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sábado, 15 de junho de 2019

Biografia - José Luís Borges Rodrigues

IN MEMORIA –
 QUEM FOI ?!.....
José Luís Borges Rodrigues
Nasceu em 10 de Janeiro de 1948, na maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.
Filho primogénito de Luís Emílio Rodrigues e de Ema Borges Rodrigues.
Seus pais, oriundos do concelho de Caminha, Vila Praia de Âncora, Norte de Portugal, vieram residir em Lisboa, na Av. Manuel da Maia - Lisboa.
Seu pai, constituiu-se empresário das fábricas de iogurtes - Veneza e Bom Dia, com sede na Rua de Poços Negros, em Lisboa.
Na sua infância, José Luís Borges Rodrigues, frequentou o Colégio S. João Deus, em Lisboa, onde fez todo o seu percurso escolar como aluno distinto, até ao ingresso em engenharia no Instituto Superior Técnico de Lisboa.
Ingressou, no ensino universitário, do Instituto Superior Técnico, na área de engenharia Química e Laboratório, curso este, que ao 3º. ano teve de interromper por motivos imperiosos, para o cumprimento de serviço militar obrigatório, no período de 1971 a 1974.
Na sua vida militar obrigatória, iniciou a recruta em Mafra, e dada a alta classificação militar obtida, foi para Luanda, Angola, onde realizou estágio militar.
Após a sua graduação de, Alferes para Tenente Miliciano, foi colocado em Penafiel – Quartel de Artilharia 5 - aquando da formação de batalhão de artilharia e com destino à província da Guiné.
Depois de graduado na patente de capitão miliciano para comandar a 1ª. companhia do BART 6523, (Batalhão de Artilharia), embarcou com as suas tropas em Lisboa, no Navio Paquete -  Niassa, na data de 6 de Julho de 1973.
Com a queda do regime, no 25 de Abril, regressou da Guiné em finais de Setembro, depois de concluídas todas as formalidades obrigatórias e exigíveis e relativas às suas responsabilidades militares (liquidatária).
Na passagem à sua vida civil, trabalhou na Fábrica iogurte Veneza, empresa familiar, tendo à sua responsabilidade a área de laboratório e análises de produtos lácteos, bem como toda a parte administrativa, e a responsabilidade de mercado comercial e comunicação empresarial.
Com as crises pós 25 de Abril, as empresas começaram a ser ameaçadas pelos trabalhadores na relação de empregados e patrões, e que o bom senso, obrigou a novas alterações estatutárias na constituição de nova empresa e sociedade, que mais tarde, e após uma boa avaliação, foi na sua agregação a outra congénere, vendida.
Conhecida a eficiente relação empresarial e comercial, José Luís, foi então convidado por empresas de frio e de renome em Portugal, sendo destacado como principal responsável, sendo-lhe atribuída residência própria e efectiva, em Santarém, empresa da qual serviu bons anos, e se aposentou aos 65 anos de idade.
Gozava da sua aposentação, residindo em Santarém até à data do seu falecimento, ocorrido em 30 de Maio de 2019, com a idade de 71 anos.
Foi casado e teve filhos, entre os quais o Filipe e o Bernardo Rodrigues.
Na sua vida cívica e social, com facilidade fazia amizades, independentemente dos graus ou níveis sociais ou culturais, procurando sempre ajudar os outros na resolução de problemas e dificuldades.
No cumprimento do serviço militar, na Guiné, o seu lema e ideal, era o compromisso de trazer todos os seus homens de regresso, e entregá-los sãos e salvos às suas famílias.
Era sua preocupação diária o estado de saúde, e que a todos não faltasse o pão de cada dia, mesmo que fosse na sua forma simples.
A todos compensava com uma merenda, e do seu próprio bolso, quando regressados dos patrulhamentos relativo às áreas onde estavam sedeados em Madina Mandinga.
Era alegre, afável, sempre pronto ao convívio e ao canto. Era um verdadeiro apreciador do fado e de forma especial, aqueles que lhe transmitiam sentimentos afectivos.
No desporto, o seu favorito era o Sporting Clube de Portugal, de que foi sempre sócio.
Falar no e do Sporting, era ouvi-lo transmitir factos históricos, onde o seu olhar alegre de sorriso simples, nunca fazendo juízes de valor quando perdia ou ganhava.
Muitas coisas boas, ficaram recordadas na memória de quem com ele conviveu, e que merecem um agradecimento bem sentido e valorado.
A todos e em todos, fez amigos uns dos outros, e ainda hoje, esta mesma amizade, persiste.
Foi um cristão carregado de caridade nas suas acções terrenas, procurando sempre o bem dos outros, não discutindo na praça pública os seus sofrimentos relativos aos seus pertences ou heranças nunca gozadas nem requeridas, mas procurou sempre satisfazer-se com o pouco do muito que poderia usufruir, e que nunca lhe passou pelas mãos.
Finalmente, morreu simples, humilde e pobre, e o Senhor Deus, acolheu-o também com a simplicidade do seu sentimento humano e, de coração aberto para receber a paz espiritual.
O seu corpo, repousou em câmara ardente na igreja Paroquial da Portela, Lisboa, sendo depois cremado, no dia 1 de Junho de 2019.
No seu funeral a “Família de Madina Mandinga” estava lá e bem representada pelo Manuel Monteiro e ainda por outros Madinas que tiveram conhecimento, como o Baptista, o Brandão, o Fernando Santos, o Freitas (bagabaga), o Barbosa.
Que o Senhor lhe dê a Paz eterna e a glória merecida.
José Graça Gaipo

quarta-feira, 5 de junho de 2019

José Luís - 7º. Dia do seu falecimento

                          
                            
                          7º DIA
                     IN MEMORIA
         JOSÉ LUÍS B. RODRIGUES
           Ex- Capitão Milº.do BART 6523
A chama da luz, no meio do indicativo luto, deixa-nos a inquietude, e o pensamento voa na deriva em busca de coisas mais positivas e diferentes, que não a morte, mas o rogo a Deus pedindo para ele, o descanso eterno.
Fomos decerto surpreendidos, e a palavra que abordamos ao ler o anúncio do falecimento do José Luís, quer nas redes sociais ou outros meio de comunicação, fez-nos sofrer no lamento que tira a respiração, roubando-nos a saudade, deixando-nos presos, apáticos, sem voz, sem poder sequer questionar o que quer que seja, porque a voz emudeceu parada num abrir de boca.
Lembrar a memória do 7º dia do seu falecimento, é motivo dos crentes ou não, invocarem as palavras do hino, morada eterna do Altíssimo-
 Hino
Morada eterna do Altíssimo, celeste Jerusalém, eu te saúdo desde hoje, sou peregrino do Bem.
Sê repouso da minha alma, alento do viador; Abranda-me o caminhar, nas sendas da humana dor.
Sentinela que vigias, da noite o lento vagar, já descobres no horizonte, que vem a aurora a raiar.
Mostrai, Senhor, vosso rosto, salvai-me da escuridão, e sede a imagem do Pai, no meu rosto de cristão.
Luz do céu pelo deserto, e maná da minha fome. Vinde, lume verdadeiro, tesouro que não tem nome.
Da luz que na alma acendeste, nunca o mundo me desarme que eu quero ao findar da vida,
Na luz da glória abrasar-me.
A luz que em mim acendeste, jamais deixe de brilhar, que eu quero ao findar da vida, Na luz da Glória cantar, porque o Senhor, é o oleiro da vida, e molda a lamparina para receber e alimentar a chama da vida eterna.
O Senhor Deus, formou o homem do pó da terra, e nas narinas, soprou-lhe a vida, e o homem passou a ser alma vivente (Gn 2:7).
O Senhor Deus, conhece bem a estrutura humana, e sabe bem que somos pó. (Salmos 103:14)
Neste versículo, vemos um Deus criador, conhecedor da estrutura de toda a sua criação, formando de
algo aparentemente sem valor, para algo de útil, para sua glória.
Depois de moldado e formado do pó da terra, o Senhor Deus colocou o homem no jardim, para servir, ou seja, lavrar e o guardar (Gn 2:15,16).
Mas esse jardim, foi o tesouro em vasos de barro, para mostrar que o poder que a tudo excede, provém de Deus, e não de nós criaturas.
O Senhor Deus, é o Oleiro de toda a criação da vida e da luz salvífica, por isso, é o Senhor da vida e da morte, de quem todo o homem vem, a quem todo o homem vai.
Na sua morada do Altíssimo, acolhe na tua casa os que se foram de nós arrancados deste mundo, para responder à tua voz.
A nós, que andamos em falsa vida enredados, concede-nos a graça e a contrição dos pecados, para que todos juntos, saboreemos o mesmo Pão, sentados à mesma mesa.
Que este seja um momento, em que as nossas petições como oferendas espirituais, sejam purificadas dos nossos pecados sociais de uns com os outros, para que, com dignidade, serem elevadas à memória daquele, que foi um pioneiro peregrino na condução da vida de homens em situações hostis.
A ele, José Luís Borges Rodrigues, o nosso grande e reconhecido agradecimento, por fazer de nós verdadeiros homens companheiros de viagens incertas e de perigos humanos, onde se cruzaram e cruzam actualmente as amizades que lhe são eternamente reconhecidas.
Que do alto dos céus, e junto de Deus, ele nos veja a todos, e decerto que o dia 22 de Junho, será um motivo forte e muito especial. Mas, o segredo daquele dia, ninguém dirá nada, porque a voz ficará demorada e trémula em invocar o que quer que seja. A eterna saudade, ficará em nossas memórias.
UMA PAZ ETERNA À SUA ALMA.
José Graça Gaipo    

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

a PALAVRA do Capitão

Desde os tempos de Penafiel até ao final de Madina Mandinga todos reconhecemos a personalidade, as palavras assertivas e a calma do nosso Comandante de Companhia Cap. Mil. José Luís Borges Rodrigues.
Permitam-me que transcreva parte de um artigo publicado no Jornal de Madina (o 1º. número), de autoria do nosso grande chefe José Luís e transcrito no calendário do mês de Fevereiro de 2014.
"O leão representa a força de que estamos possuídos. Representa a fé e a vontade forte de fazermos o melhor que a nossa consciência nos ditar. Representa o sentimento de família que procuramos criar na nossa 1ª COMPANHIA, como o elo mais forte para nos unir em todos os momentos do nosso convívio, que não será só de dois anos (não sabíamos que o 25 de Abril iria acontecer), mas que esperamos perdure ao longo do tempo"
De facto estas palavras, escritas  em plena mata de África e no ano longínquo de 1973, ainda hoje são sentidas e vividas nas nossas vidas. A alusão ao rei da selva, embora todos reconheçamos a paixão sportinguista do Zé Luís, é o lema de todos nós vencer o dia a dia, apesar da crise que hoje nos afecta. A amizade sentida e vivida naquele chão Mandinga continua hoje bem enraizada na nossa convivência.
Nos nossos convívios anuais respira-se ainda esse espírito incutido pelo Chefe em Madina Mandinga. A alegria nos nossos encontros é espontânea. Todos nos misturamos, ex. militares, esposas, filhos, netos, amigos. Não há patentes, a profissão de cada um não interessa. Sabemos todos estar em espírito de camaradagem, brincando, contando anedotas, orando e lembrando aqueles que já nos deixaram. É uma satisfação poder trabalhar com esta Companhia tão familiar. Mesmo quando alguma coisa corre menos bem, ninguém fica mal humorado, tudo é ultrapassado.
ESTA É A FAMÍLIA DE MADINA MANDINGA
O Cap. José Luís foi sempre sábio nas palavras que nos dirigiu ao longo da nossa vida militar e ainda hoje, quando se nos dirige, continua a ser a mesmíssima pessoa - muito afecta, muito simples e muito humana
Para toda a família de Madina muita amizade.
António Costa

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Aniversário - José Luís Borges Rodrigues


SALVÉ DIA, 10 de JANEIRO DE 2017
AD MULTOS ANNOS
Hoje, e como sempre, o cronómetro do tempo, no intercalar de 10 de Janeiro de 1948 -2017, é imensurável. No seu circuito do tempo, ele não reconhece o padrão dos sinais da linguagem que o homem utiliza para fazer uma paragem ou uma pausa nos mais variados momentos que, cada dia se predispõe a cada um, fazendo nascer em nós um novo sol, uma nova atmosfera e um novo respirar de vida (na) e idade.
No homem, o sentido vital diário, é um novo marco etário, e por isso, também não pára, mas circunda sempre na mente, as formas ou os arrastos de imagens e pensamentos, que nos tornam capazes de retroceder lembrando as vivências de felicidade, de gozo intemporal carregado de aventuras, experiências novas e velhas, sons que nos moviam o emissor do” intelecto” na aquisição de novos afazeres, de sentimentos, atitudes, desenhando no imaginário, espectativas para um futuro de longevidade, sem paralelos geográficos, evitando fusos e azimutes, onde a crueldade, a ironia e outros sentimentos inestéticos, não formam sentido nem lugar de conveniência.
Em dez de Janeiro de cada ano, é um circuito vital e cantante numa etapa que soma uma bonita esperança de Primavera, que nos levou a proclamar em tempos fáceis e difíceis, mas que uma tessitura cautelosa de homens seguros e honestos, souberam evitar fortes decibéis democráticos e quando já entendidos, percebemos os perigos vários que debandamos, e que, sem qualquer poder de força cívica, possibilitou “ ab ore”  do homem, pronunciar e ultrapassar as sonoridades austeras do tempo.
O bom e cauteloso discernimento, do grande amigo José Luís, nunca faltou, sabendo com diplomacia ética, tratar tudo e todos, por possuir valores humanos que, alguém nunca poderá esquecer, mas sim, Pronunciar e Reconhecer Honestamente em qualquer lugar e em qualquer tempo, num testemunho muito merecido, porque toda a sua mente, funcionou em atenção a um todo, de homens carregados de responsabilidades e respeito mútuo, sem medida, e sem extractos sociais culturais.
Que este dia de aniversário, seja para o Amigo José Luís Rodrigues, um momento de verdadeira felicidade. Que o bolo de festivo aniversário, transporte na sua mensagem física e exposta, brote no seu olhar e dos amigos, a Saúde, a Paz e a Alegria de viver o seu tempo em momento especial e de grande amizade e admiração.
Que na sua mesa de festa aniversariante, não falte a mais bela e bonita decoração de flores, onde se realcem as tonalidades mais apetecíveis, para assim sobressair o” champanhe/ espumante”, para que no momento certo, exalte a saudação de, Parabéns.
Parabéns, com grande amizade e admiração.
José Graça Gaipo

sábado, 8 de junho de 2019

IN MEMORIA

                                                                                                                                                                                                                                                                                                         JOSÉ LUÍS BORGES RODRIGUES 
                        *10- 01- 1948 ** 30- 05-2019
A luz que em mim (nós) acendeste (s), jamais deixe de brilhar,
Que eu (nós) quero (mos) ao findar da vida, na luz da Glória cantar.
O prelúdio do hino citado, é invocação da morada eterna do Altíssimo.
Cada um de nós, deve saborear estas palavras simples, e cheias de conteúdo e sensibilidade espiritual e transpô-las ao quotidiano da vida terrena.
O José Luís, marcou a diferença, e como homem, foi uma luz que se acendeu em todos nós, em tempo bélico.
A ele devemos o bom senso humano, o cuidado que teve com todos nós, para que fôssemos sempre felizes, e voltássemos vivos e livres à vida familiar, depois de desfeitos os males de homens hostis.
Hoje, os amigos “Leões de Madina Mandinga”, pararam no relógio do tempo, aquando da triste notícia daquele, que na qualidade humana, foi o baluarte primeiro de uma companhia militar, que soube gerir e orientar homens fragilizados e fustigados no cumprimento cívico-militar no período de Maio 1973/Outubro de1974.
A sua sensibilidade de comportamento ético e humano, foi notória de agrado geral no seu comando, registando em todos os subordinados, um respeito sem igual, tratando todos sem diferenças sociais/ culturais, onde gerou uma verdadeira amizade, a qual tem sido ao longo dos tempos celebrada, sendo ele, a presença sempre pronta a marcar a festa dos encontros.
A notícia, decerto, que a todos fez mover lágrimas verdadeiras pelo desaparecimento de alguém que foi considerado sempre importante, e que deixou de estar entre nós.
As nossas vozes, em qualquer parte que estejam e, sempre que se façam recordar dele, são testemunhas fiéis daquele que partiu e nos irá deixar saudades, ficando também o coração partido.
A poucos dias do novo encontro, Deus, chamou-o, e a partida dele para o seio eterno, hoje, são lágrimas, dor e saudade, pois partiu para sempre, e nossos corações estão marcados pelo luto eterno do amigo que foi e será sempre recordado.
Que o tempo seja capaz de transformar a dor da perda em uma saudade serena, e que o tempo, acalme os nossos corações retirando o sofrimento, que irá ficar na memória de todos.
Tenhamos em nós uma certeza, é que, ficam as boas lembranças para contarmos uns aos outros, como foi a sua vida e a de todos nós, e restam as saudades para lembrar a falta que  ele fará, já no dia 22 de Junho,  facto que será, notório motivo, e acredito, que ninguém ficará insensível, deixando correr as lágrimas pelas faces do rosto triste.
Como ontem, hoje, o sol não brilhou para se esconder entre as nuvens; os pássaros não cantaram empoleirados nos ramos das árvores; os rios calaram-se em transportar as águas para o mar, e as lágrimas, estas rolaram em nossos rostos, e nossos corações sofrem em silêncio, porque hoje, somos lágrimas, dor e saudade, pois ele partiu para sempre, e nossos corações estão de luto eterno.
Ficam as lembranças para contarmos aos outros como foi a vida dele, e restam as saudades para lembrarmos a falta que fará, pois, pior do que perder alguém, é saber que não podemos substituí-lo, e o chorar sem qualquer vergonha ou preconceito humano, é diminuir a profundidade da dor.
Orar, é também necessário na vida para que Deus conforte aqueles que choram a saudade, e ilumine os corações dos que sofrem com o luto da vida.
O orar em memória do José Luís, seja para todos nós, os viventes, um momento que nos transporte em agradecimento, não só pela sua dignidade humana, mas também pelo carisma que criou unidade, nos compromissos, nas responsabilidades assumidas, para que tudo e de melhor fosse tornado possível e agradável aos que com ele, formavam uma companhia unida, respeitável e verdadeira, como acto de amizade.
Que o nosso orar individual ou colectivo, se torne um coro uníssono da (s) palavra (s) contida (s) na antífona:
 Luz Terna Suave
Luz terna, suave, no meio da noite, leva-me mais longe…
Não tenho aqui morada permanente: Leva-me mais longe…Leva-me mais longe.
Que importa se é tão longe, para mim, a praia onde tenho de chegar,
Se sobre mim levar, constantemente, poisada a clara luz do teu olhar?
Nem sempre Te pedi como hoje peço, para seres a luz que me ilumina;
Mas sei, que ao fim terei abrigo e acesso, na plenitude da tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados, meu desamor perdoa e meu pecado.
Eu sei que vai raiar a madrugada, e não me deixarás abandonado.
Se Tu me dás a mão, não terei medo, meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe: Basta-me um passo para a Ti chegar.
José Graça Gaipo

sexta-feira, 31 de maio de 2019

ZÉ LUÍS

A imagem pode conter: José Luís Borges Rodrigues, sentado
para AMIGOS DE "MADINA MANDINGA" - Nova Lamego.

Faleceu o nosso Capitão o José Luís Borges Rodrigues
DITOSOS OS DIGNOS DE MEMÓRIA.
Confesso que hoje não consigo expressar toda a minha tristeza pela partida do nosso chefe e amigo, o nosso Capitão Zé Luís.
Escreveu Saint Exupéry que: AQUELES QUE PASSAM POR NÓS NÃO VÃO SÓS. DEIXAM UM POUCO DE SI E LEVAM UM POUCO DE NÓS.
Assim foi, você passou por nós e não foi só, levou a nossa amizade e carinho pelo homem que foi um civil e vestiu uma farda de militar, mas também levou de nós o respeito e amizade que só os Bons recebem por serem quem são.
A partir de hoje sentiremos o vazio da sua presença e teremos a certeza que a vida seria mais vivida se a vivêssemos em conjunto.
O tempo vai, só não leva o que a mente guarda, vamos lembrar para sempre o seu sorriso e a sua amizade.
A despedida é um momento de tristeza em que os corações se preparam para viver em saudade, mas não é o fim de uma amizade, até porque tudo o que nos resta são memórias. objectos e imagens que nos farão lembrar o passado que vivemos juntos, pois o presente é vê-lo partir.
É neste momento que as palavras perdem o sentido perante as lágrimas contidas nas saudades que iremos sentir.
Perante este infortúnio, peço a Deus que lhe dê o eterno descanso entre os seus eleitos e que a luz da chama eterna o ilumine para o sempre.
ADEUS MEU Capitão
Em meu nome e de todos os militares da sua tão querida 1ª Cart / Bart 6523 " LEÕES DE MADINA MANDINGA " e que tiveram a honra e o privilégio de terem sido comandados por si dizemos a uma só voz, obrigado por ter sido quem foi e um até qualquer dia.
Monteiro ( manhiça )
ex. Fur.Mil. da 1ª cart.

terça-feira, 2 de junho de 2020

IN MEMORIA

José Luís Borges Rodrigues
10 - 01 - 1948  *** 30 -  05 - 2019
1º ANIVERSÁRIO 
Em tempo de Pentecostes, o Espírito de Deus sopra sobre toda a Orbe e renova tudo em todas as coisas.
A Igreja veste-se de vermelho, tom festivo para celebrar o Pneuma de Deus na alegria de um novo tempo, mesmo, estando as portas fechadas e trancadas com ferrolhos de segurança, como cita o Evangelho de S. João, 15,26-27:16,12-15.
Em tempo de pandemia, em que a humanidade fez silêncio de Deus, hoje a Igreja faz, “ memóriada missão do Espírito Santo Paráclito, que infunde no homem a possibilidade de compreender e melhorar os ensinamentos, para que as relações humanas e sociais se pacifiquem no Teologal da fé, do amor e da caridade, na Esperança de novas coisas e soluções de vida.
Neste tempo ainda tão deprimido, sobressai a lembrança memorial do 1º aniversário de alguém, que para todos nós, os amigos de “Os Leões de Madina Mandinga”, são, e continuam a marcar a saudade da amizade de homens que falavam e falam a mesma linguagem, pensamento, espírito de vida, de partilha em sentido comum e de entreajuda social.

Quando há amizade, a morte não consegue separar totalmente as pessoas, e quem parte continua vivendo na memória de quem fica, é o caso justificado do memorial que hoje também recordamos com devido apreço.
Quem já partiu, merece que celebremos seu aniversário e a importância que teve na vida de muitos amigos e não só.
O Capitão, José Luís Borges Rodrigues, tinha no seu ADN a força do Espírito Santo, porque percebia a razão das coisas, as dificuldades de cada homem ao seu cuidado, nunca transportando nem desfazendo responsabilidades que sobre ele estavam incutidas.
Na qualidade de comandante em missão bélica, o seu trato humano, não tinha nem usava de diferenças, facto visível aos olhos humanos, mas, actuava sempre na melhor atitude e segurança de vida daqueles que estavam à sua inteira responsabilidade.
Recordar o abraço de sentido pesar, é sempre mais a saudade que ficou, e este, é um momento também triste e difícil, quando a família dos Madina Mandinga recordam a perda de um ente muito querido e amigo.
As palavras, são sempre curtas e difíceis, mas o tempo, esse trará para além da eterna saudade, a lembrança do sofrimento humano, quando impedido de realizar novas coisas e projectos de vida.
Hoje e agora, dentro da pandemia que também nos acompanha (ou) durante três meses, faz surgir um tempo novo de vivências, e por isso, erguer a cabeça e seguir em frente, é a coragem corrente de novos acontecimentos, desafios e projectos que irão surgir, e que ajudarão a limpar a nuvem cinzenta que recentemente nos feriu fazendo perecer muitos amigos.
A dor e o luto, não nos tira do olhar e do pensamento, a luz da esperança, porque as lindas memórias que ele Zé Luís, deixou no nosso seio familiar, militar e cívico, são o contínuo sol que se levanta para em cada manhã e momento, fazer nascer um novo dia em nossas vidas.
No coração florido, fica a Saudade, porque a saudade é não saber, o que fazer com os dias que se tornam longos.
É não saber, como encontrar tarefas que cessem o pensamento, e como frear as lágrimas diante de uma música que se escuta, trazendo à memória os bons  momentos da vida e das amizades, que ao longo dos tempos se criou, e ainda, é não saber, como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Os que partem antes de nós, concluíram a sua tarefa e estão livres dos tormentos da vida terrena mas, como nos amaram, continuam ligados a nós não só pelo pensamento, mas também pelo sentimento, pela afeição, que nos dedicaram.
Eles vivem, e esperam-nos para o reencontro, mesmo sabendo, que um dia a vida acaba, ninguém está preparado, para perder alguém de quem amamos.
A saudade, eterniza a presença de quem se foi.
Com o tempo, essa dor aquieta-se, e transforma-se em silêncio que espera pelos braços da vida de um dia reencontrar.
Não há adeus mais difícil do que aquele, que sabemos que é para sempre.
Vistamos ainda o luto eterno, pois a sua partida deixou-nos uma saudade e um vazio infinitos em nossas vidas.
Quem partiu, segue vivendo na nossa saudade, e com muito carinho na nossa memória.
O capitão Zé Luís Rodrigues, partiu, e a saudade ficou para nos lembrar, que as memórias e as amizades, a morte não conseguem roubar, porque a saudade com o tempo, deixa de doer e vira a eternidade.
A saudade da alma é eterna, porque nada é para sempre, mas a saudade é eterna, é a ponte que liga ao passado, o presente e o futuro, eternizando sentimentos, porque a saudade é o sentimento que tem o poder de eternizar pessoas dentro de nós! “Enquanto existir lembrança, a saudade é eterna.”
A amizade, é a mais valorosa das conquistas, pois entre tantas vitórias, Deus presenteou-nos com a dádiva de nos fazer e tornar conhecidos, e desse encontro temporal, fez-se um elo de respeito, fidelidade e lealdade.
Não são as coisas bonitas que marcam as nossas vidas, mas sim, as pessoas que têm o dom de jamais serem esquecidas porque a amizade gera afeição, compromisso de vida nas grandes dificuldades de momentos difíceis em tempos passados e inesquecíveis.
Depois de algum tempo, aprende-se que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que o temos na vida, mas quem temos na vida.
Aprendi, que o tempo cura, a mágoa passa, a decepção não mata, o hoje, é o reflexo de ontem, e os verdadeiros amigos permanecem, enquanto os falsos, vão embora, graças a Deus.
Hoje, o Lamento recai de novo no pensamento do 1º. aniversário que a muitos de nós marcou um peso em encontrar conforto na sua memória, porque a saudade traz conforto quando na vida diária, lembramos a importância e a falta, na perda do grande amigo, Zé Luís Borges Rodrigues.
Que neste tempo de Pentecostes, ele repouse na tranquilidade do sono da Paz eterna de Deus Pai.
José Graça Gaipo
Ponta Delgada- 28-Maio 2020

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

GUINÉ EM TEMPO DE PAZ - 1974


     (reproduzimos do nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/Ranger, da CCS do BART 6523, sediada em  Nova Lamego, o seguinte artigo retirado de algures)

VISITA A MADINA MANDINGA 
PASSEIO SEGURO À BEIRA DO ONDULADO CAPIM
 
Foi um dia memorável! Uma visita amigável à 1ª. Companhia do BART 6523 sediada em Madina Mandinga, apresentou-se como uma viagem antes impensável. As estratégias no terreno estavam definidas. O PAIGC e a nossa tropa haviam estabelecido princípios de entendimento e o medo da picada, e a sua imprevisibilidade, antes constatado, oferecia agora uma segurança absoluta.

Foi a um domingo e já em tempo de Paz que um grupo da CCS, em Nova Lamego (Gabú) e a Companhia destacada em Madina Mandinga, combinaram um jogo de futebol. Dois unimogues com malta que se entregava entretanto a brincadeiras pontuais, e eis-nos perante o grupo disposto a desbravar conteúdos de uma picada onde a ondulação do capim se misturava com árvores de grande porte nascidas na exuberância da densidade do mato.

O resultado final não interessou, tão-pouco ficou registado nas minhas memórias. Não interessa! O único objectivo foi o amplo convívio constatado. O festim decorreu de forma cordial, trocaram-se impressões, comentou-se o último ataque a Madina, apontou-se para o sítio das valas que serviram de protecção aos ilustres soldados e recordou-se os locais onde os foguetões haviam caído. Pelo meio de dois dedos de conversa umas fotos para mais tarde recordar.
Dessa viagem, com o pessoal completamente dispensado das G3, bazuca, ou do morteiro 60, ficaram momentos inolvidáveis passados entre camaradas de armas que contemplavam então a Paz agora sentida em toda a largura do terreno. Recordo, que a dita viagem entre as duas populações distavam cerca de 20kms. Todavia, os quilómetros de picada assumiam-se como um osso duro de roer. Lembro que o percurso dividia-se entre o asfalto (alcatrão) e terra batida.

Revivendo esse já longínquo convívio em terras da Guiné, recordo agora a forma desinteressada como fomos recebidos pelos ilustres anfitriões. Uma recepção extraordinária, uns chutos numa bola já defeituosa, um almoço bem regado, uma cavaqueira que se arrastou ao longo da tarde, uma mesa cheia de bebidas, umas belíssimas canções para animar e, finalmente, as despedidas aos companheiros de Madina que determinou, como foi evidente, o nosso regresso a Gabú.

O Capitão Milº. José Luís, sempre simpático, congratulou-se com a visita, mas foi com o 1º Sargento Brito que dissequei os momentos mais ávidos sentidos pela Companhia ao longo da comissão em Madina. A “talho de foice”, e com toda a justiça o digo, que o 1º Sargento Brito era, e é certamente, um homem de se lhe tirar o chapéu. Gostei dele!

Soube, recentemente, através do ex. Alferes Miliciano António Barbosa, um camarada de armas que integrava o nosso BART 6523 e que pertencia à 2ª Companhia sediada em Cabuca, que o então 1º Sargento Brito está, actualmente, aposentado como Major. Confesso que me congratulo por saber tão feliz notícia. Um abraço, e bem grande, meu Major. A vida, por norma, sorri-nos quando dentro de nós existem factores humanos que suplantam o nosso querer, a nossa vontade e o nosso ego.
(Um brinde com whisky entre o 1º Sargento Guerra e claro, eu, José Saúde)

As tabancas, ao fundo, retratam realidades num espaço distante onde as fortes e medonhas trovoadas se cruzavam com um cacimbo atroz e um arco-ires que se sobrepunha a um horizonte belo mas sempre carregado de incertezas. O calor sufocante hostilizava, também, as nossas vidas.
(três meninas, hoje senhoras, de Madina Mandinga)

(com um “mascote” apadrinhado nessa célebre visita a Madina. Atrás o Cap. José Luís “de costas” e o Alferes Miliciano Santos, da minha Companhia)

Um abraço a todos os camaradas,
José Saúde
Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523
(transcrito por António Costa)