terça-feira, 27 de outubro de 2015

CÁ ESTOU ...... voltei

Olá Camarigos de Madina...
Pensavam que já estavam livres deste chato que só vos chateia, com os seus escritos aborrecidos e de filosofia de urinol. Não, cá estou e com mais garra, porque após longa ausência, constato o que já era verdade e eu teimava em não ver, pois só este pobre escriba é que se vai dando à pachorra de ir escrevendo e postando algo. Sou daqueles que pensam que na vida, precisamos de alguém que nos obrigue àquilo que somos capazes ou pensamos ser capazes, sendo este o papel da Amizade.
Quando escrevo, é um pretexto que eu tenho para sair da solidão, onde vou algumas vezes, que é um bom lugar para visitar de quando em vez, mas que é muito mau para lá viver e eu assim faço, visito-o, mas fujo para vos escrever, até porque interiormente dou-me por feliz em sentir que com os meus escritos faço alguns de vós sorrir e pensar.
Amigos de Madina, vamos celebrar a Vida e sendo assim, esqueçam os piores momentos das vossas vidas e recordem só os melhores, pois eu assim faço.
Agora evito tudo o que me faça engordar, tais como: ESPELHOS, BALANÇAS E FOTOS ANTIGAS.
(era mesmo um craque, mas já lá vão 42 anitos)
Fiquem bem, sejam felizes e vivam a vida.
Monteiro (Manhiça)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

ALMOÇO CONVIVIO DE 2015 - Cinfães

AMIGOS DE MADINA
Foi ontem, dia 20 de Junho, o convívio da 1ªCart/Bart 6523 que esteve em Madina Mandinga, em 73/74.
Só agora e passadas umas horas, ainda com as emoções, alegrias e também, porque não dizer, com uns pequenos resquícios dos vapores étilicos que povoaram a minha mente e o meu corpo, mas já refeito venho dizer-vos que foi, aliás como é apanágio das gentes de Madina, um convívio alegre, divertido, emocional e familiar.
Foi bonito de ver e sentir a juventude deste pessoal que ano após ano, vai dando forças e ânimo aos organizadores deste evento, cheio de sentimentalismo e simbolismo para com o seu trabalho e dedicação, manter esta já longa tradição dos nossos convívios, pois é reconfortante ver estampado nos rostos, agora sulcados de rugas de anos de trabalho e amarguras da vida, a alegria e o sorriso.
O dia começou cedo aqui por V.N. Gaia, onde foi formada uma coluna rumo a Cinfães, local onde iriam convergir todas as colunas que saíram de todo o Portugal.
Ali chegados e sob os olhares e ordens de um "chico", as tropas foram encaminhadas para a Igreja de Santa Maria Maior de Tarouquela, onde foi celebrada uma missa pelo Sr. Padre Rui Pedro, em acção de graças por todos os militares e suas famílias, pelos que já partiram e também por todos os amigos de Madina, os "velhinhos".
A missa foi abrilhantada com o coro paroquial de Tarouquela, que no fim obsequiou todos os presentes com a interpretação do nosso Hino da Companhia. Foi um momento de recolhimento e emoção.
Os 27 Madinas presentes
Findo este acto, e aqui já sob as ordens do Cap. Zé Luís, rumou a coluna em direcção à Quita da Bouça Velha, local onde seria devorada a ração de combate, que neste caso foi um lauto almoço.
Nos entretanto, foram projectados vários vídeos da autoria do GE Monteiro, cujos conteúdos eram de fotos de vários camaradas de Madina. Foi um momento de festa, pois os ditos vídeos foram sempre acompanhados de hilariantes comentários da assistência.
Findo o repasto, botaram faladura os Alf. Baptista, FurMil Madrugo, aqui o GE (Monteiro) e por fim o nosso Cap. Zé Luís. Por fim procedeu-se ao cortar do bolo e aos tradicionais brindes. Nas despedidas, houve a promessa de que para o ano, se Deus quiser, o nosso convívio será em Chaves.
Um bem hajam. O Monteiro

terça-feira, 16 de junho de 2015

Mensagem Encontro 2015


Caros amigos
O intemporal em nós, está ciente do intemporal da vida, e sabe que o ontem, não é senão a memória do hoje, e o amanhã, é o sonho de hoje.
Mas, se em pensamento quiserdes medir o tempo em estações, deixai que cada estação compreenda todas as outras, e deixai que o hoje, abrace o passado com saudade e o futuro com ânsia, porque;
Nós somos primavera
gostamos de cantar,
nós somos juventude
nascemos para amar.
Na verdade, estamos em Junho, e com ele, mais um começo de festa e vida renovada em partilha.
Como é bom estar em ambiente que nos envolve de sentimentos onde a amizade é o padrão que equilibra a ratio de sermos tal qual somos na vida e nas coisas que são da razão de nós homens.
Por maiores que sejam as causas ou motivos deste novo reencontro, é certo que a presença de cada um, é motivo de alegria e confraternização, para recordar o passado no presente, tempo que palmilhamos cada dia, que é afinal um tempo sempre diferente daquele que planeamos e gostamos.
A amizade do reencontro no tempo presente, é a componente solidária que por natureza nos vincula e convida a um partilhar, nem que seja o olhar e sorriso de cada um.
As sociedades constroem-se, no compromisso e lealdade do homem, e por isso, interligadas não só pela presença vital, mas também por serem novas forças motrizes, que nos despertam no caminhar para o abraço que nos espera, e que em troca, soa a voz e a palavra amiga, que esteve distante em algum momento.
Sempre entendeu o tempo numa dimensão cíclica, sujeita ao efeito do “eterno retorno”.
Isto explica a importância, desde logo, às celebrações e ritos que evocam e reproduzem o tempo primordial, aquele que sempre nos marca e vincula a um objectivo concreto, cuja essência subsiste no reportório dos grandes valores da amizade já enraizada, ao passo que tudo o resto, se torna secundário.
O equinócio da Primavera finda com a chegada da nova estação “O verão”  e comemora-se o 41º ano da nossa tão tradicional festa, de Reencontro de, Os Amigos de Madina Mandinga.
Numa retrospectiva do tempo da nossa era, todo o circuito de nossas vidas, contemplam um ciclo que enquadra as estações, e por isso, certo astrónomo disse: Mestre, e o tempo?
E Al Mustafá replicou:
“Se dependesse de vós, mediríeis o tempo ilimitado e o incomensurável.

Tentais adaptar a vossa conduta e até dirigir o rumo do vosso espírito de acordo com as horas e as estações.

Desejais fazer do tempo um ribeiro, em cuja margem vos sentaríeis a vê-lo fluir.

Porém, o intemporal em vós, está ciente do intemporal da vida, e sabe que o ontem, não é senão a memória do hoje, e o amanhã, é o sonho de hoje.

Mas, se em pensamento quiserdes medir o tempo em estações, deixai que cada estação compreenda todas as outras, e deixai que o hoje, abrace o passado com saudade e o futuro com ânsia”.
Que a nossa festa seja uma canção de primavera, estação onde a terra se reveste de ervas, e todas as plantas se rompem em flores de esperança.
A Primavera está associada ao Oriente, porque nessa época todas as plantas começam a brotar da terra; o Verão, está vinculado ao Meio-Dia, porque essa zona é mais fustigada pelo calor; o Inverno, com o Norte, porque é enrijecido pelos frios e pelo gelo perpétuo; e o Outono, com o Ocidente, pois é uma época de graves enfermidades e em que caem todas as folhas das árvores, para que o Outono abunde em doenças, concorrem a vizinhança do frio e do calor e o choque entre os ventos contrários.
Por motivos muito compreensíveis, a sua iconografia e identidade esteve e está sempre ligada, de maneira directa às tarefas e às celebrações do misterioso ciclo agrícola. Conservou-se, todavia, o costume de personificar as estações diferenciadas pelos atributos: a Primavera com as flores, o Verão com as espigas, o Outono com os cachos de uvas, o Inverno resguardado por roupas.
Se um dia, nos dispuséssemos a fazer uma manta de retalhos com o quadro das estações, em que iniciamos e terminamos a nossa carreira ou serviço militar obrigatório, decerto que o puzzle sairia muito enriquecido de matizes e lembranças que o tempo nunca apagará de nossas memórias.
Descrever as nossas cartas ou correspondências diárias, as manhãs, as tardes, os dias, as noites, o calor, a humidade, os cheiros, as vozes, os barulhos estranhos, o luar, o sossego nocturno e inquietante, os verdes tornados escuros com o vazio da noite longa, tudo isto é dar novo movimento e vida às aspirações da sobrevivência de homens carentes com ânsias e desejos tornados em sinais de novos rumos.
A colorida manta de retalhos, com certeza que produziria um arco-íris, contendo no intemporal das suas cores, o ilimitado e incomensurável tempo e vida disponibilizado em estado de alerta contínuo a tempestades ruidosas e selvagens do IN, que sorrateiramente envolto em neblina lançaria o seu mortífero veneno.
Qual manhã, onde a geada e o nevoeiro estavam de partida ao raiar novos fachos de luz solar, os suaves vapores húmidos esvoaçando sobre os mesmos espaços alimentando os verdes adormecidos da esperança longa que, o tempo media na lonjura dos dias, das horas e dos meses.
Qual poema, pintado de palavras e conversas nocturnas nunca passado ao papel, porque a realidade pareceu sempre um sonho desfeito, porque as lágrimas sofridas descoloriram as tintas e os matizes da nossa linguagem e pensamento.
Que a nossa festa seja bálsamo para os nossos sentidos, e em todos os nervos pule uma sensação revigorante que estimule um suave impulso do coração.
Que o lauto manjar ou repasto, seja ao toque de excitante alegria, onde não falte a música, o soar de pífaros, o rufo de tambores, o ranger do realejo e o toque da gaita-de-foles, com a dança, as folias e os saltos da rapaziada ao som das tradicionais canções populares.
Que a alegria se prolongue até ao ocaso da tarde, que o abraço do hoje em despedida temporária seja um até logo, dá-me notícias tuas, e sempre que nossas vozes se cruzem no espaço hertziano, digamos sempre, olá, estou deste lado, conheço a tua voz e a tua palavra muito amiga. Obrigado pela tua atenção e me ouvires por momentos.
Bem hajam a todos na Paz, na Saúde e na Alegria e no viver de cada dia.
José Graça Gaipo

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A Festa do Reencontro - 2015


Eis-nos chegados ao dia que o tempo marcou com alguma ansiedade e desejo de presença em hora de festa. A festa foi organizada e está preparada, mas para que tudo se concretize, são necessárias três coisas ou condições para a celebrar com a maior alegria e juventude, independentemente da idade que reveste cada um dos presentes.
Há que aprender a conjugar três verbos: Preparar, Sair e (Re)encontrar.
Preparar, é uma atitude de firmeza que cada um ao longo do tempo do anúncio ou publicitação da festa, datada para 20 de Junho de 2015, se comprometeu, amadurecendo um visual, qual espelho, que reflecte a imagem visual da imaginária combinação das vestes com que mais se identifica e ajusta com a sua maneira de ser e de estar na vida.
Depois de bem vestido, perfumado, revê-se de novo ajeitando o corte especial de cabelo da época, e num ápice decidido afirma: - Sou eu. Estou pronto e em condições de partir para a grande festa do reencontro de amigos.
Sair, é o verbo que, na forma infinita, faz trilhar o caminho direccionado, mas que ainda necessita de confirmar as coordenadas, e por isso, olha o bolso da camisola ou casaco, confirma o bilhete e as comunicações que necessitará para confiadamente se aproximar da palavra dada, que numa disposição sorridente e alegre, abre o caminho do infinitivo para a forma finitiva de reencontrar, viver, participar e celebrar a festa.
(Re)encontrar, é o desejo de abraçar e olhar, falar, lembrar e recordar, os acontecimentos da primeira conjugação, para de seguida entrarmos na fase do dizer, ouvir, reencontrar para comemorar o acto de chegar em ares de festa.
Se reparamos na articulação dos verbos utilizados, tudo tem um começo na temática verbal de preparar, planear, e foi o que aconteceu connosco que, antes de partirmos para África, houve que preparar tudo e planear o que o infinito nos ocultou e reservou com as coordenadas de incertezas e dúvidas, que foi e era, o Voltar/Regressar, num verbo ou palavra, Sair, que não deu oportunidade de auscultação e opinião conjunta ou individual.
O desejo de, Sair, nas condições impostas e de obediência serva, nunca foi desejo que cada um de nós tivesse a ousadia de proclamar bem alto.
Agora, celebramos a vida e a alegria que, in illo tempore, foi ocultado, e Deus, melhor do que ninguém, soube dispor e inspirar alguém poder estar do nosso lado, sabendo ouvir os nossos lamentos interiores, olhando de frente os nossos desejos e aspirações, mas cumprindo na regra o mais elementar das nossas condições para que tudo resultasse em bom porto de chegada.
Esta pessoa tem um nome, que dadas as suas características humanísticas e de bom senso, foi capaz de conduzir todos os homens do seu comando. O seu nome nunca deverá ser apagado nem destituído de nossas memórias futuras enquanto vida tiver, para assim continuarmos a celebrar a nossa festa.
Sabem perfeitamente a quem me refiro e me revejo em cada dia da minha vida, embora na distância possa parecer por vezes esquecimento, mas não, mas que foi especial e importante para mim, e para cada um de nós, isto nunca esquecerei.
A festa está florida das mais singelas flores e cores que cada um soube trazer à nossa confraternização, e por isso, agradecer, é sempre uma atitude e meio de reconhecer o que fomos todos juntos.
Termino, dizendo: celebrai e brindai na maior alegria a festa da vida, gozai a esperança com o sorriso aberto e tranquilo que ainda nos resta.
Que a todos, a recompensa deste reencontro seja sempre um eterno merecimento, lembrando à nossa memória aqueles que, por motivos diversos, não dispuseram de tempo nem de meios para esta celebração festiva. Com gratidão, um obrigado no abraço de amizade.
José Graça Gaipo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

ALMOÇO-CONVIVIO 2015

Camarigos de Madina, é já no próximo dia 20 de Junho que nos reunimos na linda cidade de CINFÃES, para podermos comemorar a Vida.
É sempre uma emoção e alegria quando nos abraçamos e reciprocamente recebemos um forte abraço de irmandade e camaradagem. Nestes momentos é que reparamos que somos uns vencedores, pois a história só é escrita pelos que vencem e nós vencemos. Estamos vivos, alegres, pois agindo assim, demonstramos que não temos vergonha de ser felizes.
Camarigos, este lembrete, é e só para que reserveis este dia como dia "santo", pois é o dia para dedicar à família de Madina.
Comparece. Só com a tua presença é que o trabalho de poucos se vê. Que vale a pena dedicar muito do nosso tempo para a satisfação de muitos. Vais ver que a tua presença vai ser notada e comentada por todos os teus amigos.
Confirma a tua presença rapidamente. Não deixes para o último dia.
Até lá, fica bem.
Monteiro ( manhiça )

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O PÃO de Madina

A equipa de padeiros era constituída pelo especialista 1º Cabo Martins e pelos ajudantes Sousa, Fuzeta e Martins.
Mais uma história, do dia a dia da nossa saga por terras Africanas, em chão Mandinga, nos anos longínquos de 73/74. 
Desta vez, os protagonistas são 4 homens que na sua vertente civil, o mais próximo que estiveram dum forno foi nas padarias das suas aldeias, pois nenhum deles era padeiro profissional ou amador, mas que na sagacidade de alguém foram escolhidos para serem os padeiros da companhia.
Em boa hora foram eleitos, pois cumpriram com zelo, eficácia, brio e profissionalismo a missão que lhes foi imposta. É de realçar a qualidade do pão que lá comíamos.
Mas, como tudo na vida tem um começo, a elaboração do pão tinha o seu início pelas 3,30 horas da matina e essa tarefa era executada, com mestria e zelo, pelo Sousa o "Padeiro", um dos tais que foi arregimentado para a padaria. Ele era o técnico do forno e disso se gabava.
A dita tarefa consistia em acender o forno com a lenha que era diariamente apanhada pelos soldados que estavam adstritos a esse serviço. O forno tinha que estar bem quente de modo a atingir a temperatura ideal para cozer o pão.
Mais tarde lá se punha a farinha na maceira, com o "crescendo" e mais os outros ingredientes e toca a amassar para que levedasse e fosse para o forno.
Entre as 6 e as 6,30 horas, começavam a sair os primeiros pães, (quantas vezes comi desta primeira fornada, quando vinha da escola depois de uma noite mal dormida).
Eram várias as fornadas, pois diariamente saíam do forno 180 pães, denominados casqueiros. A tarefa dos padeiros terminava pelas 9 horas e depois disso não faziam mais nada (santa vida). 
Algumas vezes os cozinheiros aproveitavam o forno ainda quente para confeccionar o rancho. O frango assado era lá que se preparava e outros petiscos.
Os padeiros, bons malandros, como qualquer militar que se prezasse, guardavam sempre uma dúzia de casqueiros na sua arrecadação, pois se houvesse alguma tainada, a sua contribuição era o pão. Também se algum amigo precisasse eles sempre lhe davam, ou então, quiçá para pagar algum favor a alguma "bajuda" mais afoita e atiradiça que rondasse o local, quem sabe, mas este item ficará para sempre nas calendas das suas memórias.
Por hoje é tudo, fiquem bem e um bem hajam por me aturar.
Monteiro (manhiça)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

FELIZ PÁSCOA 2015

Camarigos de Madina, desejamos uma feliz Páscoa. Que a alegria da Ressurreição de Cristo esteja sempre convosco. 
Nesta Páscoa, que é um momento de união, vamos parar para reflectir e ver a vida de uma maneira diferente. Vamos pensar nos companheiros que já partiram e nas suas famílias e vamos ter presente que a distancia, pode impedir um abraço, mas não impede a nossa amizade. FELIZ PÁSCOA 
Monteiro (Manhiça) .

Prece, dedicada a todos os Madinas falecidos

Cantai com a voz, Cantai com o coração, Cantai com a boca, Cantai com a vida, Aleluia, Aleluia.
Com esta prece e louvor, recordamos os que partiram antes de nós, desde os nossos pais, familiares, bem como os amigos que um dia formaram grupo connosco, sem nos termos conhecido nem contactado em primeira mão para um contracto de uma longa viagem com destino marcado, e com regresso em aberto, que por sinal, foi muito salutar, deixando raízes e sementes de vidas novas. Esta prece, eleve os nossos corações na alegria da Ressurreição de Cristo, Luz Nova nas nações, que O Louvam, ao som dos instrumentos, da trombeta, da lira, da cítara, do tímpano e com a dança, com harpa e com a flauta, com os címbalos sonoros e retumbantes, e com tudo o que respira, louve-O com sons de Aleluias Pascais neste tempo de Lua nova, como citam os salmos 148(149);149(150).
O homem novo, canta o cântico novo, e pertence ao Testamento novo, porque não há ninguém que não ame. A questão, está em saber o que se deve amar. Não somos, exortados a não amar, mas sim a escolher o que havemos de amar. (Citação do Saltério Litúrgico, e palavras de Stº Agostinho) 
José Graça Gaipo

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ovo de Páscoa e sua simbologia


Quando eu era criança, não entendia muito bem a Páscoa. No tempo quaresmal, e a partir do 1º domingo da Quaresma e domingo do Senhor dos Terceiros, no final da tarde, após a procissão quaresmal, em minha casa, ao jantar, os meus pais davam-nos a prova e saborear as primeiras amêndoas, de fabrico local, as quais, eram lisas e coloridas, umas pequenas e outras maiores, com miolo de amendoim da região dos Açores, embora no mercado local houvesse também outras de melhor qualidade, e de recheio de amêndoa.
Havia também outras iguarias da Páscoa, as “chamadas de sobremesa e caramelo, bem como os célebres confeitos, de sabor a funcho e limão”, estas destinadas ao dia de festa por excelência.
No meu tempo, nada se sabia, nem era hábito em minha casa no domingo de Páscoa termos ovos de chocolates. A minha mãe, falava-nos na sua linguagem simples, explicando a simbologia do ovo, comparando com o nascer dos pintainhos, quando ela deitava a galinha com os ovos, tarefa que, ela cada ano fazia para nos apercebermo-nos da vida e da sua propagação.
Sobre os ovos de Páscoa, falava-mos sim, mas dos folares de massa sovada, em que a minha mãe na semana antes da festa Pascal, preparava a massa sovada, e a todos tendia um bolinho, cada qual com o seu ovo, o chamado “tradicional folar da Páscoa”, fazendo um folar comum para a família ou adultos.
Também nos falava do coelhinho branco, e da sua relação com a festa dos tabernáculos da Páscoa, dado que o coelho também se reproduz.
Mas, o que tem a ver coelho com ovos, seus símbolos, com a ressurreição de Jesus ou a fuga dos hebreus do Egipto comandada por Moisés?
Mais tarde, percebi a relação de tudo isto. Os ovos são o símbolo do nascimento.
Ali dentro, uma vida por vir ao mundo. É o eterno milagre da vida que renasce todos os dias. O coelho é o animal que se reproduz com uma velocidade estonteante, é uma ode à família, uma declaração de amor que a natureza faz todos dias.
Renascer é nascer, somos nós mesmos que renascemos nos nossos filhos, é a vida que se pereniza na prole. A fuga dos hebreus é o fim da escravidão de um povo. A escravidão equivale à morte, porque escravizar, é tirar a vontade, a alma e a vida a alguém que nos incomoda.
Libertar da escravidão é viver de novo, é renascer.
Jesus é a Ressurreição.
Este eterno milagre que nos encanta é o milagre da vida que a Páscoa nos relembra.

FELIZ PÁSCOA                    
Que todos os amigos de Madina Mandinga tenham uma Feliz e Santa Páscoa….
Que o coelhinho a todos traga muito mais que simples ovos de chocolate…
Que uma Santa Páscoa transporte muita saúde, felicidade, compreensão e carinho.
Que sejam todas as famílias abençoadas por Aquele que nos deu a sua vida.
Que a nossa Páscoa seja uma taça colorida de frescas e perfumadas rosas que, dispostas em mesa familiar e em Domingo de Ressurreição, se tornem festim de partilha, na harmonia das iguarias deste tempo Pascal.
É o que desejo humildemente num abraço de grande aleluia.
Feliz Páscoa.
Ponta Delgada-Açores- 1 de Abril de 2015
José Graça Gaipo

terça-feira, 17 de março de 2015

CAMARIGOS de MADINA - Encontro 2015

No passado sábado, dia 14, deste mês de Março, eu Monteiro, o chefe Costa e o Sousa "Padeiro", fizemos uma diligência em patrulha de reconhecimento, por terras onde será efectuado o nosso próximo convívio.
Foi uma operação sem sobressaltos e sem contactos. Não foram detectados vestígios de infiltrações hostis à nossa Companhia e como tal, podemos dizer que foi uma missão algo difícil mas cumprida com o maior brio e profissionalismo, como é timbre desta família de Madina Mandinga.
Assim sendo, logo pela manhã e ainda em terras sob a nossa jurisdição, encetamos viagem, não pelas picadas mas em estradas de alcatrão,  em viatura descaracterizada e conduzida pelo chefe Costa. A primeira parte da dita viagem decorreu sem sobressaltos até encontrarmos o 1º "checkpoint" em Tarouquela, Cinfães, local onde tivemos de acoplar à coluna um guia local de nome Sousa Padeiro.
Já refeitos desta primeira paragem, logo se arranjou um local para ingerir a ração de combate e que era constituída por "feijoada", regada com o melhor sumo de uva da região.
Logo após o repasto e refeitos deste "posto de contrôlo", lá nos fomos infiltrando por terras durienses, sempre com o guia local a indicar o melhor caminho e evitar contactos com o IN, neste caso a GNR.
Após uns Kms, eis que se depara perante nós a Tabanca, onde será feito o nosso convívio. Ao nosso encontro veio o Régulo, o Mamadu Rocha que nos recebeu com toda a deferência e simpatia, aliás como é apanágio das gentes do Douro.
Como não podia deixar de ser, ficamos deslumbrados com a beleza que se contempla de tal lugar.
Da conversa com o Régulo ficou combinado que a data do nosso convívio será a 20 DE JUNHO DE 2015. Espero que a presença deste ano seja maciça e que todos vós, desde já, comecem a pensar e ter presente a referida data, para que a família de Madina se junte e que os nossos sentimentos, emoções, alegrias e saudades sofram uma explosão de contentamento.
 
Camarigos, isto é um lembrete/aviso da data do convívio, POIS SÓ COM A VOSSA PRESENÇA, FICAREMOS CONTENTES, porque para nós, NÃO HÁ SATISFAÇÃO MAIOR DO QUE AQUELA QUE SENTIMOS QUANDO, COM O NOSSO ESFORÇO E EMPENHO, VOS PROPORCIONAMOS ALEGRIA E MITIGAMOS AS VOSSAS SAUDADES.
Fiquem bem
Monteiro ( manhiça )

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"MANGA DI CORTI - MANGA DI SANGUE"

A frase que serve de título a este episódio foi dita por um caçador que se cortou.
Esta historieta desenrolou-se nos já distantes anos de 1973/74, anos em que as nossas vidas eram vividas, vivendo. Algumas no autêntico outras em "resorts", aliás como nós a 1ª Cart do Bart 6523 em Madina Mandinga, leste da Guiné-Bissau.
Já começa a ser lugar comum dizer o quanto estávamos bem instalados em comparação com a maioria dos outros militares, dadas as circunstâncias da altura e na situação que nos encontrávamos inseridos, zona de guerra.
Mas sendo verdade, não a podemos nem devemos escamotear para que a verdade seja dita e para que possa ser lembrada. Não pelo que elas valem, mas pelo que elas significam e me fazem recordar, pois às vezes fico tanto tempo sozinho a recordar, que a solidão e recordações, deixam de ser ausência para ser companhia.
Um aparte: - vejam o quanto o grande chefe da tabanca, o régulo Costa teria de pagar pela minha escrita se ela fosse paga por palavras, era manga dele. Este introito à história que vou relatar está cheio de palavras que mais não são, como se diz na gíria,  para encher chouriço, para ter assunto e encher a página.
Como dizia no início, a dita história tem como protagonista um caçador nativo de nome Mamadu Saná, que costumava acompanhar o nosso 1º Guerra nas suas caçadas nocturnas.
Certa noite, ouve-se um grande rebuliço na cozinha da messe. Fomos a correr ver e  deparamos com uma grande gazela que foi morta pelos ditos caçadores. Começou o desmanche e o nativo com grande habilidade e sabedoria, cortava aqui, cortava acolá, com a sua afiada catana que, qual lâmina assassina, estava ávida de sangue humano e então num momento de distração do Mamadu, num golpe certeiro e traiçoeiro, apanha-lhe um dedo que quase fica decepado. O sangue borrifa tudo e todos. Todos ficamos aflitos e consternados com este acidente. Para nosso espanto e admiração só ouvíamos o Mamadu dizer "fodissi mi cortei".
Grande alvoroço, pois o Mamadu perdia muito sangue. Alertados os serviços médicos locais logo corre em seu socorro o grande Pastilhas,  o Furriel Patrício que, com grande mestria e coadjuvado por um dos seus homens, puxando dos seus galões de Dr., faz uma grande compressa embebida em álcool puro que põe em cima do dedo quase decepado, para estancar o sangue.
O Mamadu quase fica branco, mas na sua bravura, não dá um piu, aguentando estoicamente o tratamento de choque dado pelo pastilhas.
Feita a desinfeção seguiu-se a fase da cosedura do dito dedo quase decepado. Como não há anestesia, o nosso Pastilhas, que não brinca em serviço, não hesita em coser o dedo a sangue frio. Um ponto aqui, um ponto acolá, qual bordado mal feito, o nosso caçador Mamadu sempre sem tugir um queixume, mas com uma cara de sofrimento que nos arrepiava a todos. 
 
Finda a cosedura, e após ter bebido "um Fanta", o caçador lá recomeçou o desmanche da dita gazela, que no dia seguinte proporcionou um petisco de primeira.
Epílogo da história, o dedo ficou no sitio, cumprindo a função para que nasceu. O homem foi salvo de uma incapacidade parcial para uma situação de estabilidade funcional quase a 100%, graças à capacidade e sangue frio do Pastilhas e da sua equipa de enfermeiros, que muito zelosamente olhavam pela nossa saúde e também das populações.
Caros Camarigos, por hoje é tudo. De vez em quando lá me lembro destes pequenos episódios que faziam parte do nosso dia a dia em Madina Mandinga e que tento passar para o nosso Blogue, para que os vindouros saibam o que foi a nossa vivência em terras africanas e para colmatar as saudades de todos vós, pois a distância pode impedir um abraço, mas nunca vai impedir a nossa Amizade.
Fiquem bem, um bem haja.
Monteiro (manhiça)