segunda-feira, 20 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

RECORDAÇÕES

Olá Camarigos, família de Madina.
Aqui estou eu em mais um dia de saudade e nostalgia pelos tempos idos da nossa juventude, difíceis? Sim, mas de uma sã camaradagem e amizade.
Tempos esses que neste entrar do Outono das nossas vidas, vão povoando as nossas memórias e são companhia em tardes de calmaria.
Olho as fotos da nossa passagem por Madina e que vejo? Rapazinhos, alguns ainda imberbes, que no melhor da sua juventude ali foram parar e fazerem uma coisa que para a maior parte de nós não fazia ideia do que se passava. Mas enfim, era a sina dos rapazes de antanho que aos 18 anos já tinham o destino traçado, ida para a vida militar.
Camarigos, mas mesmo assim e dissipando os medos que nos acometia, tínhamos uma vida cheia de alegria, pois qualquer motivo era ocasião para comemorar e festejar e esses festejos eram sinónimo de grandes e fortes "pielas", regadas com whisky ou umas cervejolas. Fosse uma vinda de férias à dita "Metrópole", fosse um aniversário de um camarada, logo se bebia. Era uma tainada feita por um camarigo mais afoito na cozinha para preparar um cabrito, que horas antes tinha sido surripiado a algum pastor (mais tarde o Capitão pagava, e onde muitas das vezes era convidado para o repasto do dito roubado e sabiamente cozinhado).
Era uma festa na messe onde saía sempre uma rodada de cantorias, tão bem cantadas e tocadas pelo nosso querido Gaipo e onde eram melhor regadas a CHIVAS ou OLD PARR, mas muito contestadas pelo grupo dos magnórios, (Monteiro, Fernando e o Silva) que tão sabiamente e apropriadamente tiveram o nome dado pelo saudoso e finado TIBRITO. Para finalizarem havia sempre 2 fadistas, um o TIBRITO e outro o Capitão a cantar o embuçado, e sempre contestados pela Troika do Porto.
As lembranças levam-me até NOVA LAMEGO, "cidade" onde dávamos largas a tudo o que podíamos, pois também era terra de diversão e para alguns, mas poucos de "pacado", era a força da juventude, pois tínhamos 20 e poucos anos, era a compra de recordações para as pessoas amadas, enfim era uma maneira de nos sentirmos gente.
Os livros que lá lemos, as cartas que escrevemos, os jornais antigos de semanas, o correio que era recebido com sofreguidão, saudade e acima de tudo com amor, porque para muitos de nós eram cartas da mulher amada onde se trocavam juras de amor, onde tinham sido derramadas lágrimas de saudade e amor e que para nós, os apaixonados, eram o elixir da força e perseverança para aguentar a hora do retorno ao seio dos nossos queridos e para os braços da mulher amada.
Foram meses e meses a ver o pesadelo da distância que nos separava das nossas terras mas que era colmatado com a amizade e companheirismo de toda a Companhia. Ficaram mazelas, mas a amizade ficou e cada ano que passa ela se fortalece com os nossos encontros e que Deus permita que sejam por muitos anos.
Camarigos, por hoje é tudo e só agradeço a vossa paciência para aturar e ler os escritos/desabafos dum "velho" que à falta de melhor põe-se a escrever, lamurias e recordações.
Fiquem bem e um bem hajam
Monteiro, ( Manhiça ).

domingo, 14 de setembro de 2014

Há 41 Anos

Camarigos, amigos de Madina, hoje é dia de recordarmos o nosso baptismo de fogo.
Seriam mais ou menos 10,40 horas da noite quando os rebentamentos e explosões eram mais de  muitos. Estávamos todos junto à vala e foi num ápice que foi dada resposta ao ataque do IN. A angústia, e porque  não dizer o "medo" era muita. Nós Periquitos com 2 meses de Guiné e há 4 dias sozinhos, tivemos a melhor das reações e o IN não teve muita sorte, pois a nossa prontidão foi das melhores.
Foi uma acção que só veio fortalecer a nossa união, pois a partir desse momento sentimos verdadeiramente o que é ser IRMÃOS DE ARMAS, pois conseguiu que a nossa amizade fosse eterna.
Este é apenas e só um pequeno apontamento para nós todos recordarmos o que foi a nossa vivência em terras Africanas
Um bem hajam e fiquem bem
Um abraço
Monteiro ( Manhiça ).

sábado, 9 de agosto de 2014

RECORDAÇÕES - CUMERÉ 1973

"O tempo passa, só não leva o que os nossos corações guarda"
Faz este mês de Agosto 41 anos, em que por estes dias, já tínhamos quase um mês de Guiné. Éramos uns "Piriquitos" na gíria militar.
Tudo se passou tão rápido que volvidos todos estes anos, há coisas que ainda hoje pensamos como eram possíveis. Não sei, talvez a nossa juventude a isso nos induzia.
Por estas alturas, estávamos a fazer o I A O. Começávamos a conhecer as gentes da Guiné, os seus costumes, o seu clima, enfim o espírito de guerra começava a entranhar-se em nós.
Os dias eram passados em instrução e aos fins de semana era um ver se te avias para arranjar boleia o mais cedo possível até Bissau, para aí sim desfrutar de todos os prazeres que se nos ofereciam e que passavam por vários itens.
 Por toda a cidade de Bissau só se viam rapazinhos branquinhos e com os camuflados ainda a cheirar a novo. Era só água de colónia e perfumes pacholi, visto que era o que de melhor tínhamos para pensar que não estávamos lá.
Por todo o lado eram só grupos e mais grupos, amigos e conhecidos, piriquitos e velhinhos, aramistas e operacionais. Eram invejas com o pessoal do ar condicionado e os andarilhos dos que só sabiam conviver com as micoses e os mosquitos. Os janotas que só sabiam da guerra pelos boletins informativos, mas passados momentos e após umas Bazucas (cervejas) acompanhadas de camarões e ostras, tudo passava.
Avenida principal de Bissau - 1973
A vinda até Bissau, também tinha outro ritual ou seja, a iniciação ao bairro da má fama PILÃO, local de prazeres fugazes, onde o maralhal ia descarregar toda a sua energia e testarona que a pujança da nossa juventude nos apoquentava e afligia.
Antes do anoitecer os restaurantes e cafés voltavam a encher-se de pessoal, pois se os prazeres carnais estavam saciados, os emocionais só com os vapores etílicos de umas cervejolas ou um vinhito se dissipavam e atenuavam. Aí sim a alegria e camaradagem tudo dava lugar às festas e brincadeiras inerentes à nossa juventude.
Há episódios que nos marcaram e então este pobre escrita tem um passado, na primeira pessoa, que é hilariante.
Estava eu, um fim de tarde, sentado num passeio lá no Cumeré, fumando um cigarro fiel companheiro de tantas horas e angústias, com o pensamento na mulher amada e no querido filho, sentindo as lágrimas rolando pelo rosto, provando o doce salgado da saudade, quando reparo num soldado que vem em minha direção. Perante mim, pergunta-me como estou, ao que lhe respondo que, dentro das circunstâncias, lá vou indo. Faço-lhe a mesma pergunta e ele diz-me que está bem, mas tem muitas saudades. Respondo-lhe que também sofro do mesmo e ele pergunta: oh furriel então  quanto tempo tem de Guiné? Eu, pensei lá para com os meus botões, lá vem este gajo dar baile, mas lá lhe disse, meio envergonhado que tinha quase um mês. Ele surpreso disse: um mês.... Eu perguntei e você pá, quanto tempo tem? Ele corou e respondeu: oh furriel, eu tenho duas horas de Guiné. Bem! penso que na tropa nunca me senti tão importante. Eu um piriquito, tinha perante mim um ainda mais pira. Fiquei todo inchado com a minha velhice.
Neste mês de Agosto no Cumeré, tudo se passou. Vi trovoadas que nunca pensei que pudessem existir. Vi as nossas roupas ficarem todas encharcadas e passado algumas horas já estavam secas com um calor ofegante. Vi bebedeiras que eram de arrasar qualquer um. Vi mosquitos a chatearem a todo o momento, apesar dos célebres mosquiteiros (em Madina já não havia essa praga). Enfim lá se passou o nosso primeiro mês na Guiné.
Fiquem bem, um bem hajam
Monteiro ( manhiça )

sábado, 12 de julho de 2014

DIAS MARCANTES NA NOSSA VIDA MILITAR

Um dia destes ao consultar o nosso calendário do mês de Julho deparei-me com duas datas importantes ali assinaladas: o dia 6 e o dia 13.
Corria o ano de 1973, já passaram 41 anos, e todos nós combatentes da 1ª Cart já vestíamos a farda militar. A última semana de Junho e os primeiros dias de Julho de 1973 foram passados junto dos nossos familiares, a gozar os dez dias de licença que eram sempre concedidos a quem embarcava para o ultramar.
No dia 5 de Julho todo o nosso Batalhão já estava concentrado em Penafiel para os últimos preparativos. Depois da celebração de uma missa e do desfile pela cidade de Penafiel tomamos o comboio, durante a noite, com destino a Lisboa.
O dia 6 de Julho de 1973 não esqueceremos nunca. A dor de deixar os nossos ente queridos e o futuro incerto que nos esperava.
No cais de Alcântara o nosso furriel Quinito na despedida
 Muitos de nós quisemos os nosso familiares ali por perto para a despedida. Outros preferiram ficar sozinhos naquela hora da partida. No meu caso pessoal nem aos meus pais disse que iria partir rumo à Guiné. Alguém depois iria conversar com eles.  
A outra data assinalada no calendário foi a chegada ao território da Guiné.  
Na madrugada do dia 13 de Julho de 1973, depois de um piloto local ter tomado o comando do navio Niassa, entramos nas águas calmas e barrentas do rio Geba, sempre escoltados por uma pequena embarcação da marinha.
Debaixo de um sol tórrido e de temperaturas elevadíssimas, ficamos algumas horas ao largo do porto de Bissau a aguardar o transbordo para uma LDG que nos traria até ao cais. Não esqueço as coca  colas, em lata da USA, que se beberam no interior da embarcação de guerra. 
Finalmente pelas 13H15 pisamos a terra da Guiné
Depois do nosso encontro/convívio deste ano em Leiria, onde tudo o que se passou em Madina  Mandinga vem à conversa, aqui ficam estas duas datas para relembrar.
António Costa       

quarta-feira, 2 de julho de 2014

CONVÍVIO 2014 - A PALAVRA DO MONTEIRO

O grupo de Madinas no convívio de 2014


Olá companheiros;
Mais um convívio da família de Madina Mandinga, a 1ª Cart do Bart 6523. Camarigos, senhoras e amigos convidados, é uma alegria estarmos novamente  juntos, mesmo com muitas ausências, mas para os presentes o nosso obrigado, pois em vós, nós, eu e o chefe Costa, vemos que vale a pena continuarmos, mesmo lutando contra todas as vicissitudes que se nos vão deparando ao longo do tempo, vale o esforço.
Camarigos, quero antes que me alongue nas minhas palavras, deixar um momento de saudade e pesar por todos os camarigos que já partiram e em particular ao nosso Homem grande da tabanca de Madina, o nosso régulo e 2º chefe, o nosso Tibrito. Sim, ele partiu, mas independentemente de se gostar ou não, de ter ou não gratidão com ele, penso eu e de certeza que a maioria de vocês também, foi um grande homem, e grande parte da boa vida que lá tivemos a ele se deveu ,assim como a si Capitão, pois ele foi o amigo, o pai, o chefe, o companheiro, enfim estava sempre ao nosso lado. Para ti Fernando Brito, serás sempre o nosso tibrito, estejas onde estiveres, pedimos a Deus que com a luz da sua chama eterna te ilumine para o sempre. E aqui peço uma salva de palmas em memória do Tibrito.
Bem, olhando para a composição da nossa festa, quero dizer-vos que está a tornar-se um pouco difícil mantermos o sorteio nos moldes habituais. Porquê! perguntam vocês e muito bem. É que deixamos de ter a oferta de uma bicicleta do Machado, como anteriormente acontecia, e por isso já não podemos passar as rifas a 5 euros. Sendo assim temos de fazer um sorteio mais simbólico, a 2 euros, e que tem como prémio uma caixa de vinho do Porto.
Tendo nós, em anos anteriores, um encaixe de mais ou menos 500 euros devido ao sorteio, este ano teremos 200 euros. Gastando nós em envio de correio só para comunicar o almoço 50 euros, ficamos com 150 euros para dar uma lembrança. Terá de ser muito simbólica, pois não temos capital. Esperamos nós que em anos vindouros a coisa se componha e possamos voltar a ser diferentes de todos.
Camarigos, depois desta explicação que vos era devida, queremos expressar o nosso obrigado pela vossa presença, porque é sempre uma alegria ver-vos e bem como às vossas famílias
Caros companheiros e camarigos, queremos que no fim deste convívio, nós sintamos que vale apena o nosso empenho e o nosso esforço, porque queremos ver estampado nos vossos rostos a satisfação e alegria que vos foi proporcionada neste nosso encontro e assim sentirmos que vale a pena um esforço da nossa parte para que, ano após ano se efectue o nosso convívio, e sentir que de vós desde Madina eu:
RECEBI MAIS DO QUE DEI;
TIVE MAIS DO QUE MERECI;
APRENDI MAIS DO QUE ENSINEI.
Camarigos, um obrigado e bem hajam pela vossa presença.
Até para o ano se Deus quiser.
Monteiro (28/6/2014)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

40º Aniversário dos Amigos de Madina Mandinga


Caros amigos
Recordar no presente ano de 2014, os factos e acontecimentos ocorridos no decurso de 40 anos, é um longo caminho, em que a linha do horizonte das nossas memórias, nunca esquecerá.
Lentamente o sol se apaga nos campos, montes e mares, mas deixa-nos a promessa de renascer cada dia.
Nestes tempos de crise, de dificuldades de ordem vária, a divina providência que tanto regula as sombras como a luz dos tempos vários, decerto que, nos encherá a todos e cada um em particular, com a luz da fé e da esperança de tempos melhores, onde a esperança brilhará como sol infinito do espaço.
A nossa festa, é sempre um tempo novo, onde cada um espelha no presente, o passado, e ele ”passado”, é uma página do nosso ser pessoal, é um rosto que vai amadurecendo a visão dos nossos sentimentos e afectos que foram escritos em tempos vários.
A nossa festa, é um colar de 40 pedras preciosas, pintadas da forma e cor que cada um desenhou no seu imaginário. Cada pedra tem um tom e uma sonoridade tímbrica especial, que o coração depositou para a sua conjectura final.
Que este colar, continue o ciclo da vida, da alegria e da amizade fraterna que depositamos em cada um, que são os outros, que formam o nosso círculo.
Que o tempo não empobreça nem apague com a sua sombra, o resto do calor solar que sobra ao nosso número.
Aos que já partiram, faz longo tempo, para a ala da paz, não esqueçamos um momento de silêncio em memória daquele que nos deixou recentemente, tendo na certeza da fé que cada um foi instruído, acreditar que ele “Tio Brito”, também estará a regozijar, este momento tão especial. Que a alegria dele, a sua disposição, permaneça sempre viva no grupo que, hoje celebra mais um encontro com o número que somos e estamos no presente.
Invocar a nossa atitude de crentes e das nossas personalidades, é tempo de recordar e de afirmar que antes do 25 de Abril de 1974, e decorridos os já 40 anos, já trazíamos as insígnias da oposição, em que vestidos de uniformes militares, carregados de sinais bélicos nos braços e cinturas, (armas, cartuxos, granadas de mão e outros), cada qual invocava no seu interior e, em silêncio, a convicção de, estarmos despidos das armas e das fardas, e que em seu lugar, carregados, trouxemos e levamos, flores, pão, frutos e sinais de um suor árduo.
Este pensamento, faz-nos aliar ao símbolo de “Os Leões de Madina Mandinga”, porque reforça a nossa atitude, a força, a coragem e a valentia de tudo enfrentar sem conflitos, mas com um sinal de fraternidade e amizade.
Que o nosso símbolo, “Leões de Madina” se fixe sempre naquilo que fomos, e continuaremos a sê-lo na via de cada dia, marcando sinais humanos de respeito mútuo e coragem, procurando valorizar o que somos na continuidade da alegria e amizade que nos faz reunir em cada ano.
Que os nossos passos se firmem caminhando.
Que nossos olhos se tornem claros, e torne visíveis o oculto do homem perverso.
Que nossas vozes, cantem falando as vozes das coisas que sentimos.
Que seja sempre assim, o nosso testemunho de homens e amigos.
Não pretendo alongar-me, mas apenas deixar um registo pessoal, dirigindo algumas palavras pobres e soltas, mas com saudades de todos vós.
Que esta festa, seja sempre uma festa em qualquer parte ou momento das nossas vidas, e ao despedirmo-nos, os nossos sorrisos e abraços, sejam sempre com um sentido de fraterna amizade, e que as nossas vozes se elevem de alegria.
Um Grande Abraço a todos Vós.
José Graça Gaipo – Ponta Delgada, Açores.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

CONVÍVIO 2014 - LEIRIA

Camarigos de Madina:
Cá estou de novo, mas desta vez, não é para vos falar de "bajudas" (até vos babastes todos) foi só recordar a juventude irrequieta que havia em todos nós, pois com tanta "fruta", para degustar e conviver, deixa-nos saudades esses tempos idos.
Hoje vou falar-vos da nossa concentração, para mais uma acção psicológica, desta vez na Tabanca de Leiria cujo Homem Grande é o Paulino.
Sei que não está fácil, fazer esta coluna para reabastecimento, mas aqui, tal como lá, temos de ser voluntários e dar uma de durões. Temos de comparecer à chamada de todos os nossos companheiros que, como já é apanágio da família de Madina, estamos sempre presentes ao convite.
Como sabemos, este, tal como os anteriores, vai ser um convívio onde iremos encontrar os nossos Camarigos que passaram a ser nossos irmãos e no qual, além de comermos, bebermos e conversarmos, teremos tempo para recordar os bons e os maus (poucos) momentos que por lá passamos e nos revermos, o que para nós já vai sendo muito bom.
A cidade de Leiria e seu Castelo
O tempo vai passando, e uma coisa é certa, nesta fase das nossas vidas, ao contrário dos jovens para quem os dias são curtos e os anos são longos, para nós os dias são longos e os anos são curtos. Por isto mesmo temos de aproveitar o que a vida nos dá do seu melhor.
Camarigo, comparece e trás a tua família e amigos, pois eles também já fazem parte da nossa família de Madina.
Este vai ser um convívio de arromba no qual, se nos apetecer comer, nós comemos; se nos apetecer beber nós bebemos; mas se nos apetecer trabalhar, nós dormimos e aguardamos que a vontade passe, porque é dia de festa.
COMPARECE no dia 28 de Junho, pelas 11H30, em Azóia, próximo da cidade de Leiria.
Um abraço e bem hajam - Monteiro (manhiça).

terça-feira, 3 de junho de 2014

Retalhos de Madina - AS LAVADEIRAS

Caros Camarigos;
hoje, em mais uma escrita de nostalgia e para alegrar as nossas mentes, e com o passar do tempo já vão ficando enevoadas, fruto do cacimbo que por lá apanhamos, mas também pelos muitos anos que já passaram, vamos recordar as nossas lavadeiras. As nossas queridas "bajudas" que jovens ou menos jovens, foram de uma ajuda extraordinária.
Havia-as de todos os feitios e beleza. Eram novas, velhas, feias, bonitas, peitudas, enfim podíamos escolher qual a que mais nos servia para tratar e cuidar da nossa roupa.
As nossas amigas lavadeiras eram de Madina Mandinga, mas muitas vinham diariamente da tabanca vizinha de Ieromaro, a não ser que o IN estivesse na nossa zona e então nem punham lá os pés, o que para nós até era um alerta.  
Era certo e sabido que de quando em vez, lá desaparecia uma peça de roupa, sendo a mais usual uns slipes que na altura era "manga de ronco".
Passavam trabalhos imensos para levar a sua empreitada a bom porto. No tempo seco era um tormento arranjarem água para lavar a roupa, mas como havia certos privilegiados que tinham sempre água armazenada em bidões, então só a concediam às suas lavadeiras e em troca eram arranjados alguns favores (não pensem em asneiras), tais como descontos no preço, roupa bem dobradinha e dada a ferro, etc..
Os preços eram variados, pois havia uma hierarquia. Para o Capitão o preço era mais elevado. Os Alferes pagavam um pouquito menos. Já os Sargentos tinham um desconto maior e os Soldados pagavam menos. 
As lavadeiras também tinham entre elas um certo estatuto. Assim a lavadeira do Capitão era quase como a 1ª dama das lavadeiras, seguida das dos oficiais. As dos sargentos, não sei porquê, tinham um estatuto aparte, então a de certos Magnórios, tinham sempre água e sabão. 
O sabão era muito cobiçado e era distribuído e vendido pela figura do Zé Gato, que com grande mestria fazia quase sempre o milagre da multiplicação, pois de uma barra de sabão dava para imenso retalho.
Esta era a Hima, em 4/11/1973
Às nossas "bajudas" das quais todos os militares têm fotos, e que ao fim de estes anos todos ainda são uma recordação da nossa juventude, um muito obrigado. Elas fizeram parte do nosso dia a dia e não há militar nenhum que não se lembre, com saudade e carinho, as risadas alegres, os seus cantares e porque não dizer em alguns casos os seus corpos lindos e achocolatados que nos faziam recordar quem nós tínhamos aqui no Continente.
Aqui fica o meu tributo a quem mais ou menos nos ajudou a mitigar a saudade dos nossos ente queridos. Um bem hajam e um até sempre.
Monteiro, (Manhiça).

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Que a mansão eterna de Deus, o repouse, na ala da paz


por José Graça Gaipo
A notícia foi curta e breve, mas escurecida de alguma dor quando, os amigos partem deixando a saudade das muitas coisas que a vida humana teceu ao longo de um tempo, que, não pára a sua rotação.
Falar dos amigos enquanto vivos, é sempre bom. É testemunhar actos humanos, é descortinar e recordar nos tempos (o presente e o passado), aquilo que a sua capacidade intelectual, foi capaz de criar no bom sentido, de forma a tornar os actos atraentes e sem qualquer condicionalismo.
Falar de Fernando Brito, mais conhecido por “Tio Brito, tracto familiar”, como de filhos se tratassem naquela conjuntura de tempo e ambiente de guerra, transporta-nos a todos, reconhecer a figura destacável que ele foi, como Homem, Pai de família, como cidadão na linha ética e intelectual, e também como profissional na conduta do cumprimento dos deveres e direitos, ao longo da sua carreira militar.
Como Homem e Pai, foi sempre digno de merecedor respeito, embora a sua condição profissional por onde enveredara, e na distância africana, mantinha sempre presente na sua mente, a família e os filhos. Falava deles, com brilho não só nos olhos, mas também nos lábios e na forma como os ditava ou soletrava seus nomes, com um sorriso aberto de bendizer, criando neles um estado de viver alegre.
Como amigo, soube sempre conjugar e distinguir a linha humana da profissional, mantendo uma conduta de diálogo, um sabedor ouvinte de olhos fitos naqueles que escutava, como que a ler o interior do outro, um conselheiro experiente, onde se podia depositar confiança, acolhedor de amizades, onde a sua visão, respondia sempre numa linguagem amiga e carinhosa numa perspectiva de longo prazo, revelando sempre uma atitude e predisposição de pai, que escuta e acolhe o filho para o aconselhar e dar um rumo que lhe garantisse uma possível sobrevivência humana e realização pessoal.
Como cidadão ético, primava pela assertividade das coisas e dos factos, procurando a simplicidade sem dificultar fosse o que fosse. Tinha um coração sempre aberto e disposto a uma coragem de enfrentar por vezes artimanhas de gestos e atitudes de jogos menos positivos. Era muito prudente, com uma visão que por vezes não lhe era tolerável competir com o que sonhara. Era cuidadoso em tudo que projectava, e com facilidade lia bem nos contornos, linguagens e interpretava raciocínios, gestos e atitudes menos correctas.
Era perspicaz e persistente nas suas ideias e decisões, procurando sempre dentro dos possíveis e razoáveis limites conseguir objectivos planificados e em ordem ao bem comum da comunidade militar de Madina Mandinga.
Como profissional, era um homem competente, procurando saber sempre relacionar a atitude e forma profissional no campo da acção, para que, o ser e estar na vida, não deixasse dúvidas quanto ao cumprimento dos deveres e obrigações militares, como profissional do quadro.
Como amigo, de todos e em particular, cada um e cada qual, poderá ajuizar o que as consciências ditarem, mas tenho a certeza e não dúvidas, de que foi na maioria das vezes, um amigo com nome de Pai. Era um amigo digno de ser ouvido e respeitado, independentemente do seu grau na função militar e de profissional.
Recordá-lo quotidianamente, não é um favor, é um sentimento carinhoso que todos, o devemos, porque ele foi o caminheiro indicador de muitas situações, apelando sempre ao bem-estar das nossas vidas, que nada nos faltasse em tempos de tanta hostilidade bélica.
Ele, era uma rocha firme em quem se confiava de mão aberta e em quem podíamos falar, desabafar coisas e lousas desde o particular ao geral de nossas vidas e atitudes.
Estamos em tempo próprio de pensar um pouco mais nele, Tio Brito,  que, recentemente nos deixou e, decerto que, seu espírito descansa na ala da Paz, onde os mortos, são os vivos da Nova Páscoa, da Ressurreição em Cristo.
É tempo de dizermos e de anunciarmos, a quem quer que seja, que vamos por todos os caminhos, onde não há rotundas nem cruzamentos, mas sim direccionados num sentido, o da grande amizade, e que ela “amizade” habite sempre em nós, independentemente do tempo e do lugar, do sofrimento ou tristeza em que nos encontremos, mas que a firmeza da alegria nos faça viver caminhando.
Ao grande caminheiro que esteve connosco, lado a lado em terra africana, Guiné, apetece-me dedicar-lhe este belo poema, escrito na década de 1968-1970, sem qualquer previsão do 25 de Abril.
     Vão por todos os caminhos
1-Vão por todos os caminhos
    os irmãos injustiçados
    que transformaram a vida
    na beleza duma flor
    com a mensagem do Senhor, Aleluia!

   Também vão os torturados
   os mendigos e os poetas
   as crianças desgarradas
   e os suspensos pela dor,
   com a mensagem do Senhor, Aleluia!
           Coro
           E clamam os Homens
           este canto de louvor;
           Coro de caridade,
           Evangelho do Amor- Aleluia! Aleluia! Aleluia!

2-Vão por todos os caminhos
   os irmãos da nossa porta
   que nos trazem um sorriso
   feito de Paz e Amor,
   É a mensagem do Senhor, Aleluia!

   Os soldados, que despidos
  das armas e das fardas,
  trazem  flores trazem pão
- um fruto do seu suor,
  É a mensagem do Senhor, Aleluia.
                                                         (Texto de A. Oliveira)
Nota: Este poema, pertenceu e pertence à Missa da Esperança, que foi cantada clandestinamente à porta fechada, na Igreja da Calhete, Ilha de S. Jorge, para que a PIDE, não nos surpreendesse, pois estávamos em missão de acampamento e diversão cultural sócio religiosa, em Agosto.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

40 anos de Abril

Abril de 1974 - Tempo de Primavera
Na Era do nosso tempo, na Província da Guiné
Madina Mandinga
Abril, é o mês quarto de cada ano, tempo em que a primavera desponta os seus primeiros verdes, e com eles, as cores e os cheiros que se esvoaçam na atmosfera ambiental, anunciando as primeiras flores que se transformam em frutos de nova geração.
Abril de 1974, despontou e despertou novos rumos aos que, (in) clausurados por arames farpados, (in) conscientes, se foram da lei militar libertando, deixando adormecidas as armas, que estendidas no chão, ficaram inertes na espera da nova esperança.
O sol, das manhãs de Abril, apareceram brilhando mais claras, mas o calor humedecido pela têmpera geográfica, estas mantinham-se como as demais em cada tempo de passagem e de espera.
As fileiras de notícias verdes e ramos vermelhos de cravos acalorados, apenas foram surgindo através de comunicações/notícias, que no longe, transpuseram ao nosso imaginário sinais e cenários contemporâneos, deixando nas clareiras de céu aberto, as armas que continham a força e o desespero de tudo libertar, colocando no obscuro e na distância, a vingança do inimigo, que na sua mensagem diária, trazia a destruição expressa do mote, o apontador da morte.
Nos actos de liberdade, há sempre lugar a momentos estranhos com direcções incertas abatendo homens límpidos de viver e construir sonhos sonhados e (in) pensados. 
A certeza dos actos, são tempos que marcam os projectos de vida e de construção, para dar lugar a outros viventes. 
Sentir Abril, é um mês que marcou gerações passadas, presentes e contemporâneas, que na sua percepção exprimem contornos de linguagens de variados estilos e sensações cromáticas.
Hoje, Abril, parece desfigurado e desvalorizado para os fins a que foi criado ou nascido, porque as instituições estatais ainda não entenderam os esforços de um povo em reabilitar a democracia adormecida durante uma quarentena de anos. 
Abril, ainda é tempo, é um mês criativo de ser pintado de verdes e vermelhos em todas as direcções do registo que aponta os pontos cardeais, não fazendo distinções de povos, raças e línguas e diferenças sociais.
O espírito de Abril, é um arco-íris que penetra na atmosfera recebendo a luz solar humedecida para tornar mais clara a luz branca, que, a humanidade necessita para criar uma nova atmosfera da vida colorida, pintando no céu sem qualquer esquadria, o célebre arco-íris, visível a todos em larga distância, anunciando que a bruma cinzenta se faz clara e renovada. 
Sem Abril e sem luz, o caminho aberto à visão do pensamento não teve a percepção do flagelo da vida, que nos anos de ditadura, criaram ambientes confrangedores alimentando os movimentos antinacionais.
Abril, nasce todos os anos, e cada um a seu tempo, mais desgastado dos seus intrínsecos valores nacionais que aprendemos na geografia e história de um património cultural, muito destruído. 
José Graça Gaipo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Santa e Feliz Páscoa 2014

Nesta data especial em que nós os Cristãos, celebramos a Ressurreição de JESUS CRISTO, ou seja a Vida, vimos desejar a todos os Camarigos de Madina uma feliz Páscoa em reunião com todos os familiares mais próximos.
Recordemos com saudade e a nostalgia de 40 anos passados, sobre a Páscoa vivida em Madina.
Éramos crianças feitos homens, a juventude dava-nos uma irreverência que por vezes sendo irresponsável, também era libertadora de todo um medo e stress, que mesmo para nós, bafejados pela argúcia e talento de dois chefes em saberem ter arte e engenho, para que o nosso local de estacionamento por terras Africanas, mesmo com certo grau de perigosidade, fosse um local aprazível e à data fosse considerado um Resort de luxo, mediante o que se nos deparava aquando de visita a outros aquartelamentos.
As lembranças passados estes anos todos já se vão esvanecendo pelos confins do baú das minhas memórias e já é com dificuldade que vão aparecendo flaches de um dia passado em comunhão, respeitando a tradição das nossas queridas terrinhas, talvez até com rancho muito melhorado e vestindo as nossas roupas civis, para passear pelo perímetro do arame farpado e enganar as saudades da família e dos nossos ente queridos, para tirar umas bonitas férias para mais tarde recordar.
Para todos vós, renovo os votos para que a vossa Páscoa seja feliz e a minha gratidão e amizade será eterna, visto termos feito este caminho caminhando. De todos vós RECEBI mais do que DEI - TIVE mais do que MERECI - APRENDI mais do que ENSINEI.
Sejam felizes, boa Páscoa
Monteiro (Manhiça).

quarta-feira, 16 de abril de 2014

As minhas Saudações Pascais


A Páscoa, não é um acontecimento do passado, mas sim um tempo em que a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo, continuam a suscitar a perplexidade dos incrédulos. Os cristãos e a igreja, revivem com fé e esperança, ontem como hoje, estes momentos do mistério essencial do cristianismo:
Que a Nova Páscoa de Cristo Ressuscitado, faça de nós, Homens Novos.
Que o dia glorioso, o Domingo de Páscoa e Ressurreição de Cristo, irradie na alegria da mais bela primavera toda a nossa vida e, a de cada um em particular, e que a Paz do Céu à terra, floresça sempre de frescas rosas, e que encha das mais formosas harmonias.
A Todos, um abraço amigo, com desejo de uma Santa e Feliz Páscoa.
 Ponta Delgada, 16 de Abril de 2014
José Graça Gaipo