segunda-feira, 13 de abril de 2015

O PÃO de Madina

A equipa de padeiros era constituída pelo especialista 1º Cabo Martins e pelos ajudantes Sousa, Fuzeta e Martins.
Mais uma história, do dia a dia da nossa saga por terras Africanas, em chão Mandinga, nos anos longínquos de 73/74. 
Desta vez, os protagonistas são 4 homens que na sua vertente civil, o mais próximo que estiveram dum forno foi nas padarias das suas aldeias, pois nenhum deles era padeiro profissional ou amador, mas que na sagacidade de alguém foram escolhidos para serem os padeiros da companhia.
Em boa hora foram eleitos, pois cumpriram com zelo, eficácia, brio e profissionalismo a missão que lhes foi imposta. É de realçar a qualidade do pão que lá comíamos.
Mas, como tudo na vida tem um começo, a elaboração do pão tinha o seu início pelas 3,30 horas da matina e essa tarefa era executada, com mestria e zelo, pelo Sousa o "Padeiro", um dos tais que foi arregimentado para a padaria. Ele era o técnico do forno e disso se gabava.
A dita tarefa consistia em acender o forno com a lenha que era diariamente apanhada pelos soldados que estavam adstritos a esse serviço. O forno tinha que estar bem quente de modo a atingir a temperatura ideal para cozer o pão.
Mais tarde lá se punha a farinha na maceira, com o "crescendo" e mais os outros ingredientes e toca a amassar para que levedasse e fosse para o forno.
Entre as 6 e as 6,30 horas, começavam a sair os primeiros pães, (quantas vezes comi desta primeira fornada, quando vinha da escola depois de uma noite mal dormida).
Eram várias as fornadas, pois diariamente saíam do forno 180 pães, denominados casqueiros. A tarefa dos padeiros terminava pelas 9 horas e depois disso não faziam mais nada (santa vida). 
Algumas vezes os cozinheiros aproveitavam o forno ainda quente para confeccionar o rancho. O frango assado era lá que se preparava e outros petiscos.
Os padeiros, bons malandros, como qualquer militar que se prezasse, guardavam sempre uma dúzia de casqueiros na sua arrecadação, pois se houvesse alguma tainada, a sua contribuição era o pão. Também se algum amigo precisasse eles sempre lhe davam, ou então, quiçá para pagar algum favor a alguma "bajuda" mais afoita e atiradiça que rondasse o local, quem sabe, mas este item ficará para sempre nas calendas das suas memórias.
Por hoje é tudo, fiquem bem e um bem hajam por me aturar.
Monteiro (manhiça)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

FELIZ PÁSCOA 2015

Camarigos de Madina, desejamos uma feliz Páscoa. Que a alegria da Ressurreição de Cristo esteja sempre convosco. 
Nesta Páscoa, que é um momento de união, vamos parar para reflectir e ver a vida de uma maneira diferente. Vamos pensar nos companheiros que já partiram e nas suas famílias e vamos ter presente que a distancia, pode impedir um abraço, mas não impede a nossa amizade. FELIZ PÁSCOA 
Monteiro (Manhiça) .

Prece, dedicada a todos os Madinas falecidos

Cantai com a voz, Cantai com o coração, Cantai com a boca, Cantai com a vida, Aleluia, Aleluia.
Com esta prece e louvor, recordamos os que partiram antes de nós, desde os nossos pais, familiares, bem como os amigos que um dia formaram grupo connosco, sem nos termos conhecido nem contactado em primeira mão para um contracto de uma longa viagem com destino marcado, e com regresso em aberto, que por sinal, foi muito salutar, deixando raízes e sementes de vidas novas. Esta prece, eleve os nossos corações na alegria da Ressurreição de Cristo, Luz Nova nas nações, que O Louvam, ao som dos instrumentos, da trombeta, da lira, da cítara, do tímpano e com a dança, com harpa e com a flauta, com os címbalos sonoros e retumbantes, e com tudo o que respira, louve-O com sons de Aleluias Pascais neste tempo de Lua nova, como citam os salmos 148(149);149(150).
O homem novo, canta o cântico novo, e pertence ao Testamento novo, porque não há ninguém que não ame. A questão, está em saber o que se deve amar. Não somos, exortados a não amar, mas sim a escolher o que havemos de amar. (Citação do Saltério Litúrgico, e palavras de Stº Agostinho) 
José Graça Gaipo

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ovo de Páscoa e sua simbologia


Quando eu era criança, não entendia muito bem a Páscoa. No tempo quaresmal, e a partir do 1º domingo da Quaresma e domingo do Senhor dos Terceiros, no final da tarde, após a procissão quaresmal, em minha casa, ao jantar, os meus pais davam-nos a prova e saborear as primeiras amêndoas, de fabrico local, as quais, eram lisas e coloridas, umas pequenas e outras maiores, com miolo de amendoim da região dos Açores, embora no mercado local houvesse também outras de melhor qualidade, e de recheio de amêndoa.
Havia também outras iguarias da Páscoa, as “chamadas de sobremesa e caramelo, bem como os célebres confeitos, de sabor a funcho e limão”, estas destinadas ao dia de festa por excelência.
No meu tempo, nada se sabia, nem era hábito em minha casa no domingo de Páscoa termos ovos de chocolates. A minha mãe, falava-nos na sua linguagem simples, explicando a simbologia do ovo, comparando com o nascer dos pintainhos, quando ela deitava a galinha com os ovos, tarefa que, ela cada ano fazia para nos apercebermo-nos da vida e da sua propagação.
Sobre os ovos de Páscoa, falava-mos sim, mas dos folares de massa sovada, em que a minha mãe na semana antes da festa Pascal, preparava a massa sovada, e a todos tendia um bolinho, cada qual com o seu ovo, o chamado “tradicional folar da Páscoa”, fazendo um folar comum para a família ou adultos.
Também nos falava do coelhinho branco, e da sua relação com a festa dos tabernáculos da Páscoa, dado que o coelho também se reproduz.
Mas, o que tem a ver coelho com ovos, seus símbolos, com a ressurreição de Jesus ou a fuga dos hebreus do Egipto comandada por Moisés?
Mais tarde, percebi a relação de tudo isto. Os ovos são o símbolo do nascimento.
Ali dentro, uma vida por vir ao mundo. É o eterno milagre da vida que renasce todos os dias. O coelho é o animal que se reproduz com uma velocidade estonteante, é uma ode à família, uma declaração de amor que a natureza faz todos dias.
Renascer é nascer, somos nós mesmos que renascemos nos nossos filhos, é a vida que se pereniza na prole. A fuga dos hebreus é o fim da escravidão de um povo. A escravidão equivale à morte, porque escravizar, é tirar a vontade, a alma e a vida a alguém que nos incomoda.
Libertar da escravidão é viver de novo, é renascer.
Jesus é a Ressurreição.
Este eterno milagre que nos encanta é o milagre da vida que a Páscoa nos relembra.

FELIZ PÁSCOA                    
Que todos os amigos de Madina Mandinga tenham uma Feliz e Santa Páscoa….
Que o coelhinho a todos traga muito mais que simples ovos de chocolate…
Que uma Santa Páscoa transporte muita saúde, felicidade, compreensão e carinho.
Que sejam todas as famílias abençoadas por Aquele que nos deu a sua vida.
Que a nossa Páscoa seja uma taça colorida de frescas e perfumadas rosas que, dispostas em mesa familiar e em Domingo de Ressurreição, se tornem festim de partilha, na harmonia das iguarias deste tempo Pascal.
É o que desejo humildemente num abraço de grande aleluia.
Feliz Páscoa.
Ponta Delgada-Açores- 1 de Abril de 2015
José Graça Gaipo

terça-feira, 17 de março de 2015

CAMARIGOS de MADINA - Encontro 2015

No passado sábado, dia 14, deste mês de Março, eu Monteiro, o chefe Costa e o Sousa "Padeiro", fizemos uma diligência em patrulha de reconhecimento, por terras onde será efectuado o nosso próximo convívio.
Foi uma operação sem sobressaltos e sem contactos. Não foram detectados vestígios de infiltrações hostis à nossa Companhia e como tal, podemos dizer que foi uma missão algo difícil mas cumprida com o maior brio e profissionalismo, como é timbre desta família de Madina Mandinga.
Assim sendo, logo pela manhã e ainda em terras sob a nossa jurisdição, encetamos viagem, não pelas picadas mas em estradas de alcatrão,  em viatura descaracterizada e conduzida pelo chefe Costa. A primeira parte da dita viagem decorreu sem sobressaltos até encontrarmos o 1º "checkpoint" em Tarouquela, Cinfães, local onde tivemos de acoplar à coluna um guia local de nome Sousa Padeiro.
Já refeitos desta primeira paragem, logo se arranjou um local para ingerir a ração de combate e que era constituída por "feijoada", regada com o melhor sumo de uva da região.
Logo após o repasto e refeitos deste "posto de contrôlo", lá nos fomos infiltrando por terras durienses, sempre com o guia local a indicar o melhor caminho e evitar contactos com o IN, neste caso a GNR.
Após uns Kms, eis que se depara perante nós a Tabanca, onde será feito o nosso convívio. Ao nosso encontro veio o Régulo, o Mamadu Rocha que nos recebeu com toda a deferência e simpatia, aliás como é apanágio das gentes do Douro.
Como não podia deixar de ser, ficamos deslumbrados com a beleza que se contempla de tal lugar.
Da conversa com o Régulo ficou combinado que a data do nosso convívio será a 20 DE JUNHO DE 2015. Espero que a presença deste ano seja maciça e que todos vós, desde já, comecem a pensar e ter presente a referida data, para que a família de Madina se junte e que os nossos sentimentos, emoções, alegrias e saudades sofram uma explosão de contentamento.
 
Camarigos, isto é um lembrete/aviso da data do convívio, POIS SÓ COM A VOSSA PRESENÇA, FICAREMOS CONTENTES, porque para nós, NÃO HÁ SATISFAÇÃO MAIOR DO QUE AQUELA QUE SENTIMOS QUANDO, COM O NOSSO ESFORÇO E EMPENHO, VOS PROPORCIONAMOS ALEGRIA E MITIGAMOS AS VOSSAS SAUDADES.
Fiquem bem
Monteiro ( manhiça )

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"MANGA DI CORTI - MANGA DI SANGUE"

A frase que serve de título a este episódio foi dita por um caçador que se cortou.
Esta historieta desenrolou-se nos já distantes anos de 1973/74, anos em que as nossas vidas eram vividas, vivendo. Algumas no autêntico outras em "resorts", aliás como nós a 1ª Cart do Bart 6523 em Madina Mandinga, leste da Guiné-Bissau.
Já começa a ser lugar comum dizer o quanto estávamos bem instalados em comparação com a maioria dos outros militares, dadas as circunstâncias da altura e na situação que nos encontrávamos inseridos, zona de guerra.
Mas sendo verdade, não a podemos nem devemos escamotear para que a verdade seja dita e para que possa ser lembrada. Não pelo que elas valem, mas pelo que elas significam e me fazem recordar, pois às vezes fico tanto tempo sozinho a recordar, que a solidão e recordações, deixam de ser ausência para ser companhia.
Um aparte: - vejam o quanto o grande chefe da tabanca, o régulo Costa teria de pagar pela minha escrita se ela fosse paga por palavras, era manga dele. Este introito à história que vou relatar está cheio de palavras que mais não são, como se diz na gíria,  para encher chouriço, para ter assunto e encher a página.
Como dizia no início, a dita história tem como protagonista um caçador nativo de nome Mamadu Saná, que costumava acompanhar o nosso 1º Guerra nas suas caçadas nocturnas.
Certa noite, ouve-se um grande rebuliço na cozinha da messe. Fomos a correr ver e  deparamos com uma grande gazela que foi morta pelos ditos caçadores. Começou o desmanche e o nativo com grande habilidade e sabedoria, cortava aqui, cortava acolá, com a sua afiada catana que, qual lâmina assassina, estava ávida de sangue humano e então num momento de distração do Mamadu, num golpe certeiro e traiçoeiro, apanha-lhe um dedo que quase fica decepado. O sangue borrifa tudo e todos. Todos ficamos aflitos e consternados com este acidente. Para nosso espanto e admiração só ouvíamos o Mamadu dizer "fodissi mi cortei".
Grande alvoroço, pois o Mamadu perdia muito sangue. Alertados os serviços médicos locais logo corre em seu socorro o grande Pastilhas,  o Furriel Patrício que, com grande mestria e coadjuvado por um dos seus homens, puxando dos seus galões de Dr., faz uma grande compressa embebida em álcool puro que põe em cima do dedo quase decepado, para estancar o sangue.
O Mamadu quase fica branco, mas na sua bravura, não dá um piu, aguentando estoicamente o tratamento de choque dado pelo pastilhas.
Feita a desinfeção seguiu-se a fase da cosedura do dito dedo quase decepado. Como não há anestesia, o nosso Pastilhas, que não brinca em serviço, não hesita em coser o dedo a sangue frio. Um ponto aqui, um ponto acolá, qual bordado mal feito, o nosso caçador Mamadu sempre sem tugir um queixume, mas com uma cara de sofrimento que nos arrepiava a todos. 
 
Finda a cosedura, e após ter bebido "um Fanta", o caçador lá recomeçou o desmanche da dita gazela, que no dia seguinte proporcionou um petisco de primeira.
Epílogo da história, o dedo ficou no sitio, cumprindo a função para que nasceu. O homem foi salvo de uma incapacidade parcial para uma situação de estabilidade funcional quase a 100%, graças à capacidade e sangue frio do Pastilhas e da sua equipa de enfermeiros, que muito zelosamente olhavam pela nossa saúde e também das populações.
Caros Camarigos, por hoje é tudo. De vez em quando lá me lembro destes pequenos episódios que faziam parte do nosso dia a dia em Madina Mandinga e que tento passar para o nosso Blogue, para que os vindouros saibam o que foi a nossa vivência em terras africanas e para colmatar as saudades de todos vós, pois a distância pode impedir um abraço, mas nunca vai impedir a nossa Amizade.
Fiquem bem, um bem haja.
Monteiro (manhiça)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

RECADO, (desabafo)

Pelo menos, podiam pôr como lido, ou dizer que não gostaram, pois era uma forma de eu ver que pelo menos houve uma pessoa que leu. 
Estou a ficar farto de tanta escrita e sem um comentário a dizer para eu me calar ou continuar. Falem, escrevam, bem ou mal, o que interessa é que  digam alguma coisa, porque DÓI tanta indiferença.
DISSE.
Até mais,um abraço
Monteiro(manhiça).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

HISTÓRIAS DE MADINA - os baldas

Há dias, em conversa com um Camarigo de Madina, lá fomos desfiando recordações e, elas são como as cerejas, começando não se sabe quando acabam.
Conversa puxa conversa e quando não é o meu espanto, ao ser confrontado com uma bela e recambolesca história que, se fosse nos Stattes, seria tema de um filme, quiçá nomeado para um ÓSCAR, pois o seu script, é de fazer inveja aos melhores argumentos cinematográficos de um Spielberg ou Scorsese que perante isto são uns amadores e naifes, tanta desfaçatez, lata e imaginação.
Perguntam vocês e bem, então do que se trata? Eu passo a divulgar o trama que me deixou de queixo caído.
Em Madina Mandinga havia o clube dos “graxas”, aqueles que não faziam puto e não pagavam nada, mas também havia o clube dos “baldas”, os que estavam sempre prontos ao cumprimento das missões, mas tentavam sempre justificações fortes para se desviarem do difícil e preferirem ambientes mais agradáveis.
Vamos falar hoje de quem é considerado o rei dos baldas.
A vida em Madina, apesar de termos algumas regalias, não era fácil. O terreno era de guerra e as noites eram traiçoeiras. Apesar da nossa juventude e valentia, o “medinho” andava sempre connosco. Depois de 2 ataques ao aquartelamento e de muitas noites mal dormidas havia que respirar outros ares lá para a cidade de Bissau.  
No já longínquo ano da graça de 1974, estando este pobre escriba e todos vós em solo Mandinga, quando já se penava com o stress, houve um "artista" que já estando um pouco cansado «só ele?»,
mas com todos os seus neurónios em pleno funcionamento, arquitectou um plano, para rapidamente ter uma evacuação "LIMPINHA, LIMPINHA", para o Hospital Militar de Bissau.
 
Com a conivência do Fur. Milº. Pastilhas (o pagamento seria umas garrafas de Old Par) e de um amigo de infância, Furriel no QG em Bissau, o dito baldas sabia que uma evacuação directamente para o hospital era sinónimo de, durante uns meses, ficar ausente daquele suplício.
Assim começou a alimentar e a inventar doenças - era a barriga a inchar, cabelos a caírem, alguns membros a diminuírem, unhas a crescerem em demasia, etc.. Durante a noite anterior à evacuação ficou no quarto do Pastilhas que, munido do estetoscópio, o auscultou durante toda essa noite. Com estas atitudes e maleitas um bocado estranhas ainda se dirigiu ao quarto do Cmd para este accionar os meios de evacuação. Disse-me o artista que foi remédio santo.
Assim, procedeu-se à dita evacuação  do elemento  doente em avião das FAP e logo no dia seguinte já estava no HMB, onde chegou todo confortável numa ambulância e acompanhado por enfermeiros que lhe deram todo o apoio.
No hospital ele repousou uns santos 30 dias e, após estes, mais 15 dias para consultas externas. Aqui, já hospedado em plena cidade de Bissau, gozando de todas as mordomias na pensão da Dona Berta, auferia de todo o ambiente citadino. Quando começava a faltar o patacão ia pernoitar e fazer a alimentação ao QG. Aí, o tal amigo de infância, tratava do quarto e do bar e nos tempos livres banhava-se nas águas calmas da piscina do clube de oficiais e sargentos «rica vida». 
Finda a saga hospitalar ainda fica a aguardar transporte para Nova Lamego, mais 15 dias. Dito isto e após 4 meses, chega o "doente" já plenamente e aparentemente reestabelecido, pois as suas cores eram rosadas, mais gordo e com bons ares, mas foi logo avisando que ainda teria de fazer umas consultas externas para o diagnóstico final.
Em resumo esteve fora da companhia 5 meses (desde o dia 1 de Janeiro a 24 de Maio de 1974). E mais, este Mandinga deslocou-se a Bissau, no âmbito das doenças, 5 vezes, tendo utilizado para as suas deslocações, via aérea, um Hélio, 2 vezes o Nordatlas, uma DO, uma Avioneta Civil e o TAGP e, por água, duas vezes uma LDG, o barco Formosa e o CP11.   
Em Bissau, além de conhecer todas as ruas e montras, era um frequentador assíduo da casa das ostras, do Pelicano, da 5ª. Rep. e da casa dos gelados. Ainda teve tempo de ir ao cinema, onde assistiu a 26 filmes.
Pasmem Camarigos, como se vai sabendo de pequenas coisas que na altura nos deixava preocupados e consternados, por tais desmandos da natureza humana e que afinal não passavam de tramas de um "chico esperto" que lá ia levando a sua guerra da melhor maneira que podia e queria, assim passando parte da sua estadia em Bissau.
Mais uma historieta da nossa passagem por terras africanas. Quantas não haverão que ainda permanecem nos fundos das nossas memórias e que já vai sendo tempo de verem a luz da escrita para gáudio de todos nós, pois só contando é que podemos recordar com mais saudade a nossa juventude.
Por hoje é tudo, um bem hajam, um abraço
Monteiro ( Manhiça )

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

OLÁ CAMARIGOS

Hoje ouvindo e sentindo a chuva lá fora, deu-me uma saudade dos meus amigos de MADINA.
Comecei a rebobinar a K7 das minhas memórias e fui parar, como não podia deixar de ser, a Madina Mandinga.
Lugar de saudades, alegrias, enfim, um lugar que me marcou e entranhou nas minhas e nas vossas memórias. 
É costume dizer-se que a saudade não é sinónimo de que estamos separados, mas sim de quem esteve juntos, e nós estivemos todos em Madina.
Lembro-me de todos os Camarigos, uns mais do que outros. Recordo mais aqueles que me eram próximos. Vejo o filme daquilo que por lá passamos: - os grandes jogos de futebol, os lautos almoços e jantares na messe, regados a bom vinho e rematados pelo infalível CHIVAS, que iam dar numa dor de cabeça causada pelos vapores etílicos de tão grandes paródias.
As infindáveis conversas que se tinham junto à vala, sob o luar que só em África existe, onde impreterivelmente iam resvalar para as nossas famílias que muito sofriam cá pelo burgo.
As cartas que se escreviam, com sofreguidão e amor, para os familiares e principalmente para a mulher que povoava os nossos sonhos do dia-a-dia e que na volta trazia novas de quem mais gostávamos. Como sabia bem ler as palavras apaixonadas e que eram um conforto para o nosso coração. Palavras essas que grande parte ainda continham manchas das lágrimas por cima delas derramadas, que na altura eram a tradução livre e cabal das nossas saudades. Eram o clímax dos nossos sentimentos.
Era o saber ouvir os problemas de alguns e também desabafar para outros os nossos próprios. As partidas que se faziam e que eram próprias de moços ainda muito imberbes, mas à força feitos Homens. O Silvinha era um dos nossos preferidos. O meu querido Madrugo que tanto me aturou, mas como bom Alentejano e de boa cepa que é, tudo me perdoava, principalmente depois dos vapores se terem dissipados dos meus neurónios.
E que dizer dos enfermeiros - o Monteiro que me tratou do paludismo, as mesinhas do Freitas e os remédios altamente do Pastilhas.
Bem, desci à terra, já desliguei e agora reparo o quanto me alonguei sem nada dizer, mas isto são desabafos de quem pouco já vive dos sonhos e agora já vive mais das recordações.
Fiquem bem, um bem hajam.
Monteiro (Manhiça)
P.S. - Fiquem com uma linda imagem da minha cidade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Comunicado aos Camarigos - esclarecimento sobre os comentários

(tenha calma e siga em frente)
Caros companheiros, não quero que fiquem assustados, ou alguns aliviados, pois para os assustados eu digo que a razão deste comunicado, é tão só para vos dizer que o problema informático que estava instalado no nosso BLOG, que era a impossibilidade de alguns (poucos) Camarigos quererem postar os seus comentários e não o conseguirem, a partir de hoje já está resolvida a anomalia. E desde já um agradecimento ao já nosso Camarigo e artista da informática o IVO, filho do Grande Chefe, Costa.
Para os que se queriam ver livres dos meus escritos, tenham calma e respirem fundo, pois ainda me vão aturar por mais uns tempos.
Sendo assim passo a explicar o funcionamento da postagem dos vossos comentários;
1º- No fundo da notícia, postada no blog, no canto inferior direito está escrito a palavra: COMENTÁRIOS;
2º- Faz clik em cima da palavra "comentários";
3º- Aparece um retangulo a azul, onde tens de escrever o que quiseres, (coisas bonitas);
4º- Finda a escrita do teu comentário, vais onde está "COMENTAR COMO" e aparece uma janela onde a primeira frase é "Conta Google" e na frente tem um triângulo invertido.;
5º- Clika nesse triângulo invertido, onde vão aparecer vários itens. Deves clikar no que diz NOME / URL;
6º-Aparece um quadrado onde diz: Editar perfil e nome. Aí escreves o teu nome  e em baixo faz "continuar";
7º- Aparece "publicar" e clikas em cima do publicar;
8º- Abre uma janela que diz: PROVA QUE NÃO ÉS UM ROBÔ. Dentro dessa janela tem um quadrado e deves fazer clik dentro e aguardas até aparecer um visto a verde;
9º- Depois de aparecer o visto a verde, clika onde diz publicar e VOILÁ, já está o teu comentário para a posteridade.
Depois desta tão espinhosa tarefa aguardamos pelos vosso comentários.
Fiquem bem, um bem hajam
Monteiro, (Manhiça).

domingo, 18 de janeiro de 2015

AGRADECIMENTO


Recebemos do Sérgio, filho do nosso amigo António Silva Pereira, recentemente falecido, a seguinte mensagem:
“mando este e-mail para agradecer, a si e às outras pessoas que se deslocaram a Cujó para estarem presentes no funeral do meu pai. Foram muitas as pessoas que assistiram ao funeral e, claro, agradecemos cada uma delas mas a vossa presença foi mesmo muito importante para nós. 
O meu pai já tinha deixado de trabalhar há uns anos e assim como certas pessoas passam o tempo a ler, a tocar um instrumento de música ou outro "hobby" qualquer, o meu pai passava muitas horas no vosso blog, ou contava histórias da Guiné. Falava das pessoas com quem ele esteve lá e sei que todos os anos, ele estava ansioso de chegar o dia onde vocês se encontravam todos. 
Como já não moro com os meus pais há muito tempo, há muitas coisas que não sei sobre ele mas sei uma coisa: para ele, vocês eram mesmo muito importantes e tenho a certeza que ele ficaria mesmo muito emocionado de saber que escreveram sobre ele no blog e que assistiram ao seu funeral. 
Portanto, da minha parte, da parte do meu irmão e da minha mãe, digo-vos um grande obrigado, um grande obrigado por tudo e a todos os amigos de Madina Mandinga! 
Sérgio, Paulo e Rosa” 
Sabemos que a família de Madina Mandinga não vos esquece e o António será sempre recordado por todos nós.  OBRIGADO!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Comentário aos vídeos-Recordar Madina


No tempo contemporâneo, do séc. XXI, é sempre saudável ver, ouvir, ler e admirar temáticas que testemunham no presente, uma realidade vivida no passado.
A construção dos vídeos, realizados a partir de fotografias a preto e a cores, merecem uma cuidada e merecida atenção, não só pelo trabalho de reconstituição de um passado, que no presente nos aviva a saudade dos tempos, relativo aos anos de 1973/1974, mas também, pelo facto de alimentar a memória de cada um.
Ao visionar o blogue, Leões de Madina Madina, foi para mim uma surpresa imensa, rever e relembrar à minha memória, coisas e factos reais que, sem querermos, passamos de imediato a um relato a dois, isto é, “a pessoa que visiona, e a conversa/diálogo inesperado de inquiridor e de admiração”.
Neste diálogo a dois “O Eu, visionador, e o vídeo”, coloca de imediato muitíssimas coisas no nosso arquivo memorial, palavras e conversas que se prolongam num infinito de páginas que merece a nossa história.
Não pretendo comentar os vídeos já realizados, apenas dizer que, só o trabalho lá colocado é um sinal de apreço de ver continuado um empenho do amigo Manuel Monteiro, fazendo lembrar aos que visitam o blogue, que poderão enriquecê-lo mais e melhor, contribuindo com algum material que tenham em registo fotográfico, que na altura era considerado de foro pessoal,  e que de momento poderiam a título de devolução, mostrar e emprestar, aquilo que pode de alguma forma complementar o trabalho do nosso historial.
Decerto que, ao visionar, a nossa sensibilidade apela de imediato aos sons dos lugares, tatuam a nossa memória de forma persistente.
Ainda, precisamos de ver, para relembrar os lugares que pisamos, o chão térreo que alimentou frondosos arvoredos que nos permitiram sentir no corpo e no espírito, alguma frescura enquanto durava algum descanso apetecido, carregado de silêncio, como era da praxe.
Os cheiros, as paisagens dos mais variados verdes e tons quentes carregados de humidade geográfica. Quem não os tem ainda?!........
Os descampados de clareiras abertas, misturavam naturalmente as suas cores de paisagens livres, mas perigosas às nossas vidas humanas.
A camaradagem, que envolve os mais variados cenários, refletem naturalmente alguma tranquilidade, enquanto descontraídos buscava-mos aquilo que era necessário e importante para a sobrevivência diária. A busca e o corte da lenha!... Quem não se lembra?!..
No meio do mato, o silêncio, a composição das personagens em segurança, enquanto outros, com plena confiança executavam com precaução as suas funções.
Na segurança, os olhares mediam a ansiedade do tempo em terminar as tarefas.
Uma visualização atenta nos vídeos em apreço, faz-nos descobrir tantas coisas que andaram ocultas, e fora dos olhares, quiçá, o sentimento com que muitas daquelas recordações foram realizadas para memória presente no passado, e no presente, o passado revivido de forma atraente para recordar o nosso tempo militar, que criou laços de amizade que hoje continuam retratados de memórias que servirão de miragens e mensagens aos nossos filhos e suas gerações futuras.
Ao amigo Manuel Monteiro, o meu reconhecido obrigado e apreço pelo trabalho realizado, que é sempre um momento salutar à minha memória.
É também, muitas vezes, um momento novo à minha sensibilidade, e naquele passado, reconhecer um presente passado.
Obrigado pelo trabalho já exposto, o qual é um contributo indispensável à memória daqueles com quem convivemos durante algum tempo, mas que, o condicionamento de tempo na altura, e de forma geral, não permitiu coisas melhores, um maior conhecimento na relação interpessoal.

Um Abraço amigo, José Graça Gaipo
Famalicão: Janº 2015