tínhamos um amigo comum, o elemento das transmissões, fossem boas ou más notícias que transmitiam era com eles, os homens das transmissões carregados com o racal ou o banana que queríamos ter sempre por perto, pois ao mais pequeno ou grande problema era através dos rádios que pedíamos ou recebíamos apoio ou dávamos ordens.
Fosse em colunas, operações no mato, no serviço de quartel um rádio estava sempre connosco e de tempos em tempos lá vinha a chamada para a central, onde em geral pontificava na sua sapiência o foxtrot Silva, o especialista e que de há uns anos a esta parte desapareceu, não em combate, mas dos nossos convívios.

Amigos, da nossa passagem por Madina muito ficou de bom e dentro dessas coisas boas foi o pessoal das transmissões, incluindo os operadores criptos, porque foi no DAR, RECEBER, CONTAR SEGREDOS, PERGUNTAR, CONVIDAR que se fez a amizade que perdura até hoje, por tudo o nosso obrigado e até sempre, ou melhor, um ALFA BRAVO.

Eis os nossos homens hoje recordados:

- Furriel José Manuel Ferreira da Silva – chefe do serviço

Operadores Criptos

- 1º Cabo Manuel Augusto Bernardo Leite - incontactável (alguém sabe dele?)
- 1º Cabo Vítor Manuel Borrega M. Santos

Transmissões Infantaria

- 1º Cabo Albino Machado Ferreira - incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado Eugénio Ferreira Pinto de Moura
- Soldado Joaquim Delfim Lopes Azevedo
- Soldado Jorge Fernando Monte Saldanha
- Soldado Manuel Virgílio de Oliveira Lima – já falecido
- Soldado Luís Santa Cruz Azevedo
- Soldado Manuel Rocha Pereira - incontactável (alguém sabe dele?)

do foxtrot Monteiro (manhiça)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

CONVÍVIO DE "OS ABUTRES DE CABUCA"

Do ex.alf.mil. Barbosa recebi um e-mail, a pedir se podíamos divulgar no nosso blog o próximo convívio da 2ª.cart/bart6523 e que se vai realizar no próximo dia 12 de Maio no Restaurante Litoral, que fica na antiga nacional nº1 em Matos de Ranha, Vermoil, no POMBAL. Pede ainda que as reservas têm de ser efectuadas até ao dia 15 de Abril pelos telfs. 963 346 544 ou 914 922 643. Camarigos de Cabuca compareçam, pois é sempre uma alegria rever os companheiros que juntos palmilharam terras tão inóspitas, mas inesquecíveis e tenham presente que para nós antigos combatentes a AMIZADE É MAIS DO QUE UM SENTIMENTO. Um abraço e amigo Barbosa dispõe sempre do nosso (também teu) blog. Monteiro.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CARNAVAL

DIA DE CARNAVAL - 26 de Fevereiro de 1974

Camarigos, lá como cá, mesmo com saudades, as festas pagãs ou religiosas, eram comemoradas, com mais ou menos exuberância, e de tais factos aqui postamos uma foto de um desses raros momentos de alegria, convívio e descontração, onde na foto, do acervo do furriel Costa, ao qual agradecemos, se vê três "matrafonas" a comemorarem o Carnaval de 74, numa das principais praças de Madina Mandinga. Penso que havia mais matrafonas a passearem por lá, mas para a posteridade ficou esta.É maravilhosa a força da alegria, porque mesmo no infortúnio a sua resistência excede tudo o que se pode imaginar e na altura, era a força dos 20 e "tínhamos sempre presente que por essa altura não tínhamos idade, tínhamos Vida".

Gozem e vivam o Carnaval, com alegria e paixão "mesmo sem tolerância de passos".
É Carnaval e ninguém leva a mal. Um abraço Monteiro (Manhiça)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

HISTÓRIA - CONDUTORES E MECÂNICOS

"A HISTÓRIA SÓ É ESCRITA PELOS VENCEDORES"
Camarigos, é uma realidade que a nossa vida é feita de encontros e desencontros, de amores e desamores, felicidade e infelicidade, mas acima de tudo o que conta, é o tempo dessas vivências, que não é mais do que o espaço entre as nossas recordações. E disso hoje vamos falar e prestar uma justa homenagem a um punhado de homens de quem pouca gente fala e dá o devido valor aos serviços por eles efectuados, pois sem eles o que teria sido as nossas vidas por terras africanas. Estou a falar dos CONDUTORES AUTO RODAS (assim era denominada o nome da especialidade) e os MECÂNICOS AUTO que integraram a 1ª CART/BART 6523, os conhecidos LEÕES DE MADINA MANDINGA.

Há sempre a tendência de se falar e escrever de feitos e loas que as pessoas fizeram, é verdade, há verdadeiros heróis, que num dado momento e perante situações perigosas, conseguiram fazer coisas destemidas e das quais muitos lhe ficaram eternamente gratos, mas também há aqueles que pela sua especialidade, fizeram com que a guerra fosse um pouco suavizada com o seu empenho, generosidade, coragem.
Em cada coluna que se fazia, os rapazes da mecânica tinham sempre, com muito engenho e disponibilidade, as viaturas operacionais (as berliets e os unimogs) e os "rodinhas" lá nos levavam ora para as colunas de reabastecimento, ora para fazer Psico junto das populações percorrendo as várias tabancas, ora para comprar barras de gelo e levantar o correio em Nova Lamego. Por eles as noticias não nos faltavam e todos sabemos que se o corpo precisa de alimento, também a mente necessita de palavras de conforto e carinho para que o tempo e as saudades não batessem tão fortes.

Recordando uma coluna efectuada no dia 25 de Novembro de 1973, um Domingo, logo pela manhã (6 horas) saímos dois grupos de combate auto transportados, fazendo psico por várias tabancas da nossa área, por caminhos "picadas" difíceis e enlameados, estávamos ainda na época da chuva, uma das berliets ficou enterrada, tendo sido rebocada por outra e também com a ajuda de muita força muscular daquela juventude cheia de garra, conseguimos libertá-la daquele lamaçal, graças também à perspicácia dos bravos motoristas. Esta cena só originou um atraso de 2 horas pois tínhamos a chegada ao quartel prevista para o meio-dia e só cruzamos o arame farpado pelas 2 horas da tarde, tendo o almoço sido serviço já fora de horas.

Queremos deixar a todos os condutores que passaram pelo "Rebenta Minas", o nosso muito obrigado pela vossa coragem e valentia. Recordamos que o "rebenta minas" era uma berliet (a da imagem à esquerda) que abria a picada, normalmente só com o condutor e que na cabine transportava uma série de sacos de areia para fazer peso e assim suavizar os danos em caso de accionamento de alguma mina anti-carro.

Em tudo na vida há sempre historietas e não posso deixar de vos contar um episódio que fazendo parte da nossa história, é um facto verídico e que se vê o quanto marcou a nossa passagem por Madina. O protagonista deste feito é o nosso companheiro "rodinhas" o Coelho, natural de Viseu e que há uns tempos atrás se encontrou connosco num almoço e, palavra puxa palavra, diz ele que tem um amuleto desde os tempos da Guiné que não o vende por dinheiro algum. Ficamos interessados em saber que objecto de tanta estimação era esse, então diz ele que tem, desde que abandonamos Madina, uma "Chave Mestra" da ignição das Berliett e da qual postamos uma cópia para ser apreciada e recordada. Fiquei maravilhado com tal objecto, pois desconhecia que existia uma chave mestra para as viaturas.

Por isto se vê o quanto nos marcou a nossa vivência e o que me dá mais tristeza é que só comecemos a reparar que estamos a envelhecer, quando nos começarmos a lamentar em vez de sonharmos. Por isto tudo Camarigo, vamos sonhar, vamos viver, vamos recordar e contar histórias para que os vindouros sintam orgulho por aquilo que fizemos, pois o maior legado que lhes podemos deixar, é o exemplo das nossas vidas e o que passamos na nossa juventude é um bom exemplo de vida, de cidadania, de fraternidade, irmandade e camaradagem.

Eis os nossos homens recordados com todo o carinho neste artigo:

- Furriel Lázaro Martins Loureiro – chefe do serviço ( já falecido)

Mecânicos Auto

- 1º Cabo Domingos Manuel Paula Marçal
- Soldado Licínio Rosa Tomé – incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado António José Reis Caetano

Condutores Auto Rodas

- 1º Cabo Manuel Ribeiro Aparício – o farturas (já falecido)
- 1º Cabo Armando Fernandes Alves Sousa – monitor condutor
- Soldado Adelino Lopes Sentieiro
- Soldado José Ferreira Coelho
- Soldado António Maria da Silva Araújo – incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado Artur Pereira
- Soldado Abílio de Matos Freitas
- Soldado António Raul Pinto Silvano – já falecido
- Soldado Francisco Fernandes Benites
- Soldado Domingos de Sousa – já falecido
- Soldado Adelino Machado Coelho
- Soldado Marcolino do Nascimento Vila – incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado João Meireles Fraga – já falecido
- Soldado Manuel Ferreira da Silva
- Soldado Bona Baldé

Por tudo, bem hajam e um forte abraço: Monteiro (Manhiça)

domingo, 15 de janeiro de 2012

SAUDADE

Sim, eu sei que tiveram saudades minhas, mas como tudo que é Bom tem de ser doseado, eu também estou nessa fase de dar de mim só um pouco (brincadeira). Vamos brevemente começar com as nossas histórias, com as nossas narrativas, para que possamos distrair-nos e recordar, pois recordar alimenta o espírito e acalma o coração.
Camarigo de Madina, acredita que ao escrever no nosso Blog e saber que amanhã ou talvez algum dia o meu escrito será lido (vaidade minha) pelo meu companheiro, meu camarada, meu irmão, fico feliz, porque se "SER FELIZ, É FAZER DE CADA MINUTO UM MOMENTO ESPECIAL", então companheiro, sempre que escrevo posso gritar que sou feliz e partilho convosco a minha felicidade, o meu orgulho e porque não, a minha vaidade por fazer parte de tão forte família, a FAMÍLIA DE MADINA.
Camarigo de Madina, neste inicio de ano que ora começou, venho pedir a Deus que ponha todos os ingredientes necessários para que cada dia do novo ano se torne mais colorido e feliz.
Um forte abraço, Monteiro ( Manhiça ).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MOMENTO DE RISO - UM APANHADO EM HISTÓRIA

Olá amigos;
Num determinado dia, na parada do aquartelamento em Madina Mandiga, apareceu algo de inovador, uma motorizada Kawasaky, muito pequena, que achei muita piada. Ainda estou por saber como é que a moto lá apareceu, mas a minha curiosidade era grande e tentadora de me sentar nela e dar um pequeno passeio local. Não me lembro do pedido de autorização, sei que me sentei naquela máquina todo entusiasmado. Quando a coloco a trabalhar, desconhecia que a aceleração era muito sensível, e para surpresa quando rodo a manete direita, a motorizada larga-se, e fico de pé aos gritos, com ela pendurada. Lá me acudiram para a desligar. Depois de alguma acalmia e de coração a sair pela boca, lá respirei de alívio com aquela cena.
Depois comecei a pensar a sério e a ver a minha entrada com uma velocidade excessível, que me podia levar a entrar pela cozinha dentro. Já não voltei a usá-la embora a tentação continuava no meu íntimo. Mas hoje, continuo a contar esta cena.
Alguém se lembra desta motorizada em Madina Mandinga e deste episódio? Como é que ela lá apareceu? A quem pertenceria? Quem tiver alguma dica pode comentar a notícia. O amigo José Gaipo

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

FELIZ ANO 2012

[esta estrada Nova Lamego-Pitche, que tantas vezes percorremos em estado de alerta, nos conduza a um futuro mais risonho]


Para os amigos que eu escolhi, por isso sois a minha família "a Família de Madina", digo-vos que o tempo (um ano), não é mais do que o espaço entre as nossas recordações e crê Camarigo que só há uma coisa que torna o sonho impossível, é o medo de fracassar.
Por isso, este ano novo espera o melhor, prepara-te para o pior e aproveita o que vier. Eu "VOU PEDIR A DEUS QUE ILUMINE O TEU CAMINHO TODOS OS DIAS DO ANO QUE ORA VEM".
Saúde e alegria, um forte abraço da comissão da 1ª. CART/BART 6523.

Um bom ano de 2012

sábado, 24 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE NATAL DO CAPITÃO - 2011

Camarigos de Madina, por meu intermédio, o capitão Zé Luís quer passar uma mensagem de Natal a toda a família de Madina, porque o seu PC "deu o berro" (é o que de mal tem estas máquinas).

Diz o nosso chefe amigo: Companheiros e amigos de Madina, desejo-vos um Santo e feliz Natal, extensivos aos vossos familiares e peço a DEUS que ilumine os vossos caminhos. Tenho-vos sempre mas sempre no meu pensamento e quero deixar uma palavra de esperança para todos vós para que possamos passar muitos Natais em franca e sincera amizade e os passemos na Santa Paz do Senhor.
Um forte abraço para toda a FAMÍLIA DE MADINA, os "LEÕES DE MADINA MANDINGA" do ZÉ LUÍS.

sábado, 17 de dezembro de 2011

SANTO E FELIZ NATAL

[Mosteiro da serra do Pilar, Gaia, anexo ao quartel onde está o nosso espólio vindo do Quartel de Penafiel que foi extinto]

Camarigos de Madina, sei que não serei lido por muitos de vós, ou seja tantos quanto eu gostaria que fossem para que a minha mensagem NATALÍCIA vos transmitisse o quanto me sinto feliz por poder comemorar esta festa do Nascimento de JESUS, em vossa companhia e saber que a amizade que nos une é eterna.
Camarigos, faço votos para que este Natal seja pontilhado de bons e felizes momentos e que o AMOR DE DEUS te abençoe e há tua família, porque amigo LEÃO DE MADINA, viver é a arte de sorrir quando a vida nos diz NÃO e acredita que HÁ NOITE SE CHORARES PELO SOL, NÃO VERÁS A BELEZA DAS ESTRELAS, acredita companheiro que ser feliz é fazer de cada minuto um momento especial e neste NATAL, TENTA SER E FAZER FELIZ TODOS OS QUE TE RODEIAM.
Renovo os votos de um SANTO E FELIZ NATAL, Monteiro (Manhiça)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO GRUPO

Desde os tempos imemoriais do Homo Sapiens até aos nossos dias que a reunião, o acasalamento, a amizade, a comunidade, enfim todas as manifestações de socialização se fizeram para que os povos vivessem em paz e concórdia.

Bem, camarigos de Madina, tudo isto a propósito da pouca aderência, leitura, comentário, enfim o retorno, bom ou mau, do que tem sido o nosso trabalho no BLOG para divulgação e intercâmbio de situações e vivências por lá vividas e que para muitos estão escondidas no mais profundo das suas memórias e que ao lerem situações contadas e vividas por outros camarigos, se vão libertando dos pequenos traumas que ainda os possam marcar.
Camarigo de Madina, "LEÃO DE MADINA MANDINGA", tem presente que és membro de um grupo e que fazes parte da chama que arde nesse grupo e que, tu longe dessa mesma chama, perdes calor e brilho. Por isso não te afastes, junta-te a nós e conta-nos algo de ti, para que o calor te invada novamente e o brilho volte à tua pessoa.
O que para alguns foi uma quimera o nosso blog, hoje ele caminha para a emancipação, porque ele é feito de e para Homens que pensam e sabem que o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos, e nós acreditámos.
Para todos um forte abraço e participa, envia contos e fotos para nós narrarmos as vossas aventuras e desventuras. Monteiro (Manhiça)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A 1ª MINA ANTI-CARRO NA PICADA

Socorrendo-me do diário de guerra do nosso camarigo FurMil Costa e do acervo fotográfico do FurMil Patrício "Pastilhas" que nos prendou com este conjunto de fotos, vou tentar, não só descrever mas também fazer toda a sequência fotográfica do "Modus Operandi" dos procedimentos e precauções que envolveram o levantamento da 1ª. mina e que foi realizada, com sucesso, pelo nosso homem FurMil Gaipo, habilitado com o curso de Minas e Armadilhas. Esta mina foi detectada, em 17/09/1973, pelos "picadores" da secção do FurMil Madrugo quando procediam à picagem do caminho entre o quartel e a estrada de alcatrão, já bem próximo do cruzamento da estrada Nova Lamego-Pitche. O engenho explosivo terá sido ali colocado na altura do 1º ataque ao quartel de Madina, na noite de 14 de Setembro de 1973, pelas 22,30 horas.
Foi um ataque feroz e forte perpetrado pelas forças inimigas do PAIGC e que foi o nosso baptismo de fogo. Felizmente não houve consequências de monta para as nossas forças, apenas alguns danos materiais e muito stress.
No local onde se encontrava o engenho foram dadas todas as ordens aos 2 pelotões que participavam nesta operação, tendo sido montado um círculo de segurança num raio de 30 metros. A comandar toda esta operação estava o Alferes Teixeira, como se pode ver pelas imagens (1º e 2º passo).

pelotão segurança aos picadores que vão à frente||1ºs procedimentos para levantar a mina-1º passo

desvio de toda a terra envolvente à mina - 2º passo|| o Gaipo concentrado no trabalho - 3º passo

o caixote já se torna visível - 4º passo|| últimos preparativos para a retirar - 5º passo)

o Furriel Gaipo está muito confiante - 6º passo|| anulado o efeito da mina poder explodir - 7º passo

mina pronta a ser retirada do buraco - 8º passo|| o troféu pronto a ser transportado para o quartel - 9º passo

Como é visível nas fotos, o Gaipo teve o seu momento de heroísmo, pois como os "artistas" de minas e armadilhas, diziam eles, só se enganavam duas vezes - era a primeira e a última. O nosso Zé Gaipo, olhou, suou, mexeu, desviou a areia com a colher de pedreiro, meteu a faca de mato para ver se não havia nada engatilhado, limpou tudo muito bem e com uma corda de sisal, de cerca de 30 metros, amarrou-a a uma das alças que servia de transporte, e com o devido cuidado, passou a corda sobre a caixa, e por detrás de uma árvore, puxou a corda, esperando qualquer retardamento na explosão, e passados 10 minutos, foi observar o desvio da mesma. Vendo esta, reparou que o detonador estava solto e não oferecendo qualquer perigo, procedeu ao levamento da mina para alívio de todos.
Neutralizada a dita mina, foi recolhida qual troféu que recompensa os heróis por grandes feitos, mas que faria grandes estragos se fosse activada por qualquer viatura com consequências gravíssimas para as nossas tropas.
Já no quartel, a mina foi observada ao pormenor, isto é, foi pesada (cerca de 15 Kgs) e medido o detonador (cerca de 12cm por 1 de diâmetro), sendo posteriormente elaborado o respectivo relatório para os efeitos convenientes.
Para o Gaipo vai o nosso agradecimento de toda a família de Madina por este acto de bravura.
Um bem hajas e um forte abraço, Monteiro (Manhiça)

Nota: recordamos que na nossa permanência em terras da Guiné ainda tivemos uma outra mina, precisamente no mesmo local onde tinha sido colocada a 1ª e também após o 2º ataque ao quartel, em 06/12/1973, tendo igualmente sido levantada pelo Furriel Gaipo sem incidentes.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

APANHADO PARA O "REBANHO"

Amigos e camaradas de Madina, há momentos em que a vida nos sorri e diz: hoje vou dar-te uma alegria, compensar-te de todos os teus esforços, arrelias e esperanças, sim porque a "ESPERANÇA É UMA ÁRVORE QUE SE BALANÇA DOCEMENTE AO SOPRO DAS ILUSÕES" e eu tenho ilusões que se tornam realidade.


Tudo isto, porque ao lançarmos o nosso blog, havia a esperança de encontrar alguém dos nossos amigos que nunca tivessem dado sinal de vida e, assim foi, deu frutos o nosso empenho. O nosso colega Pereira, 1º cabo da equipa de dilagramas do 3º pelotão, que por circunstâncias da vida emigrou há muitos anos para o Luxemburgo e por lá constituiu família, andando pele net deu com o nosso blog e como bom Leão de Madina, logo tratou de fazer um contacto com o nosso amigo Costa para na primeira oportunidade fazermos um encontro.


Assim foi no domingo, dia 20 de Novembro 2011, lá nos encontramos em Cinfães, o Pereira, Costa, Monteiro, Pastilhas, o padeiro Sousa e o Coelho condutor morador em Viseu. Foram umas horas de amena cavaqueira e convívio, recordando peripécias que então se passaram e que para alguns de nós eram novidades e que em tempo oportuno lhes daremos o tratamento adequado para serem glosados e recordados por todos os companheiros de Madina.



Camarigos de Madina, é sempre com emoção e saudade, mas também com certa vaidade que vemos que aquilo a que nos propusemos, o encontrar aqueles que nunca estiveram connosco, fosse qual o motivo que fosse, tem dado resultados e por isso dá-nos alento para continuar e pensar que "VIVER SEM AMIGOS NÃO É VIVER" e que nós Leões de Madina cultivamos a AMIZADE, pois para nós um dos maiores consolos desta vida é ter amigos e nós TEMO-LOS.
Um forte abraço, Monteiro (Manhiça)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

AO NOSSO CAPITÃO E SEUS ALFERES

Camarigos de Madina, existem momentos das nossas vidas de "VELHOS COMBATENTES" em que vamos ao fundo do baú das nossas recordações e damos inicio ao filme de toda uma vivência, que de tão intensa e real, que por vezes pensamos ter sido fugaz e ocasional, mas analisando bem, reparamos com toda a certeza que há pessoas que se cruzaram nas nossas vidas e que não é por acaso que ainda lá permanecem e continuarão para sempre.
Depois de fisicamente ficarem as recordações do que foi principalmente o motivo e consequências dessa vivência, damos por nós a vasculharmos nesse filme o que de bom se passou, pois as coisas boas são sempre mais céleres a surgirem à nossa mente, e uma delas que recordamos foi e é ter tido como comandante da nossa 1ª Companhia o Zé Luis.
Como compreenderão, quando se fala de um amigo, podemos ser acusados de dizer loas e mentiras das pessoas de quem falamos, mas do Capitão não porque era, é e será um homem de bem que desde a 1ª hora que nos conhecemos em Penafiel, ficou patente que para ele a " AMIZADE QUE SE DISPÔS A DAR-NOS, ERA MAIS DO QUE UM SIMPLES SENTIMENTO".

Quem de nós não se lembra com carinho e orgulho o "miminho" que ele tinha ao pessoal do bi-grupo que regressava ao quartel depois de ter feito uma operação, lá para as bandas de Batanklim, Paunto, Camidina, Iromaro, etc.. a recebermos e a dar as boas vindas lá estava o nosso Capitão enquanto que era distribuído a todos os combatentes uma sande de chouriço e uma cerveja fresquinha. Este gesto simpático e muito humano era do agrado de todos. Aliás, convém lembrar que este "lanche" era pago com o seu próprio dinheiro.
(Capitão Zé Luís e o Alferes Teixeira)

Com o Zé Luís (Capitão), criámos um corpo de amizade e união assim como com os seus subalternos os Alf.Mil. Mendonça, Teixeira, Baptista, Barbosa e o já falecido Monteiro, que após estes anos todos ainda perduram e como dizemos "amigos são como uma família cujos indivíduos os escolhemos à vontade e ele Escolheu-nos". Obrigado pela deferência Capitão.


(Alferes Mendonça de chapéu vermelho e na foto da direita o Alferes Baptista)

Um dos episódios que ficou na retina em todos os que a sentiram e presenciaram, foi a despedida no aeroporto de Bissau aquando do nosso regresso (o Capitão teve que ficar mais uns dias na Guiné), assim como na chegada ao Aeroporto de Lisboa onde estava à nossa espera o seu irmão que fez a entrega, a cada um de nós, de uma camisola - tinha que ser verde - e um cinzeiro com o símbolo da companhia "OS LEÕES DE MADINA MANDINGA".




(cinzeiro e t-shirt religiosamente guardada pelo Fur. Monteiro)







Para que existisse toda esta empatia no nosso grupo, muito contribuiu a nossa postura, maneira de ser e estar, pois nunca lhe foram colocados grandes problemas, tanto disciplinares como de convivência e é por isso que todos os anos nos nossos convívios olhamos os rostos dos nossos companheiros e amigos de Madina e vemos nos seus olhares aquela CHAMA que sempre nos acompanhou e que ainda hoje se mantém e que nos diz que nós - LEÕES DE MADINA MANDINGA NÃO TEMOS IDADE, TEMOS VIDA.
Camarigos, este é o maior tributo que podemos dar ao nosso líder e comandante

- Capitão Milº. José Luís Borges Rodrigues (eng.)
e também aos seus oficiais subalternos
- Alferes Milº. Alexandre Elvio Leme Mendonça - Adjunto e Comandante 1º. Pelotão
- Alferes Milº. Carlos A. Milheiro Folgado Teixeira (dr.) - Comandante 3º. Pelotão
- Alferes Milº. Carlos Florival Geraldo Monteiro (falecido) - Comandante 4º. Pelotão
- Alferes Milº. Miguel Lopes Baptista (rendição individual) - Comandante 2º. Pelotão
- Alferes Milº. António Manuel Silva Barbosa (em reforço)

porque: A VIDA SÓ PODE SER COMPREENDIDA, OLHANDO-SE PARA TRÁS; MAS SÓ PODE SER VIVIDA OLHANDO-SE PARA A FRENTE.
Por tudo um bem haja e do coração um forte abraço de todos os seus 108 soldados, 39 1ºs. cabos, 14 furriéis, 2 sargentos, 5 alferes que formamos a 1ª Companhia e de que todos nos orgulhamos. Um aplauso unânime de todos nós.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ENSAIO MUSICAL ........ e não só

Camarigos de Madina, olá, como podem e devem ler cá estou, mais uma vez, a alinhavar umas palavras para passar a esta máquina infernal que é o computador, uma das muitas histórias que por terras de África passamos e que mais tarde servirá para que os vindouros façam história, e que para nós vai sendo um meio de irmos mantendo a amizade que sempre nos uniu.



A de hoje tem uma parte com três elementos que faziam e fazem parte da "chicalhada", o Gaipo, o Rafael e o Costa. Atentem na foto, o ensaio é para valer, a cantilena está a sair com toda a energia, vê-se na cara de felicidade do maestro Gaipo, ao contrário das cantorias da "Messe", pois eu (Monteiro), o Fernando e o Silva, só desafinávamos, não sabíamos cantar e então era certo e sabido que o Gaipo a meio da sinfonia parava e dizia na sua voz arrastada de açoriano: "quém sabê cantár cantá, quem não sabê nâ cantá", nós não nos calávamos e fazíamos um alarido ainda pior. Ainda vou saber para que era a imitação do microfone, certamente o Costa ainda teria pretensões a ser cantor, quiçá um grande tenor, (haja paciência). Reparem na arrumação imaculada do quarto destes indivíduos, não sei como conseguiam.


Nesta foto também se vê o quarto, do Baga-Baga e do Lázaro, todo bem arranjadinho e limpinho, só que ainda pairavam no ar as partículas do álcool etílico que saiam daquelas cabeças, como se prova da quantidade e variedade de garrafas na mesa. Como sempre tem de haver um maestro e nesta área o Pastilhas, que à época já era dr. na matéria, estava bem secundado pelo Costa e o falecido Lázaro que até nem era dado a estas situações mas lá foi apanhado e embarcou nesta aventura.

Eram passados assim grande parte dos nossos dias e noites em Madina (só para alguns), pois para outros tal como eu e o Madrugo, não tínhamos tempo para estas situações, tais eram tantas as solicitações desde: patrulhas, colunas, lenhas, seguranças, etc. (mentira), pois nós éramos dos piores.
Bem, por agora chega gostei de escrever sobre os meus amigos, pois é sempre bom nós recordarmos, porque as "RECORDAÇÕES SÃO AS MEMÓRIAS DO NOSSO CORAÇÃO", e temos de ter em atenção que A VIDA SÓ PODE SER COMPREENDIDA OLHANDO-SE PARA TRÁS, MAS SÓ PODE SER VIVIDA SE OLHARMOS PARA A FRENTE. Um forte abraço Monteiro (Manhiça)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DIA DE TODOS OS SANTOS

(Igreja de Nova Lamego - Guiné. Aqui foi celebrada missa de corpo presente, em 29/06/1974, pelo nosso amigo Januário Vilaça Ferreira, do 4º Pelotão, morto em acidente de viação)

É neste dia que mais dedicamos as nossas lembranças e orações aos nossos ente queridos e conhecidos (AMIGOS DE MADINA) que já partiram desta vida. Deles guardamos o que de melhor nos deixaram, pois como em tudo na vida; O TEMPO VAI, SÓ NÃO LEVA O QUE A MENTE GUARDA, PORQUE VAMOS LEMBRAR OS VOSSOS SORRISOS PARA SEMPRE.
Camarigos, neste dia em que é tradição depor flores nas Lajes onde repousam os restos mortais dos nossos familiares e amigos (camarigos já falecidos), lembremo-nos que as flores simbolizam; A BELEZA E A CONTINUIDADE, PORQUE AS FLORES TAL COMO AS PESSOAS, MORREM, MAS DEIXAM SEMENTES PARA OUTRAS FLORES VIVEREM, ASSIM TAMBÉM OS QUE JÁ PARTIRAM DEIXARAM OS SEUS DESCENDENTES PARA DAR CONTINUIDADE À VIDA.
Para todos os Camarigos de Madina e familiares dos já falecidos, um forte abraço de condolências e lembrem-se que; VIVER É A ARTE DE SORRIR QUANDO A VIDA NOS DIZ NÃO.

Um abraço, Monteiro (Manhiça)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

JARCA "o vendedor de vacas"

"SE NÃO PUDERES DESTACAR-TE PELO TALENTO, VENCE PELO ESFORÇO"

E assim foi, Jarca, o negro vendedor de vacas, sempre vestido de túnica branca e gorro, que de dois em dois dias ia a Madina vender uma vaca para alimentação de toda a 1ª Cart.






(Jarca junto da cantina e o Artur Zé Gato de joelhos)








Era todo um ritual na morte do animal, pois começava por amarrar a vaca a uma árvore que existia no centro da parada, virava-se a cabeça do animal (o que era feito sempre por um ou mais soldados dos mais fortes) para Meca, agarravam-na pelos cornos e então era degolada. De seguida era esquartejada, os miúdos eram vendidos aos soldados para fazerem umas patuscadas e a restante carne era para ser comida nos dias seguintes, cuja ementa não saía sempre dos mesmos pratos: bife com arroz, carne estufada com arroz, carne com batatas (quando as havia), virava-se o disco e era sempre a mesma coisa, mas pelo menos havia carne.
Penso que era uma despesa para a companhia que ficava por 2 contos de réis (pesos) o que já era uma quantia avultada para a época.

O Jarca era o fornecedor oficial, era um homem com posses, já tinha uma manada com umas dezenas de cabeças. Também era dono de uma bicicleta muito famosa pois toda a malta gostava de dar uma volta nela.
(foto da dita bicicleta com o Sousa padeiro)

Possuía também um rebanho de cabras que de quando em vez, lá desaparecia uma, por motivos um pouco estranhos à sã convivência e praticada por amigos do alheio que gostavam de fazer umas patuscadas de cabrito e para a qual muitas das vezes convidavam o próprio Capitão, que no outro dia já tinha à porta do gabinete o Jarca a dizer que lhe faltava um cabrito e que tinha sido o pessoal branco (tropa).
Justiça lhe seja feita nunca disse que lhe faltava sem ser verdade, por ser um homem honesto, logo a companhia pagava o dito cabrito que serviu para a farra.
O Jarca era uma figura que de certeza jogava em ambos os campos, pois ele andava com todo o à vontade por qualquer lado e sempre sem problemas.

Camarigos aqui vos deixo mais um naco da nossa vivência por terras da Guiné e será um contributo para que UM POVO QUE NÃO CONHECE A SUA HISTÓRIA, NÃO PODE COMPREENDER O PRESENTE NEM CONSTRUIR O FUTURO.
Um forte abraço, Monteiro ( Manhiça )

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

OBRIGADO SARA

"HOJE MELHOR QUE ONTEM - AMANHÃ MELHOR QUE HOJE"

Camarigos de Madina, foi na passada quarta-feira dia 26 de Outubro, que nós, (Monteiro e Costa), editores do Blog de Madina, tivemos a oportunidade de agradecer à Sara, filha do Freitas Enfermeiro, em representação de toda a família de Madina Mandinga e oferecer-lhe uma pequena lembrança por ela ter dado início a este nosso veículo de informação e entretimento que é o nosso Blog de Madina. Esta nossa janela aberta permite ainda mais cimentarmos o espírito de amizade que sempre nos norteou e também escrevermos nacos de uma parte da história que nós vivemos, postando fotos que nos trazem à recordação o que foi a nossa vivência durante 14 meses em terras de África. Por isso continuamos a solicitar o contributo de todos os madinas e familiares para o enriquecimento deste espaço de saudade.
Nesta fase da vida em que nós combatemos a solidão da melhor forma que podemos e sabemos e se é verdade que ela, "A SOLIDÃO" É UM PRAZER QUANDO É UMA ESCOLHA, MAS TORNA-SE UM TORMENTO QUANDO NOS É IMPOSTA, este é mais um meio para a combatermos e entendermos que na VERDADEIRA AMIZADE, UM IRMÃO PODE NÃO SER UM AMIGO, MAS UM AMIGO SERÁ SEMPRE UM IRMÃO (Benjamim Franklin).
Renovamos os nossos agradecimentos e tem presente Sara que com o teu gesto, abriste-nos a porta do conhecimento e fez-nos ver que "O FUTURO PERTENCE ÀQUELES QUE ACREDITAM NA BELEZA DOS SEUS SONHOS" e nós, Camarigos de Madina, ACREDITAMOS.
Obrigado em nome de toda a Companhia .

domingo, 23 de outubro de 2011

ACTIVIDADES DIÁRIAS NO QUARTEL

Camarigos de Madina, hoje venho falar e postar umas fotos de situações que mesmo em plena selva e na guerra não ficavam esquecidas nem abandalhadas, tais como: o hastear da bandeira, a formatura para receber o pré ou pagar, como era o caso de quase todos os furriéis, o serviço diário ao quartel que era assegurado por um pelotão.
O pelotão que diariamente estava de serviço tinha várias tarefas ao longo do dia e noite. Às 09H00 uma secção, fardada e armada a rigor, enquadrada por um 1ºcabo e assistida por um furriel, procedia ao hastear da Bandeira Nacional e ao pôr do sol era arriada com todas as honras militares.









(formatura do içar da bandeira e pedestal da Bandeira Nacional)









O trabalho ia-se desenvolvendo ao longo do dia fazendo a limpeza às instalações com a recolha e transporte do lixo. Na cozinha também era solicitada ajuda e com todo o gosto se descascavam as batatas, quando havia.
Outro dos deveres do pelotão de serviço era ir à procura de lenha para fazer a comida e aquecer o forno do padeiro.

( secção preparada para o abate dos arbustos)

A lenha era serrada com um serrote, já sem dentes e cortada com um machado que já só cortava "sombra das paredes". O transporte era feito por um unimog com atrelado.





( furriel Monteiro - manhiça - na selva e sem medo a ver cortar a lenha)







Há noite o pelotão de serviço, tinha de dormir na escola que ficava dentro do perímetro do quartel e ali montar postos de vigia toda a noite. De manhã pelas 5/6 horas lá vínhamos para as casernas, com as mantas às costas, mas antes passávamos pelos padeiros e lá nos davam um casqueiro, acabado de sair do forno, que depois de bem barrado com manteiga era comido como um manjar, juntamente com umas boas canecas de café que os cozinheiros nos dispensavam. Ficávamos bem reconfortados e quando fazia frio era bom de mais. Nesta altura não perdíamos vislumbrar o horizonte e assistir ao espectáculo lindíssimo do nascer do sol.

Depois do estômago aconchegado, ou se ia dormir, escrever ou preparar para ir até Nova Lamego dar umas voltas e beber uns copos.
As fotos do içar da Bandeira foram cedidas pelo Sousa (padeiro) a quem agradecemos . Um abraço Monteiro (Manhiça)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

TI BRITO

1º Sargento FERNANDO BRITO, o homem "grande", o homem do "patacão", ele que tudo dominava com engenho e arte. Os seus domínios eram vastos, o homem/militar que ainda hoje, passados quase 40 anos, todos os camarigos de Madina sentem e têm um respeito e carinho imensurável, o 1º Sorja que todos chamam Ti Brito.É verdade que era um homem que muito conhecia da guerra e por isso mesmo, muito lhe devemos.
Sei e penso que não estou a dar novidade alguma ao dizer que ele tinha um carinho especial pelos seus meninos, ou seja os Furriéis Milicianos, ou não tivesse sido ele um de nós. Tudo nos desculpava, fosse no fim de mês a falta de dinheiro para pagar a conta do bar, as garotices que nós qual bando de garotos irresponsáveis por vezes fazíamos, as bebedeiras que eram de caixão à cova, as celebres discussões que nós, os do Porto, tínhamos com ele por causa dos Magnórios, vulgo nêsperas, café-bica para nós cimbalino, enfim na nossa mesa eram sempre jantares de mesa farta e sempre bem regados. Ficaram celebres as colunas que fazíamos a Babadinca, pois aí era comer como um abade, metia sempre camarão, era um manjar.

Ti Brito, ainda hoje recordo com saudades o despertar que você nos dava, aos ocupantes do quarto mais abandalhado que existia na 1ªcart. e que eram Madrugo, Fernando e por mim Monteiro. Era uma bagunça por minha culpa e do Fernando, pois o Madrugo até era mais atinado do que nós dois. Então o mainato o Julio, puto reguila, bom menino, era dos que mais ficava furioso com tanta falta de brio, mas era o quarto onde vinham todos parar, tinha qualquer coisa de especial.
Ti Brito, você com a sua maneira de ser e estar muito contribuiu, para que a amizade que nos une se torne mais forte com o passar dos anos. Consigo Ti Brito, aprendemos que podemos escolher o que queremos semear, "amizade, fraternidade, igualdade, carinho, compaixão, gratidão" mas por isso mesmo, somos obrigados a colher o que semeamos, (que é esta forte amizade).
Para si, um muito obrigado e continue com saúde, tudo de bom na sua vida, Monteiro(Manhiça)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

ZÉ GATO






O Artur, o célebre Zé Gato, cabeça de homem em corpo de menino, o moço que cedo se fez homem, aquele que em noites de calmaria conseguia com a sua boa disposição contagiar toda a malta, mesmo os mais acabrunhados, o Cantineiro que com a sua "ladainha", lá conseguia dar a volta aos mais valentes e furiosos, o homem , qual comandante, os soldados tinham de estar de bem, porque já sabiam que se arrebitassem com o Zé Gato, bebiam cerveja quente e não havia volta a dar, pois era rei e senhor da cantina.
O soldado por quem toda a população indígena tinha respeito, principalmente as lavadeiras, pois ele é que vendia o sabão e se não se dessem bem com ele, quando lá iam; Zé Gato, parti sabon, mim cá tem patacão e minino tem di comer, parti si, Zé Gato manga de bom soldado.
(formigueiro, o chamado baga-baga)

Homem vivido, pois estivera emigrado em França e quando contava histórias de lá e momentos da sua vida de emigrante quase todos bebíamos as suas palavras já que para a maioria de nós a França era uma miragem e as coisas que ele dizia lá haver era de sonhar. Por tudo, este pequeno tributo que nós te prestamos e que tudo seja bom na tua vida. Um abraço Monteiro (Manhiça)