segunda-feira, 23 de junho de 2014

40º Aniversário dos Amigos de Madina Mandinga


Caros amigos
Recordar no presente ano de 2014, os factos e acontecimentos ocorridos no decurso de 40 anos, é um longo caminho, em que a linha do horizonte das nossas memórias, nunca esquecerá.
Lentamente o sol se apaga nos campos, montes e mares, mas deixa-nos a promessa de renascer cada dia.
Nestes tempos de crise, de dificuldades de ordem vária, a divina providência que tanto regula as sombras como a luz dos tempos vários, decerto que, nos encherá a todos e cada um em particular, com a luz da fé e da esperança de tempos melhores, onde a esperança brilhará como sol infinito do espaço.
A nossa festa, é sempre um tempo novo, onde cada um espelha no presente, o passado, e ele ”passado”, é uma página do nosso ser pessoal, é um rosto que vai amadurecendo a visão dos nossos sentimentos e afectos que foram escritos em tempos vários.
A nossa festa, é um colar de 40 pedras preciosas, pintadas da forma e cor que cada um desenhou no seu imaginário. Cada pedra tem um tom e uma sonoridade tímbrica especial, que o coração depositou para a sua conjectura final.
Que este colar, continue o ciclo da vida, da alegria e da amizade fraterna que depositamos em cada um, que são os outros, que formam o nosso círculo.
Que o tempo não empobreça nem apague com a sua sombra, o resto do calor solar que sobra ao nosso número.
Aos que já partiram, faz longo tempo, para a ala da paz, não esqueçamos um momento de silêncio em memória daquele que nos deixou recentemente, tendo na certeza da fé que cada um foi instruído, acreditar que ele “Tio Brito”, também estará a regozijar, este momento tão especial. Que a alegria dele, a sua disposição, permaneça sempre viva no grupo que, hoje celebra mais um encontro com o número que somos e estamos no presente.
Invocar a nossa atitude de crentes e das nossas personalidades, é tempo de recordar e de afirmar que antes do 25 de Abril de 1974, e decorridos os já 40 anos, já trazíamos as insígnias da oposição, em que vestidos de uniformes militares, carregados de sinais bélicos nos braços e cinturas, (armas, cartuxos, granadas de mão e outros), cada qual invocava no seu interior e, em silêncio, a convicção de, estarmos despidos das armas e das fardas, e que em seu lugar, carregados, trouxemos e levamos, flores, pão, frutos e sinais de um suor árduo.
Este pensamento, faz-nos aliar ao símbolo de “Os Leões de Madina Mandinga”, porque reforça a nossa atitude, a força, a coragem e a valentia de tudo enfrentar sem conflitos, mas com um sinal de fraternidade e amizade.
Que o nosso símbolo, “Leões de Madina” se fixe sempre naquilo que fomos, e continuaremos a sê-lo na via de cada dia, marcando sinais humanos de respeito mútuo e coragem, procurando valorizar o que somos na continuidade da alegria e amizade que nos faz reunir em cada ano.
Que os nossos passos se firmem caminhando.
Que nossos olhos se tornem claros, e torne visíveis o oculto do homem perverso.
Que nossas vozes, cantem falando as vozes das coisas que sentimos.
Que seja sempre assim, o nosso testemunho de homens e amigos.
Não pretendo alongar-me, mas apenas deixar um registo pessoal, dirigindo algumas palavras pobres e soltas, mas com saudades de todos vós.
Que esta festa, seja sempre uma festa em qualquer parte ou momento das nossas vidas, e ao despedirmo-nos, os nossos sorrisos e abraços, sejam sempre com um sentido de fraterna amizade, e que as nossas vozes se elevem de alegria.
Um Grande Abraço a todos Vós.
José Graça Gaipo – Ponta Delgada, Açores.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

CONVÍVIO 2014 - LEIRIA

Camarigos de Madina:
Cá estou de novo, mas desta vez, não é para vos falar de "bajudas" (até vos babastes todos) foi só recordar a juventude irrequieta que havia em todos nós, pois com tanta "fruta", para degustar e conviver, deixa-nos saudades esses tempos idos.
Hoje vou falar-vos da nossa concentração, para mais uma acção psicológica, desta vez na Tabanca de Leiria cujo Homem Grande é o Paulino.
Sei que não está fácil, fazer esta coluna para reabastecimento, mas aqui, tal como lá, temos de ser voluntários e dar uma de durões. Temos de comparecer à chamada de todos os nossos companheiros que, como já é apanágio da família de Madina, estamos sempre presentes ao convite.
Como sabemos, este, tal como os anteriores, vai ser um convívio onde iremos encontrar os nossos Camarigos que passaram a ser nossos irmãos e no qual, além de comermos, bebermos e conversarmos, teremos tempo para recordar os bons e os maus (poucos) momentos que por lá passamos e nos revermos, o que para nós já vai sendo muito bom.
A cidade de Leiria e seu Castelo
O tempo vai passando, e uma coisa é certa, nesta fase das nossas vidas, ao contrário dos jovens para quem os dias são curtos e os anos são longos, para nós os dias são longos e os anos são curtos. Por isto mesmo temos de aproveitar o que a vida nos dá do seu melhor.
Camarigo, comparece e trás a tua família e amigos, pois eles também já fazem parte da nossa família de Madina.
Este vai ser um convívio de arromba no qual, se nos apetecer comer, nós comemos; se nos apetecer beber nós bebemos; mas se nos apetecer trabalhar, nós dormimos e aguardamos que a vontade passe, porque é dia de festa.
COMPARECE no dia 28 de Junho, pelas 11H30, em Azóia, próximo da cidade de Leiria.
Um abraço e bem hajam - Monteiro (manhiça).

terça-feira, 3 de junho de 2014

Retalhos de Madina - AS LAVADEIRAS

Caros Camarigos;
hoje, em mais uma escrita de nostalgia e para alegrar as nossas mentes, e com o passar do tempo já vão ficando enevoadas, fruto do cacimbo que por lá apanhamos, mas também pelos muitos anos que já passaram, vamos recordar as nossas lavadeiras. As nossas queridas "bajudas" que jovens ou menos jovens, foram de uma ajuda extraordinária.
Havia-as de todos os feitios e beleza. Eram novas, velhas, feias, bonitas, peitudas, enfim podíamos escolher qual a que mais nos servia para tratar e cuidar da nossa roupa.
As nossas amigas lavadeiras eram de Madina Mandinga, mas muitas vinham diariamente da tabanca vizinha de Ieromaro, a não ser que o IN estivesse na nossa zona e então nem punham lá os pés, o que para nós até era um alerta.  
Era certo e sabido que de quando em vez, lá desaparecia uma peça de roupa, sendo a mais usual uns slipes que na altura era "manga de ronco".
Passavam trabalhos imensos para levar a sua empreitada a bom porto. No tempo seco era um tormento arranjarem água para lavar a roupa, mas como havia certos privilegiados que tinham sempre água armazenada em bidões, então só a concediam às suas lavadeiras e em troca eram arranjados alguns favores (não pensem em asneiras), tais como descontos no preço, roupa bem dobradinha e dada a ferro, etc..
Os preços eram variados, pois havia uma hierarquia. Para o Capitão o preço era mais elevado. Os Alferes pagavam um pouquito menos. Já os Sargentos tinham um desconto maior e os Soldados pagavam menos. 
As lavadeiras também tinham entre elas um certo estatuto. Assim a lavadeira do Capitão era quase como a 1ª dama das lavadeiras, seguida das dos oficiais. As dos sargentos, não sei porquê, tinham um estatuto aparte, então a de certos Magnórios, tinham sempre água e sabão. 
O sabão era muito cobiçado e era distribuído e vendido pela figura do Zé Gato, que com grande mestria fazia quase sempre o milagre da multiplicação, pois de uma barra de sabão dava para imenso retalho.
Esta era a Hima, em 4/11/1973
Às nossas "bajudas" das quais todos os militares têm fotos, e que ao fim de estes anos todos ainda são uma recordação da nossa juventude, um muito obrigado. Elas fizeram parte do nosso dia a dia e não há militar nenhum que não se lembre, com saudade e carinho, as risadas alegres, os seus cantares e porque não dizer em alguns casos os seus corpos lindos e achocolatados que nos faziam recordar quem nós tínhamos aqui no Continente.
Aqui fica o meu tributo a quem mais ou menos nos ajudou a mitigar a saudade dos nossos ente queridos. Um bem hajam e um até sempre.
Monteiro, (Manhiça).

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Que a mansão eterna de Deus, o repouse, na ala da paz


por José Graça Gaipo
A notícia foi curta e breve, mas escurecida de alguma dor quando, os amigos partem deixando a saudade das muitas coisas que a vida humana teceu ao longo de um tempo, que, não pára a sua rotação.
Falar dos amigos enquanto vivos, é sempre bom. É testemunhar actos humanos, é descortinar e recordar nos tempos (o presente e o passado), aquilo que a sua capacidade intelectual, foi capaz de criar no bom sentido, de forma a tornar os actos atraentes e sem qualquer condicionalismo.
Falar de Fernando Brito, mais conhecido por “Tio Brito, tracto familiar”, como de filhos se tratassem naquela conjuntura de tempo e ambiente de guerra, transporta-nos a todos, reconhecer a figura destacável que ele foi, como Homem, Pai de família, como cidadão na linha ética e intelectual, e também como profissional na conduta do cumprimento dos deveres e direitos, ao longo da sua carreira militar.
Como Homem e Pai, foi sempre digno de merecedor respeito, embora a sua condição profissional por onde enveredara, e na distância africana, mantinha sempre presente na sua mente, a família e os filhos. Falava deles, com brilho não só nos olhos, mas também nos lábios e na forma como os ditava ou soletrava seus nomes, com um sorriso aberto de bendizer, criando neles um estado de viver alegre.
Como amigo, soube sempre conjugar e distinguir a linha humana da profissional, mantendo uma conduta de diálogo, um sabedor ouvinte de olhos fitos naqueles que escutava, como que a ler o interior do outro, um conselheiro experiente, onde se podia depositar confiança, acolhedor de amizades, onde a sua visão, respondia sempre numa linguagem amiga e carinhosa numa perspectiva de longo prazo, revelando sempre uma atitude e predisposição de pai, que escuta e acolhe o filho para o aconselhar e dar um rumo que lhe garantisse uma possível sobrevivência humana e realização pessoal.
Como cidadão ético, primava pela assertividade das coisas e dos factos, procurando a simplicidade sem dificultar fosse o que fosse. Tinha um coração sempre aberto e disposto a uma coragem de enfrentar por vezes artimanhas de gestos e atitudes de jogos menos positivos. Era muito prudente, com uma visão que por vezes não lhe era tolerável competir com o que sonhara. Era cuidadoso em tudo que projectava, e com facilidade lia bem nos contornos, linguagens e interpretava raciocínios, gestos e atitudes menos correctas.
Era perspicaz e persistente nas suas ideias e decisões, procurando sempre dentro dos possíveis e razoáveis limites conseguir objectivos planificados e em ordem ao bem comum da comunidade militar de Madina Mandinga.
Como profissional, era um homem competente, procurando saber sempre relacionar a atitude e forma profissional no campo da acção, para que, o ser e estar na vida, não deixasse dúvidas quanto ao cumprimento dos deveres e obrigações militares, como profissional do quadro.
Como amigo, de todos e em particular, cada um e cada qual, poderá ajuizar o que as consciências ditarem, mas tenho a certeza e não dúvidas, de que foi na maioria das vezes, um amigo com nome de Pai. Era um amigo digno de ser ouvido e respeitado, independentemente do seu grau na função militar e de profissional.
Recordá-lo quotidianamente, não é um favor, é um sentimento carinhoso que todos, o devemos, porque ele foi o caminheiro indicador de muitas situações, apelando sempre ao bem-estar das nossas vidas, que nada nos faltasse em tempos de tanta hostilidade bélica.
Ele, era uma rocha firme em quem se confiava de mão aberta e em quem podíamos falar, desabafar coisas e lousas desde o particular ao geral de nossas vidas e atitudes.
Estamos em tempo próprio de pensar um pouco mais nele, Tio Brito,  que, recentemente nos deixou e, decerto que, seu espírito descansa na ala da Paz, onde os mortos, são os vivos da Nova Páscoa, da Ressurreição em Cristo.
É tempo de dizermos e de anunciarmos, a quem quer que seja, que vamos por todos os caminhos, onde não há rotundas nem cruzamentos, mas sim direccionados num sentido, o da grande amizade, e que ela “amizade” habite sempre em nós, independentemente do tempo e do lugar, do sofrimento ou tristeza em que nos encontremos, mas que a firmeza da alegria nos faça viver caminhando.
Ao grande caminheiro que esteve connosco, lado a lado em terra africana, Guiné, apetece-me dedicar-lhe este belo poema, escrito na década de 1968-1970, sem qualquer previsão do 25 de Abril.
     Vão por todos os caminhos
1-Vão por todos os caminhos
    os irmãos injustiçados
    que transformaram a vida
    na beleza duma flor
    com a mensagem do Senhor, Aleluia!

   Também vão os torturados
   os mendigos e os poetas
   as crianças desgarradas
   e os suspensos pela dor,
   com a mensagem do Senhor, Aleluia!
           Coro
           E clamam os Homens
           este canto de louvor;
           Coro de caridade,
           Evangelho do Amor- Aleluia! Aleluia! Aleluia!

2-Vão por todos os caminhos
   os irmãos da nossa porta
   que nos trazem um sorriso
   feito de Paz e Amor,
   É a mensagem do Senhor, Aleluia!

   Os soldados, que despidos
  das armas e das fardas,
  trazem  flores trazem pão
- um fruto do seu suor,
  É a mensagem do Senhor, Aleluia.
                                                         (Texto de A. Oliveira)
Nota: Este poema, pertenceu e pertence à Missa da Esperança, que foi cantada clandestinamente à porta fechada, na Igreja da Calhete, Ilha de S. Jorge, para que a PIDE, não nos surpreendesse, pois estávamos em missão de acampamento e diversão cultural sócio religiosa, em Agosto.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

40 anos de Abril

Abril de 1974 - Tempo de Primavera
Na Era do nosso tempo, na Província da Guiné
Madina Mandinga
Abril, é o mês quarto de cada ano, tempo em que a primavera desponta os seus primeiros verdes, e com eles, as cores e os cheiros que se esvoaçam na atmosfera ambiental, anunciando as primeiras flores que se transformam em frutos de nova geração.
Abril de 1974, despontou e despertou novos rumos aos que, (in) clausurados por arames farpados, (in) conscientes, se foram da lei militar libertando, deixando adormecidas as armas, que estendidas no chão, ficaram inertes na espera da nova esperança.
O sol, das manhãs de Abril, apareceram brilhando mais claras, mas o calor humedecido pela têmpera geográfica, estas mantinham-se como as demais em cada tempo de passagem e de espera.
As fileiras de notícias verdes e ramos vermelhos de cravos acalorados, apenas foram surgindo através de comunicações/notícias, que no longe, transpuseram ao nosso imaginário sinais e cenários contemporâneos, deixando nas clareiras de céu aberto, as armas que continham a força e o desespero de tudo libertar, colocando no obscuro e na distância, a vingança do inimigo, que na sua mensagem diária, trazia a destruição expressa do mote, o apontador da morte.
Nos actos de liberdade, há sempre lugar a momentos estranhos com direcções incertas abatendo homens límpidos de viver e construir sonhos sonhados e (in) pensados. 
A certeza dos actos, são tempos que marcam os projectos de vida e de construção, para dar lugar a outros viventes. 
Sentir Abril, é um mês que marcou gerações passadas, presentes e contemporâneas, que na sua percepção exprimem contornos de linguagens de variados estilos e sensações cromáticas.
Hoje, Abril, parece desfigurado e desvalorizado para os fins a que foi criado ou nascido, porque as instituições estatais ainda não entenderam os esforços de um povo em reabilitar a democracia adormecida durante uma quarentena de anos. 
Abril, ainda é tempo, é um mês criativo de ser pintado de verdes e vermelhos em todas as direcções do registo que aponta os pontos cardeais, não fazendo distinções de povos, raças e línguas e diferenças sociais.
O espírito de Abril, é um arco-íris que penetra na atmosfera recebendo a luz solar humedecida para tornar mais clara a luz branca, que, a humanidade necessita para criar uma nova atmosfera da vida colorida, pintando no céu sem qualquer esquadria, o célebre arco-íris, visível a todos em larga distância, anunciando que a bruma cinzenta se faz clara e renovada. 
Sem Abril e sem luz, o caminho aberto à visão do pensamento não teve a percepção do flagelo da vida, que nos anos de ditadura, criaram ambientes confrangedores alimentando os movimentos antinacionais.
Abril, nasce todos os anos, e cada um a seu tempo, mais desgastado dos seus intrínsecos valores nacionais que aprendemos na geografia e história de um património cultural, muito destruído. 
José Graça Gaipo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Santa e Feliz Páscoa 2014

Nesta data especial em que nós os Cristãos, celebramos a Ressurreição de JESUS CRISTO, ou seja a Vida, vimos desejar a todos os Camarigos de Madina uma feliz Páscoa em reunião com todos os familiares mais próximos.
Recordemos com saudade e a nostalgia de 40 anos passados, sobre a Páscoa vivida em Madina.
Éramos crianças feitos homens, a juventude dava-nos uma irreverência que por vezes sendo irresponsável, também era libertadora de todo um medo e stress, que mesmo para nós, bafejados pela argúcia e talento de dois chefes em saberem ter arte e engenho, para que o nosso local de estacionamento por terras Africanas, mesmo com certo grau de perigosidade, fosse um local aprazível e à data fosse considerado um Resort de luxo, mediante o que se nos deparava aquando de visita a outros aquartelamentos.
As lembranças passados estes anos todos já se vão esvanecendo pelos confins do baú das minhas memórias e já é com dificuldade que vão aparecendo flaches de um dia passado em comunhão, respeitando a tradição das nossas queridas terrinhas, talvez até com rancho muito melhorado e vestindo as nossas roupas civis, para passear pelo perímetro do arame farpado e enganar as saudades da família e dos nossos ente queridos, para tirar umas bonitas férias para mais tarde recordar.
Para todos vós, renovo os votos para que a vossa Páscoa seja feliz e a minha gratidão e amizade será eterna, visto termos feito este caminho caminhando. De todos vós RECEBI mais do que DEI - TIVE mais do que MERECI - APRENDI mais do que ENSINEI.
Sejam felizes, boa Páscoa
Monteiro (Manhiça).

quarta-feira, 16 de abril de 2014

As minhas Saudações Pascais


A Páscoa, não é um acontecimento do passado, mas sim um tempo em que a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo, continuam a suscitar a perplexidade dos incrédulos. Os cristãos e a igreja, revivem com fé e esperança, ontem como hoje, estes momentos do mistério essencial do cristianismo:
Que a Nova Páscoa de Cristo Ressuscitado, faça de nós, Homens Novos.
Que o dia glorioso, o Domingo de Páscoa e Ressurreição de Cristo, irradie na alegria da mais bela primavera toda a nossa vida e, a de cada um em particular, e que a Paz do Céu à terra, floresça sempre de frescas rosas, e que encha das mais formosas harmonias.
A Todos, um abraço amigo, com desejo de uma Santa e Feliz Páscoa.
 Ponta Delgada, 16 de Abril de 2014
José Graça Gaipo

sábado, 22 de março de 2014

Retalhos de Madina - A LENHA

Camarigos, hoje nos retalhos de Madina, vamos falar de uma das tarefas que estava nos nossos afazeres diários. O pelotão que estivesse de serviço ao quartel tinha de destacar uma secção, comandada por um FurMil., para se deslocar para fora do aquartelamento de Madina, fazer o corte e recolha de lenha, para alimentar as lareiras e os fornos onde eram confeccionadas as nossas refeições.
Se nesse dia a picada já tivesse sido feita (verificação de minas pelos picadores), a recolha da lenha era num local mais afastado, caso contrário seria mais próximo ao aquartelamento. 
Era uma das tarefas que, sendo relativamente fácil, não era destituída de perigos, pois os nossos "amigos do PAIGC" de quando em vez lembravam-se de deixar umas "prendas" para o pessoal ter presente o local onde nos encontrávamos. Felizmente no nosso "Resort" e locais adjacentes nunca tivemos dessas ditas "prendas", pois eles sabiam que a lenha também servia para que as suas crianças tivessem umas refeições melhoradas.
Nesta tarefa diária de arranjar lenha ouve diversas situações caricatas e uma delas passou-se com este vosso Camarigo.
Numa dessas saídas, lá tive eu de dar corda às botas, pois o meu irmão Madrugo, por qualquer motivo não foi no meu lugar e então, pobre de mim, certamente ainda em grande ressaca por uma noite mal dormida e com os vapores etílicos povoando todo o meu ser, lá segui.
Tínhamos um condutor que por alcunha era chamado de "Farturas", entretanto já falecido, que era um bocado passado dos carretos e então certo dia, calcorreando aqueles caminhos onde a terra exala um perfume inebriante e intenso, fomos dar a um local onde existia a madeira que servia os nossos propósitos.
Iniciados os trabalhos do abate das árvores e como o material de corte (serrotes e machados) não cortavam quase nada, o dito Farturas num rápido flasch de desenrascanço, lembrou-se de dizer a um Camarigo para subir à árvore, que era de médio porte, e amarrasse o guincho do Unimog e assim a árvore partiria. Mas qual quê!...  o Unimog em vez de tombar a árvore começou a subir a mesma e quando demos por isso já o veículo estava no ar.
 
Como podem imaginar foi um delírio com tal façanha. Passados uns momentos lá tivemos de procurar outro local e então sim terminar a tarefa para a qual tínhamos saído.
Por hoje é tudo, fiquem bem. Um forte abraço
Monteiro (Manhiça)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MORREU O TIBRITO

               Camarigos de Madina, acabei de receber a noticia dada pelo nosso Capitão Zé Luíz, que faleceu o nosso 1º Brito.
Camarigos de Madina, neste momento as palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas e na saudade que iremos ter do TiBrito.
TiBrito, toda a 1ª Cart do Bart 6523 se despede de si em tristeza, porque é nestes momentos que sabemos os nossos corações irão viver em saudade.
                                        DITOSOS OS DIGNOS DE MEMÓRIA
                                                      DESCANSE EM PAZ
A 1ª Cart de Madina Mandinga.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

a PALAVRA do Capitão

Desde os tempos de Penafiel até ao final de Madina Mandinga todos reconhecemos a personalidade, as palavras assertivas e a calma do nosso Comandante de Companhia Cap. Mil. José Luís Borges Rodrigues.
Permitam-me que transcreva parte de um artigo publicado no Jornal de Madina (o 1º. número), de autoria do nosso grande chefe José Luís e transcrito no calendário do mês de Fevereiro de 2014.
"O leão representa a força de que estamos possuídos. Representa a fé e a vontade forte de fazermos o melhor que a nossa consciência nos ditar. Representa o sentimento de família que procuramos criar na nossa 1ª COMPANHIA, como o elo mais forte para nos unir em todos os momentos do nosso convívio, que não será só de dois anos (não sabíamos que o 25 de Abril iria acontecer), mas que esperamos perdure ao longo do tempo"
De facto estas palavras, escritas  em plena mata de África e no ano longínquo de 1973, ainda hoje são sentidas e vividas nas nossas vidas. A alusão ao rei da selva, embora todos reconheçamos a paixão sportinguista do Zé Luís, é o lema de todos nós vencer o dia a dia, apesar da crise que hoje nos afecta. A amizade sentida e vivida naquele chão Mandinga continua hoje bem enraizada na nossa convivência.
Nos nossos convívios anuais respira-se ainda esse espírito incutido pelo Chefe em Madina Mandinga. A alegria nos nossos encontros é espontânea. Todos nos misturamos, ex. militares, esposas, filhos, netos, amigos. Não há patentes, a profissão de cada um não interessa. Sabemos todos estar em espírito de camaradagem, brincando, contando anedotas, orando e lembrando aqueles que já nos deixaram. É uma satisfação poder trabalhar com esta Companhia tão familiar. Mesmo quando alguma coisa corre menos bem, ninguém fica mal humorado, tudo é ultrapassado.
ESTA É A FAMÍLIA DE MADINA MANDINGA
O Cap. José Luís foi sempre sábio nas palavras que nos dirigiu ao longo da nossa vida militar e ainda hoje, quando se nos dirige, continua a ser a mesmíssima pessoa - muito afecta, muito simples e muito humana
Para toda a família de Madina muita amizade.
António Costa

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

DIA DE S. VALENTIM

Hoje dia de S. Valentim, não podia deixar passar a data sem dar os parabéns a todas as namoradas dos Camarigos de Madina.
Para os que namoravam ou os que já estavam casados, hoje passados 40 anos, devemos olhar com saudade e paixão tempos de antanho, mas ainda mais com esperança num futuro que deve ser cheio de coisas boas e bonitas que só nos traga felicidades.
Para as nossas companheiras que nos acompanham e amparam todos estes anos, o nosso obrigado e muitos parabéns.
Às Camarigas de Madina, um dia muito feliz.
Fiquem bem, um abraço
Monteiro, (Manhiça)