terça-feira, 11 de dezembro de 2012

SANTO E FELIZ NATAL - 2012

Camarigos e família de Madina, quero expressar a minha alegria e dizer-vos o quanto vos estou grato, por ter a sorte e o privilégio de desfrutar convosco mais uma festa natalícia.
Tenho a certeza que a nossa amizade é, como as estrelas, mesmo à distância brilha e se fortalece. Camarigos - amigos como vocês são difíceis de encontrar, mas acima de tudo são impossíveis de esquecer.

Nestra quadra de Paz peço ao Senhor que, ainda melhor do que todas as prendas, a vossa família esteja de saúde e sinta a felicidade.
Camarigos, tenhamos um momento de recolha e oração por todos os companheiros já falecidos e de certeza que os nossos pensamentos estarão com as famílias enlutadas.
Neste Natal, façamos um pouco de caridade e mesmo do pouco que possamos ter, vamos dar um bocado a quem tem menos do que nós.

Para toda a família de Madina Mandinga BOAS FESTAS NATALÍCIAS

Um abraço Monteiro (Manhiça).

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Início mas não o FIM de Madina Mandinga

por José Luís Borges Rodrigues, ex. Capitão Milº.

Aos meus Leões de Madina Mandinga e a todos aqueles que por lá passaram. 
Volto de novo ao vosso convívio, depois de ler e reler o maravilhoso trabalho do nosso António Costa. 

Como todos os que me conhecem sabem, ainda hoje e felizmente, mantenho a chamada memória de Elefante. Assim, acho que vos devo relembrar, seguindo a cronologia deste Artigo, alguns factos que marcaram a nossa presença.
As razões da sua existência estão muito bem expressas no Artigo, pelo que passo a relembrar o motivo que nos levou a escolher Madina Mandinga como nosso destino: - Modéstia à parte, como era o Capitão com melhor classificação, (por isso somos a 1.ª Cart), tive o direito de escolha e, como também sabem que sempre fiz, achei por bem aconselhar-me com o Tio Brito, mais experiente na sua anterior passagem pela Guiné. Optámos por Madina, calculando bem os riscos, por duas razões fundamentais que foram, ainda hoje ao relembrar se vieram a verificar profundamente acertadas, a qualidade das instalações e,  principalmente, a autonomia em termos de vivência e criação de um espírito de grupo que, dando razão aos meus sonhos e desejos mais profundos, se transformou de imediato naquilo que agora ainda se chama e continuará a chamar-se a FAMÍLIA DE MADINA MANDINGA.

Sobre a nossa vivência não me vou alargar muito pois todos os anos, nos nossos Convívios, nos sabe bem relembrar vezes sem conta, repetidamente, os pequenos episódios e as muitas maluqueiras que nos ajudaram a cimentar aquilo que hoje possuímos.
Quero, no entanto, relembrar algumas coisas que fizemos e que acrescentaram um pouco de bem estar à nossa permanência:-
- Houve melhorias noutros quartos e em todas as Instalações;
- 5 furos de captação de água (nunca nos faltou);
- Instalaçao, pelo Quinito, do sistema de electrificação da vedação, com “ Comando à Distância”, que bem nos ajudou no 1.º ataque;
- A criação da Horta do Tio Brito que nos proporcionou legumes frescos provenientes das sementes compradas em Bafatá nas Colunas que, para além disso, também nos aportaram alguns outros benefícios inimagináveis para aquelas paragens, tais como sopas de feijão verde liofilizado, pescada congelada e os frangos que se assavam em metades nos bidons cortados a meio com grelhas de aço e tabuleiros para as batatas apanharem o molho que escorria, proveniente da pasta à moda da Bairrada com que eram untados.

Lembro também com enorme saudade a “edificação” do Café da Ponte onde inevitavelmente íamos parar, principalmente aos Domingos, depois de um grande jogo de futebol. A nossa Companhia ficou imbatível - banho, vestimenta à civil, belo almoço e então sim a peregrinação até tão célebre Café! 

Agora e em relação ao que deixámos, lembro que o projecto era a edificação de 40 tabancas, foi arranjado o espaço, desbastado o terreno, desenhadas as fundações, mas só foi possível completar aquela fase das 16, tendo ainda ocorrido outro episódio relacionado, do qual me lembro como se fosse hoje: - Num certo Domingo foi organizada uma Coluna proveniente de Nova Lamego a qual nos obrigou a um redobrado esforço de segurança pois nela vinham altas individualidades civis e militares com o fim de proceder à entrega das tão célebres Tabancas. 
Chegada a altura da Cerimónia, apresentou-se o representante da D.G.S. com o intuito de ser o próprio a fazer essa distribuição, intenção essa à qual me opus de imediato e, perante o espanto da comitiva lembrei-lhe que seria a nossa Companhia, por meu intermédio, a efectuá-la pois só nós sabíamos quem tinha merecimento pela ajuda prestada. Perguntou-me então o que estaria ele ali a fazer ao que respondi, pura e simplesmente: NADA!. Voltou de imediato para Nova Lamego e já não foi necessária qualquer escolta! 

Outros Tempos! Por tudo isto e por muito mais, a que só os que por lá passaram sabem dar valor, vos digo a todos, desde a C.Caç.2315, passando pela C.Caç.2619 os “BICO CALADO”, pela C.Cav.3406 os “CAVALEIROS DE MADINA” e por nós 1.ªC.A.R.T./ B.A.R.T. 6523 – “LEÕES DE MADINA MANDINGA”, que Madina Mandinga não teve nem nunca terá um Fim, enquanto todos nós e aqueles que de nós descendam saibam perpetuar as suas MEMÓRIAS.
OBRIGADO A TODOS.
O Ex- Capitão Miliciano, José Luís Borges Rodrigues

domingo, 11 de novembro de 2012

o Início e o Fim de Madina Mandinga

por antónio costa
Madina Mandinga tanto quanto pudemos saber, através de relatos de várias pessoas e muitas pesquisas, não existia. Aquele local era uma área relativamente plana, coberta de vegetação tipo savana, com algumas árvores e muito capim. Não havia as tabancas e a população mandinga só veio para esse local pouco antes da nossa Companhia ter chegado. Quais as razões que terão estado na origem de ali se erguer um quartel?
Madina do Boé tinha sido abandonado em fins de Fevereiro de 1969. Com a retirada dos nossos militares desse local ficou uma vasta área sem tropas, pelo que se tornava mais fácil a penetração do IN vindo da Guiné-Conacry. Facilmente atravessavam o Rio Corubal e rapidamente se instalariam por ali, na zona de Batanklim, não muito longe de Nova Lamego (Gabú).
Verificada portanto essa situação e também para assegurar o itinerário Nova Lamego-Piche, sabemos por relatos que as nossas colunas eram constantemente atacadas nesse percurso, julgamos que por essas duas razões foi decidido mandar construir um aquartelamento naquela zona, a que deram o nome de "Madina Mandinga".
Assim, em fins de Abril de 1969 a CCaç 2315, pertencente ao BCaç 2835, iniciou e colaborou na desmatação e construção da picada entre o cruzamento da estrada Nova Lamego-Piche e Madina Mandinga.
Em Agosto desse mesmo ano, iniciaram as obras do Aquartelamento de Madina Mandinga e no final de Outubro de 1969, essa companhia de caçadores (2315) assumiu a responsabilidade dessa zona, tendo-se ali instalado em tendas (as obras estavam praticamente a começar). Estes dados foram fornecidos por um militar dessa companhia de nome Manuel José Moreira de Castro.
Passado um mês, e por ter terminado a comissão na Guiné, essa companhia foi substituída, em 29 de Novembro, pela CCaç 2619, pertencente ao BCaç 2893, que ali permaneceu durante quase dois anos, até Agosto de 1971. 
Podemos dizer que foi esta Companhia (2619) que, ao longo dos dois anos, colaborou e construiu todo o aquartelamento. Os pelotões ficaram instalados em grandes tendas de campanha. Terá sido, sem dúvida, um enorme sacrifício para todos os militares desta companhia a viverem naquelas condições muito precárias.
No sub-menú "MULTIMÉDIA" do nosso blog podemos visualizar um conjunto de slides, gentilmente cedidos por Filipe Nogueira ex. Furriel dessa companhia (2619), os quais evidenciam o decorrer das obras, algumas casernas já erguidas, a abertura das trincheiras, a entrada do aquartelamento, o arame farpado, o futuro campo da bola.
A esta companhia de caçadores  os "bico calado" muito se deve as belas instalações e que nós mais tarde fomos usufruir.
Em 13 de Agosto de 1971, os "Bico Calado" regressou ao Continente e foi rendida pela CCav 3406, pertencente ao BCav 3854, que completaram as obras e ocuparam as instalações na sua totalidade.
Sabemos por indicação de Manuel Gonçalves Domingos, militar desta companhia, que estes ainda tiveram de fazer o forno do padeiro.
Publicamos a seguir 3 fotos deste nosso camarada, numa das quais se pode ver os blocos acabados de fazer e que seriam para o forno.


Esta companhia, que nós fomos render e denominada "Cavaleiros de Madina", era comandada pelo Capitão Cadavez. Segundo disse o Manuel Domingos tiveram dois ataques ao aquartelamento mas sem feridos. Registaram uma baixa por doença.  A população, que estavam nas tabancas junto ao aquartelamento, tinha chegado há relativamente pouco tempo.
Em 08 de Setembro de 1973 a nossa 1ª Cart/Bart 6523 mandou embora os "Cavaleiros de Madina"  e ocupamos em plenitude as instalações. Limitamo-nos a fazer uma limpeza geral e os mais corajosos pintaram as instalações onde dormiam. No meu caso tive a pachorra de pintar o quarto, que compartilhava com o meu amigo Soares, incluindo as camas (de cor vermelha). Comprei os panos em Nova Lamego e fiz cobertas para as camas e cortinados para a janela. O tampo da secretária foi forrado a pano.
Também a messe foi pintada e o nosso Zé Gaipo fez uns belíssimos quadros e cortinados. Outros houve que não quiseram saber disso para nada, até com  as botas dormiam, como o caso do Monteiro Manhiça e Cªp.ldª., mas também não estragaram nada.
Como as obras estavam feitas a nossa companhia limitou-se a fazer algumas tabancas para os mandingas, mas julgamos que nunca foram ocupadas.
Em 20 de Agosto de 1974, a nossa companhia os "Leões de Madina" abandonou aquele local, entregando as instalações em boas condições, aos responsáveis do PAIGC pela mão do nosso Comandante de Companhia, o Capitão Milº. José Luís.
Deixamos intactos e com asseio os símbolos deixados pelas respectivas companhias que nos antecederam, tanto na fachada principal da casa do gerador como os que estavam na base do trono da nossa Bandeira, para por lá permanecerem para a posteridade. Contudo, não abandonamos Madina Mandinga sem, com todo o respeito e lealdade arriarmos e transportarmos a nossa Bandeira Portuguesa. 
Sabemos que posteriormente o PAIGC abandonou Madina e toda a população se deslocou para outras tabancas. 
Madina Mandinga voltou assim, passados cinco anos, a ser o que era antes - um local coberto de vegetação rasteira, com algumas árvores e muito capim. Possivelmente no meio desse matagal, as ruínas do nosso aquartelamento.
Desiludam-se alguns aventureiros que possam querer ir visitar Madina Mandinga, provavelmente nem acesso terão para lá chegarem. 
A todos os "LEÕES DE MADINA", a todos os "CAVALEIROS DE MADINA", a todos os "BICO CALADO" e à primeira companhia que apenas lá esteve um mês, um bem-haja e resta-nos a saudade do local para recordar (e que bom é recordar). Um abraço para toda essa valente e corajosa juventude.
Nota: este trabalho de pesquisa poderá ter alguma imprecisão e possivelmente incompleto, pelo que muito agradecemos que outros possam dar mais contributos. Oxalá surjam comentários a este artigo por parte de todos os Madinenses que por lá passaram, para que esta breve história de Madina Mandinga seja eventualmente mais enriquecida.  obrigado

sábado, 3 de novembro de 2012

AINDA A CONSTRUÇÃO DAS TABANCAS

Recebemos do nosso camarada e amigo Quinito, capataz da obra, um conjunto de quatro fotografias a ilustrar as diversas fases da construção. Segundo ele o reordenamento foi estudado ao pormenor e executado com todo o rigor, respeitando todas as normas de segurança.

Feitura de abobes
 Início da construção
 Já algum trabalho concluído
 (tens mesmo estilo de capataz......)

Foram construídas um total de 16 tabancas. Este apontamento completa o artigo do nosso Editor Chefe publicado neste blog, no dia 19 de Maio de 2012. Obrigado ao nosso Quinas.
Um abraço Acosta 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dia de Finados

Hoje, dia de visita aos cemitérios em muitos lugares deste Portugal, venho à "Familia de Madina" e em  particular aos familiares dos companheiros que já partiram, assim como a todos que já viram partir um seu ente-querido, pedir-lhes que em conjunto, roguemos ao SENHOR que lhes dê o Eterno descanso e que a Luz perpétua brilhe para eles e para o sempre na companhia dos Seus eleitos. ÁMEN.

Um abraço
Monteiro ( Manhiça ).

domingo, 23 de setembro de 2012

CÁ ESTOU

Olá camarigos!..... Sim, é verdade, já levei um puxão de orelhas do nosso comandante Costa, mas um artista vive de inspiração e da ajuda das musas e como tal não tenho tido inspiração nem tenho tido as musas a ajudarem para que vos diga algo e que vós possais esquecer todas as amarguras das nossas vidas. Tenho feito fotos de tudo e mais alguma coisa mas não tenho postado nada. 
Gostaria, não me canso de repetir, que mais pessoas escrevessem porque qualquer dia estou a vender-vos a banha da cobra ao preço da uva mijona, a tentar que me compreis um autocarro ou a Torre dos Clérigos. Mas tenho de arranjar uns artigos e manter a nossa/vossa convivência e leitura em dia.
Como o Verão já se foi, agora no aconchego da lareira, já se vai arranjar mais tempo e inspiração para vos manter atentos/leitores aos nossos escritos e postagem.
Assim se está a passar no dia de hoje  por aqui no meu amado Porto, dia chuvoso e invernal, por isso propício a deixar a mente divagar e lembrar todas ou parte das grandes aventuras por que passamos na nossa juventude em terras de África.
Estamos naquele patamar da vida em que já nos vamos considerando Velhos, porque já vamos dando mais alegria pelo passado do que pelo futuro, mas temos de cultivar a memória, porque é o unico lugar de onde nunca poderemos ser expulsos.
Camarigos, aqui deixo como aperitivo uma foto dos "Patrões" no último convívio. Agora já entrei na fase de cruzeiro e os meus escritos vão ser mais frequentes. Fiquem bem, um abraço  - Monteiro ( Manhiça )

domingo, 2 de setembro de 2012

VOLTEI

Caros Camarigos de Madina, sim, eu sei que as saudades foram muitas, mas garanto-vos que foram recíprocas, mas acreditem que após um ano cheio de "trabalho e canseiras", sem tempo para desfrutar da vossa companhia pela "net" e vos dar novas com os meus escritos, enfim voltei para o vosso convívio e relatar o que foram as minhas férias. Foram merecidas e de sonho.
Sim amigos, este ano tive umas férias que não envergonhariam qualquer cabeça coroada deste país ou de outro qualquer.

Estive em praias paradisíacas, onde imperava o bem estar, o conforto, a luxúria, enfim, tudo aquilo a que um simples mortal pensa e sonha.
Tudo e todos estavam ao nosso serviço, era um estalar de dedos e o mais absurdo dos pedidos eram logo atendidos.
Nadei em águas cristalinas que a nível de pureza rivalizavam com qualquer água do mais puro icebergue da Noruega.
Diliciei-me com a frescura das palmeiras que me resguardavam do sol impiedoso que se abatia sobre os nossos alvos corpos. Dancei ao som maravilhoso das músicas ternas e lamurientas que nos transporta até à entrada do Olimpo e ficar a olhar extasiado a dança ululante das virgens que entontecem os deuses.
Comi as melhores iguarias, feitas por mãos experientes que vieram ao mundo para dar prazer a uma certa casta de pessoas e nas quais eu estou incluído.
Após 3 semanas por estes lugares, onde para a maioria das pessoas só em sonhos se pode lá chegar, despedi-me e voltei ao meu lugar de simples mortal e Português, mas ainda com tempo para poder desfrutar de uma semana na serra.
Lugar de sonho, local de ar puro e bucólico, onde as manhãs são inauguradas pelo doce chilrear dos passarinhos, os quais dão seguimento ao cantar/despertar do galo que, qual sargento do regimento, põe tudo em alvoroço.
A suave brisa do dia vai criando lamentos e lamurias nas copas das árvores que, com a sua ramagem vai dando guarida às aves canoras para delicia e prazer deste vosso camarigo.
Aqui onde tudo é natural, também foi local de todas as mordomias para com a minha pessoa e vosso companheiro pois manjares opíparos, vinhos divinais e doces conventuais, faziam parte do dia a dia.

..............  ACORDEI  camarigos - por momentos viajei e sonhei, pois as minhas férias foram passadas na praia de Canide-Sul em V.N.Gaia e a serra foi uma semana em Urros, aldeia serrana em Torre de Moncorvo.
Foram umas boas férias, pois tive a minha Camariga e os Camarigos mais novos, o Rafael e a Carolina, os quais preenchem a minha vida e povoam os meus sonhos, porque junto deles faço com que cada minuto seja um momento especial e isto me torna Feliz.
Por agora é tudo que me ocorre dizer-vos das minhas férias e por aqui postei este desvaneio de um velho que à falta de razão já só sabe  viver de Paixão.
Um abraço e fiquem bem, proximamente começarei com as minhas/nossas crónicas, aí já sob o Lápis Azul do Sargento Costa.
Monteiro (Manhiça)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

VOU DE FÉRIAS

Vou de férias. Depois  de 1 ano desgastante, cheio de "trabalho" e acima de tudo, aturar esta cambada de velhos (queridos Camarigos).
Pois preparem-se, porque no mês de Agosto, eu não irei escrever nada "salvo força maior" vou dar descanço ao "coronel" do lápis azul (Costa).
Faço votos para que todos os meus amigos Madina, tenham um merecido descanço e que recuperem todas as energias para o ano que ora vem, porque o SOL é para as flores o que os sorrisos são para as pessoas. Por isso nestas férias sorriam e sejam felizes.
Um abraço, Monteiro (Manhiça)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Faladura do Monteiro - encontro 2012

Minhas  senhoras, meus senhores, quero em meu nome e em nome dos restantes membros organizadores dos nossos convívios, dar-vos as boas-vindas e agradecer a vossa presença na nossa festa dos LEÕES DE MADINA.
Para os nossos camarigos aqui presentes, dou-lhes o meu abraço fraterno e o meu obrigado pela vossa presença, assim como às vossas familias.
Camarigos de Madina, fez ontem, dia 6, sexta-feira, 39 anos que partimos de Lisboa no navio Niassa com destino à Guiné. Quanta tristeza, quanto choro, quanta angustia, quanto temor, ao irmos rumo ao desconhecido, temido e sofrido local de guerra mas, graças a Deus, tudo correu pelo melhor e hoje é com imensa alegria que juntos recordamos esses tempos passados e que já não mais são do que velhas recordações da nossa juventude e que agora mais se acentua - POIS ESTAMOS A CHEGAR AQUELA IDADE EM QUE PASSAMOS DA PAIXÃO PARA A COMPAIXÃO.
Camarigos de Madina, mais um ano em que nos juntamos para celebrar, não a nossa partida, não a nossa chegada, mas sim a amizade que foi lá iniciada, cimentada e aqui continuada até aos dias de hoje. Camarigos, quantas vezes dou por mim a pensar (eu também penso) e a questionar-me sobre o porquê desta amizade que se foi fortalecendo ao longo dos anos e que se estendeu às nossas mulheres, aos nossos filhos e agora aos nossos netos. Penso que estava escrito nas estrelas que tinhamos de pertencer à 1ªCart/Bart6523 e que tinhamos de ter por comandante o nosso querido Capitão Zé Luís, o qual sabe que nós sabemos que ele sabe, o quanto o admiramos e estimamos, pois ele sendo um pouco mais velho do que nós, sempre nos tratou com respeito, sempre pôs a sua esmerada educação e humanidade à frente da sua condição de comandante e militar miliciano.
Capitão sabe que terá sempre um lugar de destaque na galeria dos notáveis nos nossos corações, por tudo o que fez por nós e nos proporcionou, o nosso obrigado.
Acreditem camarigos, é o que dá sabermos que já nos assenta bem o ditado que diz: AOS 40 ESTAMOS A ENTRAR NA VELHICE DOS NOVOS, E AGORA AOS 60, ESTAMOS A ENTRAR NA JUVENTUDE DOS VELHOS. Mas nesta altura das nossas vidas o que mais nos deve atormentar em relação às tolices da nossa juventude, não é nós havê-las cometido, é sim não podermos voltar a comete-las, porque Bajudas, Comezainas, Noitadas, Copos, Futeboladas e outras coisas que tais, JÁ ERAM, JÁ FORAM e não voltam mais.
Camarigos ainda quero fazer uma referência ao nosso blog, pois ele neste momento é o nosso embaixador e a nossa montra, mas deixo-vos um recado: porquê tão pouca participação? Sei que para alguns de nós é muito complexo mexer nestas maquinas infernais, mas há sempre um filho, um neto, um vizinho para nos ensinar a ver e a ler o que lá está postado.
Muitos dos escritos são estados de alma deste vosso camarigo que, qual escriva assalariado e pago à peça, lá vai escrevendo a mando do Chefe Costa e que está sempre de lápis azul, qual coronel da censura e pronto a cortar qualquer coisa que interfira com o nome e sensibilidade de umas vacas sagradas que existem na companhia, há alguns gajos que eu não posso dizer algo deles, mesmo situações caricatas, vem logo o coronel de lápis azul e corta, corta e não deixa publicar, haja paciência para aturar este velho.
Quando eu digo que o nosso blog é a nossa montra, é verdade, pois já tivemos notícias de camarigos que andavam desaparecidos, tais como o Mendonça na Venezuela, o Pereira no Luxemburgo e amizades antigas que foram reatadas e que fazemos votos para que agora perdure por muitos anos e saibam que um caminho se faz caminhando.
Uma palavra de saudade e recolhimento para os camarigos que desta vida já partiram, peço ao Senhor que lhes dê o eterno descanso e que a Luz perpétua brilhe para eles na companhia dos Seus eleitos: DITOSOS OS DIGNOS DE MEMÓRIA, DESCANSEM EM PAZ.
Antes de terminar, camarigos, vou citar um famoso escritor de seu nome Saint Èxupery que nos diz: AQUELES QUE PASSAM POR NÓS, NÃO VÃO SÓS. DEIXAM UM POUCO DE SI E LEVAM UM POUCO DE NÓS. Assim sendo da Guiné nós deixamos um pouco de nós mas trouxemos um pouco dela.
Por fim e enfim para terminar, também penso que merecia ter 5 minutos de fama, (brincadeira), vou fazer uma citação de mim próprio e fazer um tributo à mulher da minha vida, aquela que me acompanha há mais de 40 anos e que tudo me atura e tudo suporta. Nela faço o tributo a todas as mulheres dos camarigos, pois elas também são as Camarigas de Madina. Em todas as cartas que eu lhe escrevia terminava sempre assim: para ti nina e para o nosso néné (o meu filho), penso em vós, trago-vos no coração. E para vós eu digo o mesmo, penso em vós, trago-vos no coração, sejam felizes e até para o ano. 
Aproveitemos as coisas boas da vida e saibamos desfrutá-las, tais como estarmos hoje todos juntos.
Um abraço, Monteiro

domingo, 8 de julho de 2012

Foto de Familia - encontro 2012

Olá camarigos, cá estou eu, hoje sem o censor para vos dar os parabéns, pela forma correcta e civilizada como decorreu o nosso encontro-convivio.
Foi, como é apanágio da 1ª Cart, um encontro de uma familia que ano após ano vem fortalecendo os laços que nos une. Bem mas por hoje é tudo, vou postar uma foto do pessoal todo e então mais tarde iremos fazer um artigo com todas as fotos.


Um abraço, Monteiro (manhiça).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CONVÍVIO 2012 - saudação


Ponta Delgada, 01Julho de 2012

 Carta Mensagem de Felicitações sobre o Evento do 38º Encontro dos  Leões de Madina Mandinga.   

            Olá amigos, à festa da amizade, sejam todos bem-vindos.

Hoje, sábado, 07 de Julho de 2012, é mais uma data que relança a continuidade do Evento sobre os 38 anos, do regresso da vida militar, nomeadamente, de Madina Mandinga, via Guiné Bissau.
Na distância, olho este momento, iniciado em cortejo de festa, coberto dos mais variados e coloridos perfumes, e que o exalar dos aromas vos transporte ao campo da alegria e da esperança.
O cortejo, ainda passa no imaginário presente de cada um, carregado de sentimentos humanos, encaminhando-vos ao encontro da palavra e da mesa, em que a partilha da refeição há muito esperada e planificada, seja de facto, um saborear de degustação, alimentando, pensamentos e desejos positivos.

Hoje, e em som festivo, decerto que as mesas, decoradas de simplicidade, e prontas a acolher o vosso apetite, já obriga a todos os convivas a um gesto de festa, em que todos se saúdam, elevando a taça do apetecível e gostoso aperitivo.
Neste momento, não é minha intenção fazer poesia nem discurso algum, mas apenas lembrar ou invocar o célebre poema “Numa Mesa de Pau Preto”, o qual, carregado de grande sentido e sentimento, de quem muito ama e não esquece os momentos bons e menos agradáveis da família e amigos em tempos de guerra.

 Hoje, o longe está perto, porque a presença de cada um, é tão importante para que este evento volte a marcar a felicidade, que cada um sente.
Apesar das diferenças físicas, não somos diferentes nem desconhecidos, quando olhamos de frente a imagem dos amigos que a nossa retina captou e criou em alturas e tempos diferentes.
O importante deste evento, é um sinal de que ainda estamos vivos e marcamos uma presença activa, para manifestar o desejo de fraterna amizade no afagado abraço, e que no estender dos braços, sintamos o contacto com o outro, e olhar o sorriso que cada um expressa, acompanhado de uma saudação, particular e muito especial.
Os homens de Madina Mandinga, em tempo de festa como esta, marcam com sorrisos alegres, palavras amigas, carregadas de lembranças, mensagens e de olhares que, no tempo presente, procuram, dignificar a coragem e espírito de corpo comunitário, na grande construção, da “AMIZADE”.

Com esta acção social, continuamos a grande construção da chamada, confiança depositada, porque ao longo de meses e dias, soubemos viver, habitar e partilhar um tecto de chapa de bidons amassados, para que os corpos carregados de cansaço, adormecessem desprovidos de qualquer frescura e conforto.
Com o andar dos tempos, vamos certamente contar às gerações as nossas histórias carregadas de dúvidas e de certezas em que o tempo conduziu as nossas vidas de outrora.

Finalmente, gostaria de enviar a todos os presentes, um abraço de muita amizade, porque momentos como este, devem ser sempre vistos, lembrados e recordados em qualquer etapa da vida.
Formulo votos para que o 39º ano do evento em 2013, seja renovado com o mesmo espírito de entusiasmo e espectativa.
A todos um abraço de muita reconhecida amizade.   
José Graça Gaipo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CONVÍVIO DE 2012 - um convite

Convívio é refeição, convivência, reunião, banquete, isto desde o homem pré-histórico, o qual se reunia à volta da fogueira para comer e conversar. Nos dias de hoje, o encontro é pelo Natal, nos aniversários, a chegada de familiares que estão no estrangeiro, é as comunhões, os batizados, enfim tudo é motivo de convívio e o nosso não foge à regra - O NOSSO CONVÍVIO É O ENCONTRO ANUAL DOS AMIGOS DE MADINA.
Camarigo de Madina, estou em crer que nós somos como os apaixonados: de INICIO SÓ FALAM DO FUTURO, NO DECLÍNIO JÁ SÓ FALAM DO PASSADO. Na nossa juventude falávamos dos nossos sonhos, projectos, do futuro, hoje quando nos reunimos, na maior parte do tempo, já só falamos do passado. E ainda bem, é sinal que ainda temos ânimo para, pelo menos uma vez por ano, temos paciência para aturar as caturrices de alguns "velhos".
Sabemos que os tempos não estão fáceis, para festas, convívios e outras coisas que tais mas,  companheiros, é só uma vez por ano e pela minha parte aguardo sempre com enorme ansiedade o nosso convívio. Ver toda esta "corja de velhos" e saber das novidades, relembrar os momentos bons e menos bons que passamos em Madina e fortalecer este amor fraternal que nos une, porque ele é a força mais importante no desenvolvimento da nossa vida física, emocional e espiritual.
Camarigos de Madina, na nossa convivência por Madina, forjamos o nosso carácter, cimentamos a nossa amizade e o nosso carinho. Agora para extravasarmos todos esses sentimentos, só nos nossos convívios, porque nós somos uma família e como tal temos de cultivar o sentimento de família, porque fomos nós que nos escolhemos para ser a FAMÍLIA DE MADINA MANDINGA.
Camarigos de Madina o nosso convívio também é para nos lembrarmos dos camarigos que já partiram porque sabemos que: A VIDA SERIA MAIS VIVIDA SE A VIVÊSSEMOS COM ELES. Ao nos deixarem, vão criando um vazio no grupo de Madina, mas também empobrecendo o património humano das suas familias, que terá de ser colmatado com a nossa convivência e lembranças. E tenha sempre presente que, como dizia o grande escritor Saint Exupéry, - AQUELES QUE PASSAM POR NÓS, NÃO VÃO SÓS. DEIXAM UM POUCO DE SI E LEVAM UM POUCO DE NÓS -.
Camarigo, no próximo dia 7 de Julho, pelas 11H30, comparece nas imediações da Igreja da Freguesia de Souselo, Cinfães, terra do grande explorador de África Serpa Pinto e do nosso camarigo Sousa "o Padeiro" e não te esqueças de trazer fotografias da nossa querida Guiné e outras lembranças e objectos para serem publicadas neste nosso espaço. Se tens alguma historieta, alguma peripécia, um ou outro episódio, passado e vivido por aquelas terras da Guiné, não hesites em fazer um pequeno texto e fazê-lo chegar até nós. Posteriormente faremos o tratamento devido para ser publicado.     
 Um forte abraço do Monteiro (Manhiça)

sábado, 19 de maio de 2012

OS CONSTRUTORES

Pois, Pois; J.Pimenta, este era o slogan do grande construtor de obras que pontificava antes do 25 de Abril, hoje seria o BOBY, o Construtor. Mas em Madina pontificava o grande construtor Alferes Teixeira, oficial responsável pela construção de casas sociais (tabancas) para a população local. Este era coadjuvado pelo polivalente e sobredotado capataz o Furriel Quinito.
Os materiais que eram aplicados na construção e edificação de tais moradias, regiam-se pela mesma tipologia, blocos de adobe, caibros  em madeira e coberturas de chapa de zinco (manga de ronco).
 
Os trabalhos eram efectuados, à vez, pelos vários pelotões que constituíam a companhia e eram acompanhados por um Furriel que fazia de capataz ou sub-empreiteiro.
Ainda hoje me interrogo o porquê de tantos atributos e  regalias do Furriel Quinito. Penso que só lhe faltou ser comandante de companhia. Ele estava metido em tudo, excepto patrulhas, colunas, picadas e afins. Seria um ser Superior para ter tantos atributos? Não sei, mas cá para mim tudo se resumia ao Padrinho chamado "Ti Brito", que qual padrinho da máfia, tipo D.Corlleone que tudo dominava e tudo sabia. A sua rede de informadores era vasta e profícua. Infelizes os desventurados e desalinhados, pois tudo faziam e nada beneficiavam mas, haja Deus, tudo passou e não à ressentimentos mas apenas desabafos de uns velhos a quem já falta a Razão e só lhes sobra a Paixão.
Este condomínio de luxo foi muito importante para o construtor Quinas, pois ele mais do que todos, tinha grande satisfação ao admirar e ser elogiado pela obra dos outros, porque era mais fácil e cómodo essa admiração do que trabalhar. Ver era muito bom e isso ele sabia fazer, mas para nós simples terráqueos, comandados por forças tenebrosas e obscuras o trabalho, só por si, não mais era do que uma triste canção, o protesto do fraco contra o forte.
Debaixo de um sol abrasador, tudo aguentamos, pois só dos duros reza a história e tínhamos sempre presente o dever.
 
Muita coisa se passou, fizemos o que pudemos, ainda mais se falou, porque nos pediram e nós demos.
Esta foi uma das etapas da nossa saga por África em terras de Madina e que quer queiramos ou não, faz parte das nossa existência e tenhamos presente que : A VIDA É UMA VIAGEM POR MAR - HÁ DIAS DE CALMARIA E DIAS DE TEMPESTADE. O IMPORTANTE É SER O CAPITÃO DO NOSSO NAVIO.
Camarigos, por hoje é tudo, fico convosco no coração e eu vou andar por aí, ao contrário do jovem mancebo ««fotografia abaixo»», que está a descansar encostado a uma parede da tabanca, acabada de construir pelo pessoal trabalhador.
Um forte abraço do Monteiro ( manhiça ).

segunda-feira, 14 de maio de 2012

LA BELLE CUISINE DE MADINA

                                          LES GRAND CHEFES
Camarigos de Madina, é sempre com enorme alegria que tento passar para os nossos "escritos", assim tenha engenho e arte, factos e lembranças que nos façam reviver com emoção, amor e quiçá com paixão, o que de bom e salutar passamos em Madina.
Hoje vamos relembrar e homenagear uma "CASTA" de companheiros que sempre zelou, amparou e tratou da nossa subsistência. Falo dos nossos Cozinheiros, Padeiros, Cantineiros e de todos quantos trabalhavam e cuidavam da alimentação de todos nós. Homens que sempre tiveram a sabedoria e o engenho de: DO POUCO FAZEREM MUITO E BEM.
 
 Tudo eles sabiam cozinhar -  batatas, couves, cenouras, carne de vaca ou frango, arroz e muito arroz, manteiga, marmelada e casqueiro, café negro e saboroso, tudo fresco e na hora. Pouca coisa nos faltou, qual hotel da capital, tudo era comido e apreciado, isto devido à excelência  da confecção.
- PETISCOS E BOA MESA, TUDO ELES COZINHAVAM, FOSSE PARA O CAPITÃO OU SOLDADO, TODOS COMIAM E GOSTAVAM - 
Em dia de reabastecimento, (ovos, frangos, couves e batatas), notando-se a falta de frios, comia-se com abastança, frango assado no forno e outras iguarias, pois o malogrado Ventura nisso era mestre.
Nas minhas recordações é sempre com emoção que falo dos cozinheiros, pois tive sempre uma relação de grande cumplicidade, não só com o Ventura mas também com o desaparecido Lemos, cozinheiro da messe. Era frequente, senão diário, após um jogo de futebol e depois de um banho retemperador, ir junto do Ventura e pedir-lhe para grelhar um bife na chapa que depois seria deglutinado dentro de um casqueiro e regado com duas cervejas, repasto que serviria para dar alento e vigor para as tarefas que se pudessem deparar durante o resto do dia.
Era gratificante ter por companheiros, rapazes tão generosos e amigos, por isso um bem hajam e para os que desta vida já partiram, ficam as nossas saudades, o nosso lamento e a nossa tristeza, mas com a certeza que estarão no reino dos justos, junto do Criador, pois serão sempre lembrados.

Eis os nossos homens hoje recordados:

- Furriel José Luís Costa Freitas – vagomestre

Cozinheiros

- 1º Cabo António José Ventura Oliveira – já falecido
- Soldado José de Bastos Martins – já falecido
- Soldado António dos Santos
- Soldado António de Jesus Oliveira - incontactável (alguém sabe dele?)

Padeiros

- 1º Cabo José Carlos Conceição Martins - incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado José dos Santos Sousa – atirador  (colocado na padaria)

Messe

- Soldado Fernando Maia da Cunha – atirador – já falecido (colocado na messe)
- Soldado Manuel Domingues Silva Camelo – atirador (colocado na messe)
- Soldado Domingos Júlio Fernandes Lemos – atirador (cozinheiro da messe) 

                        trabalhava no Hotel de Ofir - incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado Eugénio Ferreira Pinto de Moura – transmissões (colocado na messe)
- Soldado António Santos Gaspar – clarim (colocado na messe)

Cantina

- 1º Cabo Artur Aníbal Pereira Pinto – atirador (colocado na cantina)
- 1º Cabo Arlindo Carvalho Costa Janeiro – atirador (colocado na cantina)
- Soldado Domingos José Teixeira – atirador – já falecido  (colocado na cantina)
                         Por tudo, bem hajam e um forte abraço: Monteiro (Manhiça)

sábado, 5 de maio de 2012

ÀS MÃES

                             "TUDO É INCERTO, EXCEPTO O AMOR DE MÃE"
Amo-te MÃE; é normal dizer que as saudades são as memórias do nosso coração e é verdade, pois tenho saudades de afagar os teus cabelos brancos, sentir nas minhas mãos os sulcos rugosos da pele do teu rosto e que foram fruto das agruras da vida.
MÃE foste o porto seguro que me acolheu em momentos de tormenta, foste a amiga e confidente nos momentos de confidencia. Tenho saudades do teu sorriso e da bondade que emanavas no teu olhar. Sinto saudades do aconchego dos teus abraços.
Para ti MÃE o meu obrigado, pois o maior legado que me deixas-te, foi o exemplo da tua vida.
Para todas as MÃES dos Camarigos de Madina e que afortunadamente ainda lhes podem dizer nos olhos AMO-TE MÃE, damos-lhes um beijo de felicitações e tenham a certeza que estarão sempre nas nossas preces  e orações. Para as que já partiram e que deixaram um vazio que jamais será preenchido, pedimos a Deus para que a Luz eterna as acompanhe na companhia do Senhor.

Saudosa e querida mãe, tenho-te no pensamento e estás sempre no meu coração.
Do teu filho, Monteiro (manhiça )

domingo, 29 de abril de 2012

DOMINGO À TARDE

Camarigos de Madina:
Com que então pensavam que estavam livres das minhas tão chatérrimas, enfadonhas e inúteis crónicas, mas como vêem, cá estou eu, depois de umas curtas mas sempre apetitosas e merecidas férias, desta vez por terras da Beira Baixa: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Fundão, Monfortinho, enfim por terras do nosso camarigo Rafael e outros a quem envio um forte abraço de parabéns por serem naturais de tão belas terras. Fiquei encantado com este pedaço do nosso Portugal.
Mas, adiante, eu que aguardei com ansiedade por qualquer escrito de algum dos meus pares, vejo que afinal não só não escrevem como pouco lêem o que por cá se vai "postando". Enfim, tenho esperança que um dia alguns de vós se digne fazer um simples clik num qualquer PC e ler o que vou escrevendo "qual escritor de pacotilha" e debitando umas letras para que fiquem em memória futura e quiçá alguns dos nossos vindouros possam ler e ver o que foram as nossas vivências tanto lá na Guiné como agora por cá. 
Se mais nada lhes podermos legar, pelo menos que fiquem com o exemplo das nossas vidas e nestas idades, em que já despontam os cabelos grisalhos, os quais são o arquivo do nosso passado e porque quando chegarmos aquela fase em que se tem mais alegria pelo passado do que pelo futuro, estamos velhos e então só temos 4 coisas que são boas: 1º velhos amigos para conversar; 2º lenha velha para aquecer; 3º vinho velho para beber; 4º livros velhos para ler.
Camarigos de Madina, pudera eu transmitir para o papel (PC), assim as musas me inspirassem, o quanto e tudo o que me alegra em vos ter como amigos. Por vezes penso que Deus foi generoso em me ter dado oportunidade de vos ter como amigos,  com esta amizade eu sou feliz, porque para ser feliz é fazer de cada momento um momento especial e por vós e com vós eu tenho muitos momentos bons, e não sou daqueles que dizem que as estrelas estão mortas porque o céu está nublado.
 
Brevemente escreverei mais, por hoje ide comentando este escrito que saiu num momento de nostalgia e melancolia nesta tarde chuvosa deste ultimo Domingo de Abril.
Para todos um forte abraço Monteiro ( manhiça )

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PINCELADAS DE MADINA MANDINGA

A nossa rotina, na simpática povoação de Madina Mandinga, estava consignada a um quadrado de terra batida onde tudo se passava. Ponto de encontro de toda a Companhia, local de chegada e partida, onde recebíamos as nossas visitas. Foi nesse quadrado de terra onde o sol escaldava que muitos factos aconteceram, dos quais relembro:-

a) Cinema

No início da noite do dia 19/02/1974 tivemos a visita de um Alferes e um Furriel, vindos do QG de Bissau, que nos presentearam com a exibição de dois filmes, ao ar livre. O 1º com o título “Bosallini” e o 2º uma comédia de guerra “Com jeito vai Sargento” realizado em 1958 por Gerald Thomas.

b) Missa

O Sr. Padre Capelão, do sector de Nova Lamego, veio visitar o nosso aquartelamento durante três dias, para também ele, nos dar ânimo e apoio moral e espiritual. No Domingo do dia 23/09/1973 celebrou a missa para todos nós. O altar (uma mesa) foi colocado debaixo de uma cobertura em palha, junto da cantina. Foi nesse pedaço de África que a celebração aconteceu. Toda a rapaziada se vestiu à civil para participar na única missa celebrada em Madina. Nesse Domingo houve festa e comida melhorada.

c) A Chegada

A este quadrado de chão pisado chegámos na tardinha do dia 13/08/1973, auto transportados, com as fardas ainda a cheirar a novo e de olhos bem arregalados e bastante medrosos. Fomos recebidos de braços abertos pela malta velhinha que com câmaras improvisadas de TV, cartazes com frases bonitas e muitos gritos de “piu-piu” davam azo à sua alegria, pois sabiam que passados alguns dias daqui partiriam rumo à Metrópole.

d) Gina

Também nesse quadrado, algures num canto, estava a mascote da nossa companhia. Quem não se lembra da macaca “Gina”, empoleirada num tronco de árvore, à espera duma bananita. Toda a gente gostava de brincar com ela.

A Gina em fotografia

e) Café

E desse quadrado de terra areada e poeirenta havia quem ao Domingo, depois do almoço, partia para tomar café à 5ª REP (café virtual). Era um pequeno percurso fora do arame farpado até à ponte ali próximo. Seria para matar saudades dos passeios domingueiros à tarde, com as nossas famílias e namoradas.

Era neste quadrado que tudo se cruzava. Daqui acedíamos ao gabinete de trabalho do nosso Capitão, sempre de porta aberta para receber. Ao lado os serviços de enfermagem. Num dos topos do quadrado a cozinha, a messe e por ali perto o forno do padeiro. No lado oposto a cantina e algures por ali a casa do Gerador do Machado que, sempre no seu posto, nos dava luz e água. Era neste pedaço de terra que durante o dia toda a azáfama acontecia e que no cair da noite apressadamente percorríamos com o receio de algum disparo vindo do exterior do arame farpado.

Foi assim em redor desse quadrado, onde pernoitávamos e em alerta estávamos, que gastámos algum tempo da nossa juventude mas também com coisas bonitas que ainda hoje recordamos com nostalgia. Todos nos lembramos dos nossos bigodes que quase toda a malta deixou crescer a exemplo do nosso irmão mais velho, o Capitão Zé Luís. b o n s t e m p o s ……..

por antónio costa (dando uma folga ao nosso editor chefe)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PÁSCOA

Camarigos de Madina, estamos na Páscoa e como tal, quero expressar a minha alegria por mais uma época festiva que comungo com a minha família e os meus familiares de Madina, companheiros de tantas alegrias e angustias.
Como em tudo na vida e quando JÁ PASSAMOS OS QUARENTA QUE É A VELHICE DOS NOVOS, E ENTRAMOS NOS SESSENTA QUE É A JUVENTUDE DOS VELHOS, começamos a olhar para trás e relembramos as datas que nos marcaram.
Não podemos esquecer a PÁSCOA, que nos faz viver a RESSURREIÇÃO de CRISTO, depois da SUA morte por crucificação.
A Páscoa na nossa Madina Mandinga (nesse ano de 1974 celebrada em 14 de Abril), apesar de termos informações que o IN anda na nossa área e que na mata de NHACARÉ fizeram abrigos, que nos obrigava a cuidados redobrados, mesmo assim o nosso dia de Páscoa foi vivido de uma forma muito cristã e festiva. Até um grupo de militares organizou um compasso.
Como era tradição na época, nós também pintamos, (pintaram) a messe e outras instalações e como não podia deixar de ser houve rancho melhorado, copos e cantorias.
Quero expressar o meu desejo para que esta Páscoa seja vivida por todos vós na alegria e paz do Senhor e peço a Deus que ilumine todos os dias das vossas vidas.
Camarigos de Madina, deixo-vos com este pensamento e que o tenhais sempre presente nos vossos corações e nas vossas acções: dar - ATÉ A ÁRVORE NEM AO LENHADOR NEGA A SUA SOMBRA.
Um bem hajam e sejam felizes, Monteiro (Manhiça)

sexta-feira, 16 de março de 2012

OS 14 FURRIÉIS MILICIANOS

Somos poucos mas somos bons, de boa estirpe, boa cepa, bom carácter, mente sã, espírito forte, companheiros, irmãos e acima de tudo uma amizade que perdura ao longo de tantos anos, já o disse e reafirmo, se nós nos juntamos, não foi por acaso, por algum motivo foi e agora mais do que nunca, damos valor à amizade, pois já passamos os quarenta que é a velhice dos jovens e já estamos nos sessenta que é a juventude dos velhos. Já deixamos a idade dos sonhos, a juventude, e estamos na fase das recordações, a velhice.
Quantas saudades daqueles tempos em que, garotos de vinte anos, que muitas vezes pareciam crianças no jardim de infância a fazerem asneiras e brincadeiras.
Por força do cargo, quantas saudades e tristezas foram reprimidas para dar o exemplo aos nossos companheiros, para muitos de nós foi a grande escola da vida, pois meninos e moços, por força das circunstâncias nos vimos com tão grande responsabilidade de conduzir os nossos homens pelos melhores caminhos de resguardo e paz.

De todo o grupo de furriéis, sempre muito coeso, uns foram mais sacrificados, outros injustiçados e alguns muito mimados, mas é mesmo assim, pois a VIDA É UMA TAPEÇARIA QUE SE BORDA DIA A DIA, COM FIOS DE MUITAS CORES, UNS PESADOS E ESCUROS, OUTROS FINOS E LUMINOSOS, MAS NO FIM TODOS CONSTRUÍRAM A TAPEÇARIA, e assim foi connosco e o que ficou para nós mostrarmos aos nossos vindouros foi a nossa linda amizade e para todos os nossos companheiros que já partiram e em especial ao nosso FurMil Lázaro eu digo: DITOSOS OS DIGNOS DE MEMÓRIA, descansai em Paz.
Em suma aqui fica o meu contributo e o meu pensamento sobre os meus queridos companheiros, irmãos e amigos de tristezas e alegrias:-

COSTA, o "doente", a tropa passou por ele a correr, pois o poiso principal dele era o hospital militar em Bissau e a pensão D. Berta, com estágios em vários cafés da cidade de Bissau. Um "ENGANADOR", um baldas de 1ª apanha.

MADRUGO, o irmão que eu nunca tive, o alentejano purinho de gema, que teve o azar de me ter por companheiro e eu ter a mania de ser "chico esperto". Tudo me aturou, muito lhe devo, obrigado, tenho-te no coração.

FERNANDO, o reguila de Leça da Palmeira, com toda a escola de marear, um dos protegidos que pertencia à "cantera do tiBrito", grande companheiro, colega de quarto, fazia parte da seita do Porto.

QUINITO, mais um da "cantera do tiBrito", ninguém ainda hoje sabe o porquê de ele ser o mestre de obras, um mistério.

PEDRO, Lisboeta de gema, boémio e malabarista também fazendo parte da dita "cantera do tiBrito", amigo e companheiro do peito, estava tudo bem, sempre doente de um joelho desde que chegou á Guiné.

PATRÍCIO, o nosso pastilhas, o homem que zelava pela saúde física, mental e sexual de todos nós. Um borguista.

SILVA, o alegre Silva, sempre calmo e generoso, nada se passava com ele, estava sempre tudo bem.

GAIPO, o jovem inovador e muito dedicado aos projectos culturais. A música era a sua arte preferida. Gostava de pôr a cantar bem e certinho, ao som da sua viola, toda a rapaziada, muito embora a malta do Porto não acertasse na melodia.

SOARES, o foragido, metido no seu casulo, mas sempre no meio dos seus homens e ocupado na jogatina das cartas. Nada dado a festanças, mas muito popular e um amigo.

FREITAS, o "betinho" da companhia, rapaz inteligente pois soube viver à sombra do tiBrito e não fez ondas. Faziam-se boas petiscadas no seu quarto.

CÂMARA, o açoriano que mal se dava por ele, passou um pouco ao lado de tudo e de todos.

LÁZARO, o trabalhador, o mecânico que Deus tem, paz à sua alma.

MONTEIRO, bom rapaz, tipo "magnório" que acima de tudo e de todos era um homem do Norte o qual defendia contra tudo e todos. Sempre muito critico e em alta voz, mas que acabava por entrar no goto do tiBrito.

RAFAEL, o rapaz adulto que teve o azar de cair num pelotão, muito tempo sem alferes, por isso com pouco tempo para mais.

Companheiros furriéis, camarigos de Madina, depois destas pequenas farpas, peço a Deus QUE ILUMINE TODOS OS VOSSOS DIAS NOS ANOS QUE ORA VÊM.
Eis os nossos homens hoje recordados:
Furriéis Milicianos
- Leonel Francisco Isaías Madrugo – 1º pelotão
- Manuel da Costa Monteiro – 1º pelotão
- José Manuel Graça Teixeira Gaipo – 2º pelotão
- Joaquim Lopes Rafael – 2º pelotão
- António Gonçalves da Costa – 3º pelotão
- Fernando Manuel Sobral Soares – 3º pelotão
- Pedro Marques Ferreira dos Santos – 4º pelotão
- Carlos Alberto Melo Câmara – 4º pelotão
- Lázaro Martins Loureiro – mecânico auto e chefe da oficina - já falecido
- António Lourenço Patrício – enfermeiro e chefe da enfermaria
- José Manuel Ferreira da Silva – transmissões infantaria e chefe do serviço
- José Luís Costa Freitas (dr.) - vagomestre
- Fernando Moreira dos Santos – armas pesadas
- Ezequiel Joaquim Soares da Silva – atirador c/muitas funções
Por tudo, bem hajam e um forte abraço: Monteiro (Manhiça)

quinta-feira, 1 de março de 2012

TRIBUTO AO PESSOAL DAS TRANSMISSÕES

"um alfa bravo, do foxtrot mil Monteiro, para toda a malta das transmissões, com conhecimento ao seu charlie foxtrot mil Silva-cambio"

Quem não se lembra deste linguajar, do nosso dia a dia, sons inconfundíveis que os velhinhos rádios AVP-1, mais conhecidos por "bananas" - qual relíquia da 2ª guerra, ou os equipamentos mais modernos, à época, Racal TR-28 emitiam e fosse qual fosse a situação e circunstâncias em que estivéssemos, eles eram o nosso suporte de companhia, conforto e segurança. Eram os telemóveis da altura.


Rádio Racal TR-28 e Rádio AVP-1 (banana)

Fala-se de tudo e de todos, desde tropas de elite, passando pelos especialistas, até à tropa chamada macaca, mas todos nós tínhamos um amigo comum, o elemento das transmissões, fossem boas ou más notícias que transmitiam era com eles, os homens das transmissões carregados com o racal ou o banana que queríamos ter sempre por perto, pois ao mais pequeno ou grande problema era através dos rádios que pedíamos ou recebíamos apoio ou dávamos ordens.
Fosse em colunas, operações no mato, no serviço de quartel um rádio estava sempre connosco e de tempos em tempos lá vinha a chamada para a central, onde em geral pontificava na sua sapiência o foxtrot Silva, o especialista e que de há uns anos a esta parte desapareceu, não em combate, mas dos nossos convívios.

Amigos, da nossa passagem por Madina muito ficou de bom e dentro dessas coisas boas foi o pessoal das transmissões, incluindo os operadores criptos, porque foi no DAR, RECEBER, CONTAR SEGREDOS, PERGUNTAR, CONVIDAR que se fez a amizade que perdura até hoje, por tudo o nosso obrigado e até sempre, ou melhor, um ALFA BRAVO.

Eis os nossos homens hoje recordados:

- Furriel José Manuel Ferreira da Silva – chefe do serviço

Operadores Criptos

- 1º Cabo Manuel Augusto Bernardo Leite - incontactável (alguém sabe dele?)
- 1º Cabo Vítor Manuel Borrega M. Santos

Transmissões Infantaria

- 1º Cabo Albino Machado Ferreira - incontactável (alguém sabe dele?)
- Soldado Eugénio Ferreira Pinto de Moura
- Soldado Joaquim Delfim Lopes Azevedo
- Soldado Jorge Fernando Monte Saldanha
- Soldado Manuel Virgílio de Oliveira Lima – já falecido
- Soldado Luís Santa Cruz Azevedo
- Soldado Manuel Rocha Pereira - incontactável (alguém sabe dele?)

do foxtrot Monteiro (manhiça)