terça-feira, 16 de julho de 2013

SUGESTÕES DE ARTIGOS P/ O BLOGUE


Acabo de ler o artigo do Camarigo Monteiro sobre o encontro convívio de 2013. No final ele faz um apelo à leitura mais assídua do blogue, solicitando também mais documentação, fotos e outras coisas que poderão enriquecer o nosso blogue, para que num futuro  in  tempore, seja lido e apreciado pelos netos e outras gerações.
Nos meus escritos e nas nossas conversas tenho dito tanta coisa, contribuído com ideias, mas até ao momento nada se vê, da parte dos leitores que frequentam o nosso blogue.
Já tenho em alinhamento, o levantamento do dia-a-dia de Madina, mas parece-me que não tem qualquer valia, pois as pessoas não se manifestam, não são capazes de fazerem um  comentário casuístico ou de causa.
Reler os nossos jornais, é bom mas não chega, porque aquilo apenas foi uma forma de registo ou arquivo  o qual ficou incompleto dadas as razões do pós 25 de Abril de 1974. Na altura estávamos muito limitados às informações, às notícias e outros meios de comunicação.
Por isso, agora eu fazia um apelo como o já fiz há tempos atrás, que escrevêssemos as nossas memórias e outras situações que possam merecer num futuro algum interesse  como complemento das vivências na época da guerra colonial, as dificuldades de comunicações, de relações populacionais, etc, etc, etc.
Tencionava, que todos contassem Madina Mandiga, Dara, Nova Lamego, Cumuré, Bissau, os dias no navio Niassa, etc. etc., mas ninguém se digna pintar em escrita aqueles cenários que são o inicio da nossa história.
Descrever as visitas às comunidades populacionais locais, apontando as razões e motivos de tais contactos, o que se trazia em troca dos diálogos, que tipos de diálogos, com quem eram chamados ao diálogo, etc.
Não poderão os nossos netos ou gerações futuras perceber o que fomos, e  o que fizemos,  nem entender o porquê das razões do que fomos e fizemos, se não tivermos  em escrito o  início da nossa história.
É minha intenção propor aos amigos Costa e Monteiro que no próximo ano, fosse compilado um pequeno volume em que lá estivessem  escritas ou contadas  e dividido por capítulos, o mais resumido possível, as partes mais interessantes da nossa história, de peripécias acontecidas, algumas cenas caricatas que merecem ser recordadas, algumas ementas de refeições, as visitas a Nova Lamego e  suas pequenas histórias acontecidas etc, etc.
Há coisas já solicitadas como as entrevistas, os inquéritos sobre algumas situações, mas nada se vê nem se ouve. Estamos limitados a escritos de alguns artigos esporádicos, de informações, de relatos de convívios. Tudo isso é bom mas continua a ser muito pouco. Sei que nem todos estão disponíveis, mas tirar um pouco do nosso lazer para este fim, não é pedir muito.
Um abraço amigo, José Graça Gaipo

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Convívio 2013-Intervenção do Camarigo Monteiro

Caros Companheiros; Capitão; minhas Senhoras; Srs. Convidados.
Cá estamos mais um ano, com a graça de Deus, na festa da Família de Madina, para conviver e recordar toda a nossa vivência por terras africanas. É costume dizer-se que a SAUDADE É A MEMÓRIA DO NOSSO CORAÇÃO, o que para nós é uma verdade indesmentível, porque as nossas festas/convívios, são para extravasarmos a alegria e emoção de mais um ano que passou e relembrarmos com saudade a nossa juventude, pois ela foi feita de coisas boas e de muitas tolices.
Ao recordarmos essa juventude, não ficamos atormentados por tudo de bom ou de mau que fizemos. Ficamos, sim, tristes por não termos idade para as podermos fazer de novo, pois mesmo não tendo idade, temos vida, e agora em que estamos a sair daquela fase da vida chamada VELHICE DOS NOVOS e entramos na JUVENTUDE DOS VELHOS, sentimos mais o tempo a passar, mas ficamos com a certeza que AMIGOS COMO VOCÊS, SE SÃO DIFÍCEIS DE ENCONTRAR, MAIS DIFÍCEIS SÃO DE ESQUECER.
Camarigos, como é bom estarmos reunidos e sentir esta energia positiva de alegria e amizade.
Companheiros, ao alinhavar este pequeno texto e para o qual tento passar o que me vai na alma e no coração, dou por mim a desfolhar jornais editados na nossa 1ªBart (editor e redactor Zé Gaipo) e reparo nos escritos do nosso Capitão Zé Luís, datados de 1973, os quais já eram uma premunição do que seria a nossa família de Madina, senão vejamos (com a devida vénia passo a ler): "NESTA MEDITAÇÃO DE UMA NOITE BEM IGUAL À DE TANTAS OUTRAS, HÁ UM LUGAR MUITO ESPECIAL RESERVADO A TODOS AQUELES QUE EM NOSSO REDOR FORMAM EM TÃO BOA HORA A CHAMADA 1ªCART." (Cap.Mil. Zé Luís - jornal de Madina de 73) .
Outro escrito: "QUANDO REGRESSARMOS À METRÓPOLE E CADA UM SEGUIR PARA O SEU LADO, LEVAREMOS NO CORAÇÃO UMA SÃ CAMARADAGEM, UMA AMIZADE QUE NÃO SE EXTINGUIRÁ, A RECORDAÇÃO DOS MOMENTOS BONS E MAUS QUE PASSAMOS JUNTOS". (Cap.Mil: Zé Luis - Jornal de Madina 73) .
Hoje passados 40 anos, ou prestes a faze-los, é com alegria que constato o quanto foram certeiros os escritos do nosso Capitão.
Camarigos, este convívio que ora vivemos, é o corolário de um ano cheio de trabalho e canseiras, reuniões e discussões, pois não imaginais o que é aturar o chefe Costa, nunca está tudo bem, falta sempre alguma coisa. Tenho de o aturar, pois estou convencido que é o meu KARMA. (mas também não sou fácil de aturar).
Amigos, mais uma vez vou voltar a falar do nosso Blog. Felizmente reparo que já temos companheiros que nos lêem e visitam com alguma regularidade, mas nós gostávamos que fossem mais participativos e intervenientes (felizmente o Zé Gaipo despertou e começou a presentear-nos com as suas sempre belas prosas). Apelo ás pessoas que escrevam pois nós postaremos tudo e continuem a mandar fotos.
Sei que baixinho me estais a mandar calar, (o respeitinho é muito bonito) mas sabeis que há coisas que podemos melhorar e eu, nós queremos, vamos ser diferentes, para que o nosso blog seja um marco e que tenha um lugar em memórias futuras, para que os nossos netos tenham ainda mais vaidade nos avós. Eu, pela minha parte, logo que eles saibam ler, este blog será um manancial de informação e inspiração, onde eles saberão que o avô fez parte de uma Companhia constituída por heróis e que essa companhia foi, é e será a 1ª Cart do Bart 6523. VIVA A 1ª CART. Fiquem bem e até para o ano.
Monteiro ( Manhiça )

sábado, 29 de junho de 2013

CONVÍVIO 2013

                                         VISEU - QUINTA DOS COMPADRES
Camarigos, decorreu hoje dia 29 de Junho o convívio da nossa 1ª Car / Bart 6523, o qual, e como é apanágio da nossa família, decorreu ao melhor estilo dos "LEÕES DE MADINA MANDINGA".
Foram muitos os Irmãos que compareceram e disseram presente, o que é motivo de satisfação e orgulho porque vemos recompensados todos os cansaços que temos ao longo do ano para que tudo esteja nos conformes a que já todos estamos habituados.
Muito se conviveu e conversou, também se comeu e bebeu, tudo dentro das boas maneiras, até porque estavam presentes muitos familiares dos militares de Madina  ««e o respeitinho é muito bonito»».
Demos as boas vindas a companheiros que vieram pela 1ª vez, e que por vários motivos nunca tinham estado nos nossos convívios.
Amigos, por hoje é apenas um pequeno apontamento e uma foto do grupo todo, incluindo os nossos familiares.
Nos próximos dias iremos postando mais fotos e artigos. Até lá fiquem bem. Monteiro (Manhiça)

sábado, 15 de junho de 2013

Tachegar!

Olá Camarigos.
Está tudo bem disposto, com o aproximar do n/ encontro?
Vamos então deixar as lamentações para mais adiante, não dar boleia à crise, pensar na "trinka" e não na troika, preparar aquele abraço que tão bem sabe após um ano de ausência.
Ao meu amigo Patrício vou pedir, que fales com os compadres da tua terra, para arranjarem um "xaropito" que tomado ao fim da tarde, à noite faz muito bem!!!
Um abração do enfº Freitas

quinta-feira, 6 de junho de 2013

MOBILIZAÇÃO GERAL

CAMARIGOS DE MADINA, familiares!
O dia aproxima-se e cá estou eu, qual pregador, a dizer-vos, de modo especial às Camarigas de Madina, que não deixem passar a data do dia 29 de Junho, dia do nosso grande encontro, para lembrarem a esses "velhos" que têm de vir ao almoço. Sei que muitos deles vão argumentar que já não têm validade para comer ou passear, mas vocês, digam-lhes que eles ainda são jovens e que o prazo de validade foi renovado, as artroses e bicos de papagaio, vão logo passar, «uma mentira dita várias vezes passa a ser verdade».
Camarigos, o Costa (patrão), eu e mais alguns, andamos um ano inteiro a pensar no nosso encontro e a tentar fazer sempre melhor e mais barato,  sempre à cata de ideias. Enfim numa correria que só na nossa juventude é que fazíamos igual, pois nessa altura, tal como agora, vivíamos com a mesma alegria, saudade, carinho, emoção, sentimentos que são dispensados aos nossos familiares e que agora são dedicados há familia de Madina.
Camarigos, sei que não está fácil, mas nós HOMENS DE MADINA sempre soubemos fazer do POUCO MUITO, e por isso mesmo os nossos encontros tem sida francamente positivos. Podíamos ter mais Camarigos? Podíamos. Queríamos mais familiares? Queríamos - mas a vida é mesmo isto. Camarigos, façam um esforço para estarem presentes porque par

a nós e de certeza para os demais companheiros, é nestes encontros que nós nos apercebemos que a vida é para ser vivida com as pessoas que nos são queridas, e não digam que é longe, porque para essa lenga lenga, temos o exemplo do grande Simão que vem de Mora, (sai dois dias antes, é alentejano ) e o Inácio que vem lá dos confins do Algarve.
Camarigos, tenham presente no vosso espírito que por mais longo que seja o caminho, para nos encontrarmos com os amigos nunca é longe de mais.
Um abraço do Monteiro ( Manhiça )

sábado, 25 de maio de 2013

Boleia

Caros amigos, Camarigos; ontem recebi um telefonema do nosso Capitão Zé Luis no qual ele me dizia que esta semana recebeu a visita do Pedro, o ex.FurMil. Ele ficou admirado mas o Pedro foi-lhe comunicar que gostava de comparecer ao nosso convívio que vai realizar-se no próximo mês de Junho em Viseu, na Quinta dos Compadres, restaurante que nos trás boas recordações. Gostava que lhe dessem boleia. Ele vive agora em S. Martinho do Porto. Camarigos, gostava que se algum de vós tem possibilidades de o apanhar que me comunique, pois é um Camarigo que tem vontade de vir e não podemos deixar que esse seu desejo não se realize. Desde já agradeço a boa vontade de qualquer Camarigo que se disponibilize. Um abraço do Camarigo Monteiro (Manhiça).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Guiné-Bissau em vez do Algarve

(artigo publicado na revista mensal da Ordem dos Médicos de Março de 2013)
Três jovens médicos decidiram trocar os prometidos e merecidos dias de lazer no agradável e apetecido Algarve por um trabalho de voluntariado na quase desconhecida Guiné-Bissau, onde a democracia custa a enraizar.
No Verão de 2012 resolvemos dar as mãos e o nosso saber a quem precisa e nada tem, acalentando a esperança que o nosso modesto exemplo possa vir a contagiar outros agentes de saúde em Portugal.
A Guiné-Bissau é um pequeno país da costa ocidental africana, com uma área geográfica do tamanho aproximado da região norte de Portugal.
Rodeado de países francófonos adoptou a língua portuguesa, testemunho duma convivência secular que, apesar das guerras pela independência, geraram também um clima de fraternidade que todos devemos zelar e recriar.
Coexistem ali mais de 28 etnias de características morfológicas, cultura, religião e línguas diferentes, somando uma população de 1,5 milhões de pessoas mais concentrados nas maiores cidades.
Do programa organizado e dado a conhecer previamente ao Senhor Ministro da Saúde da Guiné-Bissau, constava a passagem pelos hospitais da capital, participar nos trabalhos quotidianos de consulta, visita a enfermarias, cuidados assistenciais de pequena cirurgia e ainda uma visita ao interior do país, não como mera curiosidade, mas sobretudo para ficar com uma ideia das conhecidas limitações de recursos humanos e tecnologia que tanto contribuem para o sofrimento das populações.
A saída de Lisboa verificou-se na noite de 23 de Novembro, num voo tranquilo da nossa TAP e que cerca de 4 horas depois nos deixou no aeroporto Osvaldo Vieira (Bissalanca), uma realidade bem diferente daquela que havíamos deixado no aeroporto de Lisboa.
Ficamos hospedados na Casa Emanuel, uma missão bem conhecida e respeitada pelo notável trabalho que desde há muitos anos vem prestando à população guineense, especialmente às crianças. Na realidade são mais de 150 crianças que nesta prestigiada instituição são acolhidas, educadas e assistidas nos seus problemas de saúde, aptas a enfrentar o futuro.
A energia eléctrica, o principal problema do país, é aqui fornecida por geradores e mesmo assim subutilizada para serviços não públicos.
A convite do colega, Dr. Luís Gonçalves, distinto oftalmologista do Hospital de Guimarães, que tem prestado um excelente serviço às populações, no campo do despiste e tratamento incluindo cirurgias, visitamos demoradamente o Hospital de Cumura e uma pequena comunidade em tratamento da doença de Hansen.
Deslocámo-nos ao interior, visitando a cidade de Bafatá e Gabú (antiga Nova Lamego), onde o panorama assistencial tem muitas e manifestas limitações, apesar da presença de alguns agentes de saúde portugueses e do apoio de organizações não-governamentais que neste país desenvolvem uma acção meritória.
Nesta região e durante três dias, fizemos consultas e prestamos os cuidados médicos possíveis aos residentes, na Tabanca Cruzante, muito próximo de Quebo, na fronteira com a Guiné Conacri.
Por último, visitamos uma das ilhas do deslumbrante arquipélago dos Bijagós, onde soubemos que não recebiam qualquer visita médica há mais de um ano. De facto as populações da ilha de Uno receberam-nos com grande entusiasmo e o acolhimento foi caloroso, o que ficou bem traduzido nas palavras que a responsável política local nos dirigiu. Ouvimos atentamente e assistimos o maior número de pessoas que nos foi possível, distribuímos medicamentos e fizemos algumas ofertas de roupa para crianças, sendo certo que tudo isto nos deixou marcas inesquecíveis.   
No rescaldo desta visita, quando nos reunimos para analisar os frutos do nosso trabalho, foi opinião unânime que tinha valido a pena. Acima de tudo, soubemos ser solidários com gente necessitada, repartimos os bens que previamente havíamos reunido e ficámos com a certeza de que o peso do passado de convivência histórico e o facto de falarmos a mesma língua nos remete para a obrigação de alargarmos e aprofundarmos a cooperação com este país de gente boa e simpática.
Artigo transcrito por António Costa, filho.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A noite de 14Set1973, em Madina

Todos nos lembramos daquele início de noite de 14SET1973, em Madina Mandinga. Acontecia o 1º ataque  ao nosso aquartelamento. 
Os velhinhos tinham abalado uns dias antes e, quase de surpresa, os piriquitos lá começaram a "embrulhar". Os primeiros instantes foram de alguma confusão, como é natural. Mas rapidamente todos os combatentes de Madina assumiram as suas responsabilidades e a situação foi de imediato controlada. Passados 7 minutos do início do ataque já o IN se punha em fuga, deixando algum material no local.
Felizmente não resultaram danos físicos nas nossas tropas. Apenas danos materiais e a perda de alguns bidões de vinho..., que não se bebeu.
Foi a primeira vez que ficamos debaixo de fogo e felizmente correu tudo bem. Muito se deve ao facto dos nossos homens, terem por hábito, ficarem à conversa junto e ao longo das valas, no início da noite e até cerca das 23H30. Esta era sempre uma recomendação do nosso Capitão. 
Todo este episódio de guerra está descrito no "Relatório da Flagelação IN a Madina" elaborado na altura.  Nele se narra o que aconteceu nessa noite e no dia seguinte.
Um exemplar desse importante relatório encontra-se disponível no nosso blog em "Documentos", onde pode ser consultado. Embora a cópia não esteja nas melhores condições, todavia com alguma concentração consegue-se ler todo o texto.
Agradecemos ao nosso amigo Capitão Zé Luís a disponibilidade deste relatório.
António Costa

sexta-feira, 12 de abril de 2013

OLHAR MADINA MANDINGA

Descrição física e ambiente de Madina
Deixado o Destacamento de DARA, da responsabilidade e comando da 1ª Companhia BART 6523, entramos em estrada asfaltada e, após percorrer cerca de 5Kms, e num desvio, encontramos à direita um caminho de terra batida, que praticamente era picada, para manter as seguranças solicitadas por outras companhias em missão bélica.
No percurso, e de olhar desperto em todas as direcções, uma densa vegetação nos entra pela retina visual. No meio de variados tons de verdes, sobressaía um matizado de cores que, só um registo digital poderá captar a sua real produção paisagística.
Pelo meio da vegetação, algumas bolanhas onde fertilizavam as cerealiculturas indispensáveis à alimentação e sobrevivência dos nativos.
De onde em onde, árvores de grande e pequeno porte, apresentavam-se queimadas por terem sido atingidas por raios fortíssimos que, durante a época das chuvas, eram normais, em simultâneo com os vendavais, anunciadores de tempestade passageira, mas perigosa dada a baixa e densa humidade climatérica, o que em zonas ou terrenos mais carregados de H2O, faziam atrair o raio potenciador de destruição.
A par daqueles troncos queimados que lhe davam uma certa e imponente beleza, outras obras arquitectónicas, os “baga-baga”, espécie de santuários edificados por formigas vermelhas. Estavam produzidos e esculpidos em arte tosca e natural, construídos e erguidos em tons quentes, formando como se fossem pequenas torres dispersas, imitando castelos.
A estrada, uma picada de terra batida, era ondulada de altos e baixos no contraste cinzento do solo nada acidentado, mas obrigava a um movimento de olhares à densa vegetação de arvoredo e capim.
O Outono não dava espaço à criatividade colorida que a natureza por si mesmo criara. Tudo era e parecia estranho àquela fértil natureza.
A par desta soberba paisagem, entramos no quartel de Madina Mandinga, cercado de arame farpado, com holofotes de alta voltagem e dispositivos detonantes preparados e distanciados entre si, no sentido de garantirem uma visualização e segurança, de modo a impedir a entrada de pessoas ou forças estranhas no recinto dos habitantes da 1ª comp/bart 6523.
No interior da protecção metálica, (arame farpado), o casario de cor branca, dava um ar de segurança e pacificação a quem lá entrava. O contraste térreo da parada, dava-lhe um aspecto solene num conjunto arquitectónico simples, coberta de chapa metálica cinzenta, aparentando uma pequena mansão solarenga e dividida em pequenos compartimentos que serviam de habitações, onde a Missão militar, podia em tempo certo e oportuno, pernoitar e descansar o seu sono isento de preocupações inexplicáveis.
As manhãs entravam cedo e, aquecidas de humidade, provocavam corpos melados que convidavam à não apetência ao uso de vestuário militar ou até mesmo do traje civil.
Com o andar do tempo, a adaptação foi ocupando o gosto, o seu lugar, e a sensibilidade de se acomodarem, sendo finalmente ajustada ao “modus vivendi”, maneiras de viver.
O véspero era um momento consolador de apreciação. Os seus ocasos, recheados de coloridos inesquecíveis que nos obrigavam a refectir, pensar e admirar em jeito de contemplação, escrever no nosso imaginário a construção de jogos de palavras associados à plástica de pensamentos estéticos, para assim, descrever os grandes momentos inesquecíveis que a natureza nos mostra e nos oferece, sem que tenhamos a oportunidade de relação e de diálogo com ela, para agradecer os momentos proporcionados.
Os noctunos absorviam vagarosamente o véspero, e era espantoso observar o lugar que um dava ao outro sem qualquer atropelo de sobreposição, escurecendo o dia na sua totalidade para dar lugar ao momento da noite. Era assim em Madina Mandinga.
José Graça Gaipo
Ponta Delgada-Açores, 10 Abr 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

SANTA PÁSCOA

                                   PÁSCOA é: VIDA
                                                           PÁSCOA é: PAZ
                                                                                   PÁSCOA é: AMOR
Camarigos de Madina; vamos recordar com saudade e carinho a Páscoa passada em Madina no longínquo ano de 74.
Vamos ter um momento de recolhimento para orientar as nossas preces para que Deus dê o eterno descanso aos companheiros que já partiram.
Camarigos, faço votos para que o coelhinho (não o Coelho) dos ovos da Páscoa encha a vossa cesta com ovos de AMOR e FELICIDADE.
Para ti Camarigo e tua familia, tudo de bom e que as bençãos do Senhor estejam em vós nesta auspiciosa quadra Pascal.

um bem hajam
                             Monteiro ( Manhiça )

terça-feira, 26 de março de 2013

A Semana Maior

Hoje, inicia-se a chamada semana maior.
Semana maior, não por se identificar em ter mais dias nem mais horas, mas sim, por ser um tempo muito especial na vida de homens e mulheres que professam o acreditar na grande festa da vida, a Páscoa de Cristo Ressuscitado.
A Festa da Páscoa é a Primavera colorida, onde os aromas da vida brotam viçosos e verdejantes.
Assim, a Páscoa, é a festa e a árvore da vida que nasce à beira das águas e se alimenta.
Ao vir o tempo, a sua folhagem não murcha, nascem-lhes os frutos, sempre viceja.
Que nesta Páscoa sejamos verdejantes e viçosos, prontos a alimentar cada dia o espírito de viver na alegria e felicidade que a vida nos proporciona em cada momento e em cada tempo.
Saibamos em cada tempo, transpor as dificuldades e os desânimos numa linha de esperanças e aleluias Pascais.
Que em cada tempo, o Sol do equinócio da Nova Páscoa, brilhe e aqueça os corações dos homens, e faça despertar em cada um, o homem novo na descoberta do dia radioso.
Que a Páscoa e o Cordeiro Pascal, que é Jesus Cristo, alimente sempre a nossa conduta humana, sobretudo nas famílias mais carenciadas de calor humano.
Que seja assim, a nossa Páscoa, envolta no abraço amigo, tornando-nos, homens novos em toda a sua dimensão de gestos, de atitudes, de palavras amigas, de bom senso, e de gratuidade carinhosa.
Para todos os amigos de Madina Mandinga, uma Santa e Feliz Páscoa.
Ponta Delgada, 24 de Março de 2013
José Graça Gaipo