Saudosa e querida mãe, tenho-te no pensamento e estás sempre no meu coração.
Do teu filho, Monteiro (manhiça )
a) Cinema
No início da noite do dia 19/02/1974 tivemos a visita de um Alferes e um Furriel, vindos do QG de Bissau, que nos presentearam com a exibição de dois filmes, ao ar livre. O 1º com o título “Bosallini” e o 2º uma comédia de guerra “Com jeito vai Sargento” realizado em 1958 por Gerald Thomas.
b) Missa
O Sr. Padre Capelão, do sector de Nova Lamego, veio visitar o nosso aquartelamento durante três dias, para também ele, nos dar ânimo e apoio moral e espiritual. No Domingo do dia 23/09/1973 celebrou a missa para todos nós. O altar (uma mesa) foi colocado debaixo de uma cobertura em palha, junto da cantina. Foi nesse pedaço de África que a celebração aconteceu. Toda a rapaziada se vestiu à civil para participar na única missa celebrada em Madina. Nesse Domingo houve festa e comida melhorada.
c) A Chegada
A este quadrado de chão pisado chegámos na tardinha do dia 13/08/1973, auto transportados, com as fardas ainda a cheirar a novo e de olhos bem arregalados e bastante medrosos. Fomos recebidos de braços abertos pela malta velhinha que com câmaras improvisadas de TV, cartazes com frases bonitas e muitos gritos de “piu-piu” davam azo à sua alegria, pois sabiam que passados alguns dias daqui partiriam rumo à Metrópole.
d) Gina
Também nesse quadrado, algures num canto, estava a mascote da nossa companhia. Quem não se lembra da macaca “Gina”, empoleirada num tronco de árvore, à espera duma bananita. Toda a gente gostava de brincar com ela.
A Gina em fotografia
e) Café
E desse quadrado de terra areada e poeirenta havia quem ao Domingo, depois do almoço, partia para tomar café à 5ª REP (café virtual). Era um pequeno percurso fora do arame farpado até à ponte ali próximo. Seria para matar saudades dos passeios domingueiros à tarde, com as nossas famílias e namoradas.
Era neste quadrado que tudo se cruzava. Daqui acedíamos ao gabinete de trabalho do nosso Capitão, sempre de porta aberta para receber. Ao lado os serviços de enfermagem. Num dos topos do quadrado a cozinha, a messe e por ali perto o forno do padeiro. No lado oposto a cantina e algures por ali a casa do Gerador do Machado que, sempre no seu posto, nos dava luz e água. Era neste pedaço de terra que durante o dia toda a azáfama acontecia e que no cair da noite apressadamente percorríamos com o receio de algum disparo vindo do exterior do arame farpado.
Foi assim em redor desse quadrado, onde pernoitávamos e em alerta estávamos, que gastámos algum tempo da nossa juventude mas também com coisas bonitas que ainda hoje recordamos com nostalgia. Todos nos lembramos dos nossos bigodes que quase toda a malta deixou crescer a exemplo do nosso irmão mais velho, o Capitão Zé Luís. b o n s t e m p o s ……..
por antónio costa (dando uma folga ao nosso editor chefe)
Camarigos de Madina, estamos na Páscoa e como tal, quero expressar a minha alegria por mais uma época festiva que comungo com a minha família e os meus familiares de Madina, companheiros de tantas alegrias e angustias.Operadores Criptos
- 1º Cabo Manuel Augusto Bernardo Leite - incontactável (alguém sabe dele?)
- 1º Cabo Vítor Manuel Borrega M. Santos
Transmissões Infantaria
- 1º Cabo Albino Machado Ferreira - incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado Eugénio Ferreira Pinto de Moura
- Soldado Joaquim Delfim Lopes Azevedo
- Soldado Jorge Fernando Monte Saldanha
- Soldado Manuel Virgílio de Oliveira Lima – já falecido
- Soldado Luís Santa Cruz Azevedo
- Soldado Manuel Rocha Pereira - incontactável (alguém sabe dele?)
Por isto se vê o quanto nos marcou a nossa vivência e o que me dá mais tristeza é que só comecemos a reparar que estamos a envelhecer, quando nos começarmos a lamentar em vez de sonharmos. Por isto tudo Camarigo, vamos sonhar, vamos viver, vamos recordar e contar histórias para que os vindouros sintam orgulho por aquilo que fizemos, pois o maior legado que lhes podemos deixar, é o exemplo das nossas vidas e o que passamos na nossa juventude é um bom exemplo de vida, de cidadania, de fraternidade, irmandade e camaradagem.









Tudo isto, porque ao lançarmos o nosso blog, havia a esperança de encontrar alguém dos nossos amigos que nunca tivessem dado sinal de vida e, assim foi, deu frutos o nosso empenho. O nosso colega Pereira, 1º cabo da equipa de dilagramas do 3º pelotão, que por circunstâncias da vida emigrou há muitos anos para o Luxemburgo e por lá constituiu família, andando pele net deu com o nosso blog e como bom Leão de Madina, logo tratou de fazer um contacto com o nosso amigo Costa para na primeira oportunidade fazermos um encontro.


(Igreja de Nova Lamego - Guiné. Aqui foi celebrada missa de corpo presente, em 29/06/1974, pelo nosso amigo Januário Vilaça Ferreira, do 4º Pelotão, morto em acidente de viação)
Possuía também um rebanho de cabras que de quando em vez, lá desaparecia uma, por motivos um pouco estranhos à sã convivência e praticada por amigos do alheio que gostavam de fazer umas patuscadas de cabrito e para a qual muitas das vezes convidavam o próprio Capitão, que no outro dia já tinha à porta do gabinete o Jarca a dizer que lhe faltava um cabrito e que tinha sido o pessoal branco (tropa).
O pelotão que diariamente estava de serviço tinha várias tarefas ao longo do dia e noite. Às 09H00 uma secção, fardada e armada a rigor, enquadrada por um 1ºcabo e assistida por um furriel, procedia ao hastear da Bandeira Nacional e ao pôr do sol era arriada com todas as honras militares.
